A FEB - Força Expedicionária Brasileira


Mercedes Pacheco - Odisséia e Vitória da FEB – 1ª edição - 1981

      Estávamos no fim da década de 1939. O mundo parecia adormecido. No Brasil, a vida transcorria normalmente sob um regime totalitário. Ditadura não muito dura. Dispúnhamos apenas das emissoras de rádio e da imprensa, como fonte de informação. O povo contava, ainda, com o cinema e o teatro. Era 1939 e o mundo se agitou quando, com a invasão da Polônia pelos alemães, eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Os Chanceleres das Repúblicas Americanas, em reunião no Panamá, firmaram total neutralidade dos seus países. Hiroito, Adolfo Hitler e Benito Mussolini, o trio do barulho, resolveu comandar o mundo.

    Enquanto os exércitos alemães e italianos invadiam a Europa e a África, os japoneses, em 7 de dezembro de 1941 atacavam, de surpresa, a base norte-americana de Pearl Harbor. Esse crime nefando fez com que os mesmos Chanceleres americanos (inclusive o do Brasil) rompessem relações com o Japão e com os nazi-fascistas, em justa solidariedade aos EUA.

     Em 1942, foram torpedeadose afundados pelo nazi-fascismo 19 dos navios mercantes brasileiros, além da prática de atos de pirataria, resultando na morte de 740 patrícios nossos, inclusive crianças. Pelo ultraje à nossa Bandeira e pelos atentados à nossa soberania, resolveu o Governo Brasileiro declarar guerra à Alemanha e à Itália, em 22 de agosto de 1942.

     Em 15 de março de 1943, o então General João Baptista Mascarenhas de Moraes assumia o comando da 2ª Região Militar (São Paulo) e o Presidente Getúlio Vargas anunciava a possibilidade de preparação de um corpo expedicionário destinado à vigilância e defesa do Atlântico Sul, bem como para colaborar nas operações de guerra com os nossos aliados, onde fosse necessário.

     Os repetidos afundamentos de navios mercantes nacionais em águas territoriais brasileiras tiveram como resposta a declaração de guerra ostensiva do Brasil contra o eixo Roma-Berlim-Tóquio, ficando o governo liberado para enviar tropas ao exterior,  em cooperação com os exércitos aliados. Para organizar e treinar essas tropas, foi designado o General Mascarenhas de Moraes, já com 60 anos de idade, começando o penoso trabalho de preparação daqueles que seguiriam para a Europa. Os Regimentos de Infantaria tiveram de suportar importantes alterações em sua estrutura, dentro do exíguo prazo para a formação e adestramento do pessoal, que ocorreu entre o final de 1943 e meados de 1944. Era absoluto o sigilo quanto às datas de embarque da FEB rumo à Europa.

     Finalmente, o grande transatlântico norte-americano "General Mann" deixava o porto do Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1944, levando o 1º Escalão de Embarque, sob o comando o General Euzébio da Costa, o qual chegou a Nápoles (Sul da Itália) na manhã ensolarada de  16 de julho. Logo mais, em 22 de setembro, seguiu, pelo mesmo navio, o 2º Escalão, comandado pelo General Oswaldo Cordeiro de Faria. No mesmo dia, zarpava o vapor "General Meigs" com o 3º Escalão, comandado pelo General Olympio Falconiere da Cunha. Em 23 de novembro o navio "General Meigs" saia do Brasil com o 4º Escalão, sob o comando do Coronel Mário Travassos. Por último, seguiu o 5º Escalão, também pelo navio "General Meigs", em 8 de fevereiro de 1945, comandado pelo Tenente-Coronel Iba Jobin Meireles. Por via aérea, seguiram médicos, enfermeiras e elementos avulsos, não envolvidos diretamente nas operações de guerra.

     Um mês após o desembarque, o 1º Contingente já se achava concentrado e subordinado ao V Exército dos EUA, sob o comando do General Mark Clark, no Campo de Planadores de Tarquínia. O Comandante brasileiro Mascarenhas de Moraes, em companhia de Zenóbio da Costa e outros oficiais compareceu ao Quartel General do V Exército americano, em Cecina, onde prestou continência de praxe, recebendo manifestações de simpatia e apreço. Sir Wiston Churchill, Primeiro Ministro da Inglaterra, foi recebido, também, em Cecina, sob forte guarda de honra, referindo-se, no ato, à cooperação do Brasil no palco de operações de guerra.

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