Petrus Paulus Rubens nasceu em 28 de junho
de 1577 em Siegen, Vestfália, Alemanha.
Filho de um advogado e diplomata flamengo
exilado por motivos políticos, depois da morte do pai radicou-se com a família em
Antuérpia. Lá realizou seu aprendizado artístico com vários mestres, entre os quais Otto van Veen,
que nele despertou a admiração pela pintura italiana.
Em 1598 Rubens tornou-se mestre da guilda
de São Lucas e dois anos mais tarde viajou para a Itália. Ingressou então no serviço
de Vincenzo Gonzaga, duque de Mântua, para quem trabalhou como pintor de corte e a quem
representou em missões diplomáticas em Madri, Roma e várias cidades italianas.
As obras dessa fase, tais como "A
coroação de espinhos" (1602), "Retrato do duque de Lerma" (1603) e
"Circuncisão" (1605), refletem seu esforço para assimilar as diversas
tendências da arte italiana da época e a substituição gradativa dos violentos
claros-escuros pelo colorido suave e matizado característico da escola veneziana.
Em 1608, pouco depois de regressar a
Antuérpia devido à morte da mãe, Rubens foi nomeado pintor da corte dos arquiduques da
Áustria, da casa de Habsburgo, governadores espanhóis dos Países Baixos, dos quais
realizaria numerosos retratos.
O pintor casou-se em 1609 com Isabela
Brandt (Veja
o quadro Rubens e Isabella) e, nos anos seguintes, executou uma série
de importantes trabalhos elaborados com base num jogo de diagonais tipicamente barroco que
o converteu no mais prestigiado pintor flamengo.
Entre as obras dessa fase destacam-se as
telas monumentais "Levantamento da cruz" (1610) e "Deposição"
(1612), realizadas respectivamente para a igreja de Santa Valburga e a catedral de
Antuérpia.
Já famoso, com um padrão de vida até
então inusitado para um artista e proprietário de um ateliê no qual trabalhariam
pintores como Antoon van Dyck e Jacob
Jordaens, Rubens mandou construir uma luxuosa residência, na qual juntou esplêndida
coleção de objetos antigos que reunira durante sua permanência em Roma.
Em 1618 pintou o "Rapto das filhas de
Leucipo", já marcado pela sensualidade e pelo contorno exuberante dos corpos
femininos que caracterizariam suas composições mitológicas. Nessa época adotou uma
palheta mais clara e uma pincelada leve e espontânea, que tendiam a ressaltar a cor e
não o contorno e que predominariam em toda a sua obra posterior.
Durante a década seguinte, Rubens realizou
numerosas missões diplomáticas para os arquiduques da Áustria em contínuas viagens
pelos Países Baixos, França, Espanha e Inglaterra.
Em virtude do papel preponderante que
desempenhou na obtenção do acordo de paz anglo-espanhol de 1630, Carlos I da Inglaterra
concedeu-lhe o título de cavalheiro.
Tais atividades não impediram que
prosseguisse com seu trabalho artístico. É desse período a série "Vida de Maria
de Medici", conjunto de telas monumentais realizadas entre 1622 e 1625 para o
palácio de Luxemburgo de Paris e mais tarde transferidas para o Museu do Louvre.
Outro importante conjunto de telas,
destinado à igreja de São Carlos Borromeu de Antuérpia, desapareceu na sua quase
totalidade num incêndio, em 1718.
Viúvo desde 1626, Rubens casou-se quatro
anos depois com Hélène Fourment , jovem de 16 anos que lhe daria vários filhos e seria
seu modelo predileto (veja Hélène com dois filhos do
casal).
As composições mitológicas e galantes
dessa época final -- "Ninfas e sátiros", "As três graças", "O
jardim do amor" e "Quermesse" -- são talvez as mais conhecidas e as que
melhor definem seu estilo pela riqueza cromática, a composição ao mesmo tempo dinâmica
e equilibrada e a diluição das linhas.
Entre essas obras destacam-se os numerosos
retratos de sua mulher, em que revela sensibilidade e penetração psicológica muito
superiores às demonstradas nos retratos tradicionais que realizou para a corte e nas
paisagens tardias "O parque de Steen" e "Paisagem com uma carruagem ao
crepúsculo".
O tom lírico e nebuloso dessas cenas
campestres, devido à serena melancolia do pintor em sua velhice, foi considerado
precursor de certos aspectos do estilo rococó do século XVIII e, em particular, da obra
do francês Antoine
Watteau.
Rubens morreu em Antuérpia em 30 de maio
de 1640.