COMEÇA A OPERAÇÃO DE GUERRA
Mal.J.B.Mascarenhas de Moraes - A FEB pelo seu Comandante
Publicação do Instituto Progresso Editorial 1947
abrir o mapaA primeira missão de guerra recebida pelo destacamento da FEB, emanada do 4º Corpo do Exército, consistiu em deslocar-se, na noite de 13 de setembro de 1944, para uma zona de reunião ao sul de Pisa. As tropas que passaram a integrar o supracitado grupamento tático, à exceção da 1ª Companhia de Engenharia, deslocaram-se em caminhões para um ponto de primeiro destino, a região de Ospedaleto, distante 50 quilômetros de Vada.
Os necessários reconhecimentos para o deslocamento e substituição dos elementos americanos em posição foram realizados na jornada do dia 14. No dia seguinte, a tropa do Gal. Zenóbio da Costa deslocou-se de Ospedaleto para a região de Vecchiano (oito km ao Norte de Pisa), articulando-se em condições de, no escuro da noite, substituir as tropas americanas desenvolvidas na área de Massaciucoli - Filettole - Vecchiano.
Perdendo as excelentes posições defensivas do rio Arno, o inimigo passou a desenvolver ações retardadoras ao longo das rodovias e caminhos que se distribuíam entre Viareggio, vizinhanças do lago de Massaciucolli e cercanias de Lucca.
Como é natural, o inimigo não estava suficientemente conhecido. Algumas fontes indicavam a 16ª Divisão SS Alemã operava na região logo ao Norte de Pisa, exatamente a área que seria vasculhada pela tropa brasileira. O que se soube e se sentiu, de início, foi a ação da artilharia germânica atuando sobre Pisa e Migliano.
O destacamento da FEB substituiria tropas americanas dispostas em larguíssima frente. E os contatos que esses nossos aliados vinham realizando cifravam-se às ações de patrulhas, em sondagens algo profundas.
O dispositivo inicial dos brasileiros, adotado na noite do dia 15, quando se deu a substituição de elementos correspondentes americanos, estava, portanto, a exigir reajustamentos destinados a evitar infiltrações através dos elementos do Batalhão do major Gross.
Durante a noite de 15-16 de setembro, patrulhas brasileiras foram impulsionadas até as imediações da transversal de via Bertini - Ponte Vignole, sem estabelecer, entretanto, contato com o antagonista.
Em presença de tais circunstâncias, o general Zenóbio obteve do general Crittenberger, comandante do 4º Corpo do Exército, autorização para modificar sua articulação inicial, com a entrada em linha de outro Batalhão e, em seguida, lançar-se ao encalço do inimigo retrátil.
Destarte, na jornada de 16 de setembro, o destacamento FEB com os batalhões dos majores Gross e Abílio à testa do dispositivo, progrediram para o Norte, de modo tal que, ao anoitecer, já estavam de posse da linha geral Monte Comunale - Il Monte.
A progressão realizada nessa memorável jornada assinalou as primeiras vitórias das armas brasileiras em território italiano. Registrou-se a ocupação de Massarosa e Bozzano.
Massarosa foi a primeira localidade liberada pelas forças brasileiras, e o foi por um ousado golpe da Seg.Cia. I/6º RI, às ordens do capitão Alberto Tavares da Silva, e transportada em auto-caminhões.
No dia seguinte, as tropas do general Zenóbio, fazendo-se anteceder por rigorosas patrulhas de moto-mecanizados, continuaram o seu movimento para o Norte e, em rápida progressão, ocuparam Ghilardona - Il Vecoli colina Santa Lucia, exatamente a orla colinosa que se estende logo ao Sul da única transversal rodoviária existente na zona de ação. O Pelotão de Reconhecimento, articulando-se na aldeia de Stiava, prolongara-lhe o flanco ocidental (esquerdo). Nesses dois dias, as nossas forças cruzaram alguns campos minados, cingindo-se a atividade inimiga a tiros de artilharia sobre as regiões de Quiesa e Massarosa.
