Juízes e jornalistas
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Paisagem com arcoiris
1630 (década)

            Pintor:
button.jpg (1315 bytes)  Peter Paul Rubens
             (1577-1640)

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Jayme Copstein (*)
copst@terra.com.br
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     Juízes e jornalistas têm origem comum como personagens de um momento decisivo para a civilização. Não é necessário o apelo a improváveis alfarrábios egípcios, recurso de historiadores indolentes e oradores em apuros. Basta o mito que, apesar de despercebido, talvez seja o mais belo e o mais significativo da cultura judaico-cristã.

     "Estabeleço minha aliança convosco: não mais será destruída toda a carne por águas do dilúvio nem mais haverá dilúvio para destruir a terra (....) Porei nas nuvens o meu arco. Ao vê-lo me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes." (Gênesis, 9 –11).


     Naquele momento, nasceu a civilização. Pela primeira vez, no confronto entre um criador e suas criaturas, a força de um ser todo-poderoso inclina-se diante do direito à vida das criaturas indefesas, a despeito de que e, principalmente, porque ele próprio as tivesse gerado.

     Naquele momento também nasceram as nossas profissões, ambas para lembrar a todos – a nós, jornalistas, com suas notícias e reportagens, aos juízes com suas sentenças, doutrinas e pareceres – o pacto que estabeleceu a hegemonia do direito sobre a força. É este único princípio ético a reger nossas profissões. Todo o resto é mera interpretação.

     E porque assim é, nossas profissões são conseqüência uma da outra, ainda que nem sempre tenhamos percebido a verdade. Quando se investe contra jornalistas, o alvo maior é a Justiça. Porque sem a voz do jornalista não haverá quem lembre o pacto da hegemonia do direito sobre a força. Sem esta lembrança constante e permanente, vãos serão os esforços do juiz para que o pacto prevaleça. De igual forma, coagidos os que devem fazê-lo prevalecer, não haverá pacto a ser lembrado.

     A constatação, portanto, de que enfrentamos os mesmos desafios, indica-nos a certeza de que nosso caminho é um só, que juntos devemos percorrê-lo para enfrentar os riscos que também nos são comuns, como as chamadas leis de imprensa que pretendem sufocar a voz do jornalismo com indenizações milionárias ou reduzir a soberania do Judiciário com artimanhas de controle externo. São faces da mesma moeda.

     No vocabulário da tirania, a palavra maior é Poder. Nele não cabem os antônimos – Liberdade de expressão e Direito.

(*) jornalista

 
 

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Jayme Copstein
copst@terra.com.br

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