As informações até então colhidas deram ao chefe do Destacamento da FEB a impressão de que somente ao Norte da linha geral Camaiore - Monte Prano - V.Valimono - M.Acuto - M.Pruno seria possível um choque com o inimigo.
Assim, para cerrar o nosso dispositivo sobre a mencionada linha, a localidade de Camaiore, engastada nas abas de um conjunto montanhoso, despertava logo a atenção, por constituir sólida base para as ações ulteriores.
O avanço de oito quilômetros em nosso flanco esquerdo (ocidental), para empolgar Camaiore, seguramente avivaria o ânimo ofensivo de nossas tropas.
Decidiu, portanto, o general Zenóbio, a 18 de setembro, ocupar, sem perda de tempo, a cidade de Camaiore e deslocar o destacamento para o Norte, com o objetivo de articulá-lo em frente às elevações que pareciam caracterizar a orla exterior da posição defensiva inimiga.
E a falada Linha Gótica da propaganda alemã feriu a memória de todos quantos ali estavam. Era, ao que se dizia, a linha de defesa mais poderosa que os alemães tinham organizado. Estendia-se do mar Tirreno ao mar Adriático apoiando-se nos terríveis obstáculos das montanhas apinianas.
Em conseqüência, o chefe da Infantaria Expedicionária impulsionou sobre aquela cidade um grupamento misto especial, comandado pelo capitão Ernani Ayrosa, do I/6º R.I. Esse pequeno grupamento partiu de Massarosa na manhã de 18 de setembro e, quando estava bem próximo de Camaiore, encontrou uma ponte destruida, o que impediu o prosseguimento da marcha nos tanques americanos.
Diante disso, o capitão Ayrosa decidiu seguir com o restante do grupamento para Camaiore, onde penetrou sob intenso fogo de artilharia e morteiros.
A cidade foi conquistada na jornada de 18 de setembro, sem maior oposição, em vista de os alemães só terem mantido aí escassos elementos de vigilância, que se retiraram à aproximação dos elementos avançados do grupamento misto especial.
A posse de Camaiore foi consolidada com o reforço da 7ª Companhia/III/6º R.I. sob o comando do capitão Álvaro Felix, rapidamente transportada em jipes e caminhões.
Remate indispensável à manobra brasileira era a posse da transversal La Rena - Fattoria (Camaiore - Lucca), visto como estabelecia e firmava uma comunicação interior, de repercussão enorme nas ações futuras.
Lançou-se, em conseqüência, o Destacamento FEB, ainda na jornada de 18, à conquista das elevações que dominam essa rodovia pelo lado Norte, ou seja, a linha Meschino - Castelo - Migliano - Monssagrati - Cuco.
Ao fim da jornada, estava a citada transversal quase toda em poder das tropas do Destacamento FEB, à exceção das alturas do flanco oriental (direito), só alcançadas e dominadas no dia seguinte, mediante o engajamento do Batalhão do major Abílio. Na noite de 19, o contato fora tomado em toda a frente e a operação realizada no flanco direito, durante o dia, assumiu o aspecto de um engajamento.
Com as ações da jornada do dia 19 de setembro de 1944, conseguira o destacamento cerrar sobre os postos avançados da famosa Linha Gótica. Apoiavam-se esses postos nas alturas de Monte Prano, Valimono, Acuto e Pruno, e cota 540. E as informações colhidas, decorrentes da cerrada ação de contato, revigoraram a impressão de que o inimigo poderia oferecer forte resistência em posições adrede preparadas e conhecidas sob a designação de Linha Gótica.
[Adendo: Nas ações de estreitamento de contato, durante a jornada de 20 de setembro, capturamos os primeiros prisioneiros alemães: quatro desertores da 7ª Cia. do 25 RI (40DI). Essa jornada também assinalou as primeiras baixas. brasileiras em solo italiano, em ações de combate.]
O general Zenóbio resolveu assestar o golpe sobre as posições de Monte Prano. De acessos difíceis, Monte Prano constituia esplêndido observatório sobre as nossas posições e a planície litorânea. A posse ou conquista desse ponto forte certamente acarretaria forte desequilíbrio no sistema defensivo inimigo.
Era intenção do general Zenóbio, inicialmente, envolver e capturar o Monte Prano por oeste, conquistando em seguida a linha de monte Valimono monte Acuto e, finalmente, consoante as informações, retificar a linha de frente na altura de monte Prano. Durante seis jornadas (de 21 a 26 de setembro), plenas de flutuações e peripécias, nossos canhões e tanques americanos castigaram e, afinal, romperam todos os esteios do intrincado dispositivo adversário.
Lançou-se sobre monte Prano, em arrojada ação de patrulha, um pelotão da 2ª Cia. do 6º RI, enquanto os canhões aliados prosseguiam na sua tarefa de abrandamento dessa região chave.
Após duas jornadas de marcha e ligeiros combates com elementos contrários, essa patrulha, comandada pelo tenente Mário Cabral de Vasconcelos, conseguia alcançar o terço superior do monte Prano. Mais tarde, já na jornada de 26 de setembro de 1944, patrulhas brasileiras percorreram essa elevação e certificaram-se do abandono, pelo inimigo, dessa importante posição.
E assim caiu monte Prano em poder das tropas brasileiras. Saíra-nos o reencontro ao preço de cinco mortos e dezessete feridos.
Nesses entrementes, desfizeram-se as suposições do comando brasileiro acerca da conduta inimiga nas posições ora defrontadas, porquanto as declarações de novos prisioneiros alemães deram causa à impressão de que, a partir da noite de 24-25, seria efetuado um retraimento de um escalão de forças da 42 DI alemã.
Realmente, na noite de 25-26, o inimigo, em virtude de apresentar parte do dispositivo em situação difícil, decidira romper o contato, entregando-nos as posições de Valimono e monte Acuto, fortemente organizadas em alguns trechos.
Ruíra, desse modo, o restante da frente inimiga. Patrulhas de Infantaria, na tarde de 26 de setembro de 1944, guarneceram, sem dificuldade, a linha Il Coleto - Forielcoetti - Palagnoni.
Perlustrando um terreno de modelado caótico, enxameado de elevações alcantiladas e profundos talvegues, nossas tropas debalde buscaram o inimigo retirante. As forças brasileiras capturaram trinta e um prisioneiros, em ações que duraram dez dias e que nos proporcionaram um avanço de dezoito quilômetros.
Constituiu a vitória de monte Prano um feliz remate da primeira manobra das armas brasileiras no teatro de guerra italiano, merecendo lisonjeira repercussão nos círculos militares aliados.
A estréia do Destacamento da FEB foi evidentemente auspiciosa, mormente por se tratar de uma tropa de formação e treinamento recentes, a defrontar-se com um inimigo ardiloso e veterano de muitas batalhas. Os contrários prosseguiram no propósito de se furtar à batalha, o que levou a transmudar-se em formidável blefe a decantada Linha Gótica, na frente atribuída ao Destacamento FEB.
As Ações no Vale do Sérchio
Patrulhas brasileiras procuraram exaustivamente o contato com elementos inimigos, durante toda a jornada de 27 de setembro de 1944. Vencendo escarpas e grotões, vasculharam infrutiferamente os caminhamentos que se dirigiam a Stazzema, monte Procinta (1.177m alt) e monte Piglione (1.252 m de altitude).
Esses elementos avançados, perlustrando a porção serrana dos montes Apeninos, verificaram e sentiram a impossibilidade de qualquer movimento de conjunto da tropa brasileira. A configuração geral desse terreno - a Leste (à direita) um vale com possibilidade de progressão, ao centro e Oeste (esquerda) montanhas de difícil acesso, forçaria o centro de gravidade das tropas brasileiras a um deslizamento para a extrema direita, buscando o talvegue serchiano. Seria a rocada para o vale do Sérchio.
Inaugurando as operações do Sérchio, o Batalhão do major Silvino (III/6º RI), em data de 30 de setembro, retomou o contato com o inimigo, em frente às localidades de Capanne e Osteria. Nas montanhas do Oeste, o Batalhão do Mj. Abílio (II/6º RI), na data supra, topou o inimigo na área de Fornovolasco, ou seja, nas vertentes meridionais do monte Pania Secca (1.711 metros de altitude).
Nessas ações de contato, as tropas brasileiras sofreram oito baixas. Chuvas torrenciais, desabadas nos dias 1 e 2 de outubro de 1944, agravando as condições precárias das variantes que haviam sido construídas, atrasaram os movimentos das tropas do general Zenóbio.
Melhoradas as condições atmosféricas, a progressão foi reiniciada. Dois dias depois, as localidades de Fornaci e Coreglia Antelminelli eram ocupadas pelas nossas tropas.
Nessa oportunidade, as armas brasileiras capturaram, quase intacta, a fábrica de munições e acessórios para aviões, instalada em Fornaci (Fábrica de Munição Cararozzo). O açodamento da retirada inimiga, de certo, impediu a destruição dessa fábrica.
Uma forte patrulha alemã, às primeiras horas do dia 7 de outubro, procurou insinuar-se em Fornaci, onde se situava o Batalhão do Mj. Silvino, com o propósito, talvez, de danificar instalações em nosso poder. Colhida em plena progressão pelos nossos fogos, foi repelida, deixando um passivo de quatro mortos e um ferido.
Determinara, o general Zenóbio, a consolidação das posições atingidas e o lançamento de patrulhas agressivas em toda a frente. A engenharia brasileira intensificou os trabalhos de restabelecimento das comunicações. Assim, em 16 de outubro, conseguiu realizar o lançamento de uma ponte na região Noroeste de Castellacio, que proporcionou melhores condições de exequibilidade na margem ocidental do Sérchio, aos movimentos de qualquer natureza.
nquanto se processava a arrumação do dispositivo brasileiro, tendo em vista atacar Castelnuovo di Garfagnana, a atividade das patrulhas se manifestava em toda a frente, de forma tal que os reconhecimentos efetuados nas jornadas de 15, 16 e 17 de outubro de 1945 permitiram localizar resistências alemãs em Monte San Quirico e em Lama di Sopra.
Com a captura de prisioneiros do 1044º RI, nas jornadas de 19 e 20 de outubro, foi identificada a presença da 232ª DI alemã na área de Castelnuovo di Garfagnana. Prosseguia a engenharia, incansavelmente, na sua tarefa de deixar abertas ao tráfego, apesar da freqüência e abundância das chuvas, as estradas vitais para o desenvolvimento das operações sobre Castelnuovo di Garfagnana.
Os últimos dias de outubro foram significativamente dolorosos para as forças do 5º Exército. No setor litorâneo, suas tropas estavam contidas nas proximidades de Massa. A ação principal de sua manobra ofensiva, ou seja, a investida sobre Bolonha, esbarrara-se, então, na famosa Linha Gótica, a terrível estrutura defensiva do "eixo".
O inimigo, deslocando em tempo novas Divisões para o setor de Bolonha, obrigara o 5º Exército a uma pausa em seu avanço. Não alcançaram as forças de Mark Clark, no setor de Bolonha e nesse sombrio outono de 1944, a superioridade em homens e material, que se tornara indispensável.
Desse panorama de reveses, a tropa brasileira não se eximiu. Evidenciara-se que o prosseguimento de nossa manobra seria a captura de Castelnuovo di Garfagnana, o que implicaria uma terrível ameaça ao comando contrário.
Decidiu, então, o inimigo, desfechar contra-ataques destinados a nos afastar de Castelnuovo di Garfagnana. Para isso, na madrugada de 31 de outubro, com fortes reservas locais habilmente aspiradas à frente, atacou vigorosamente as avançadas brasileiras, não obstante o aguaceiro que então desabava.
Nossas tropas foram surpreendidas. Cansadas de fatigantes jornadas e certas de que os elementos inimigos em contato não possuíam valor combativo, descuraram de certas medidas de segurança e nem sequer estabeleceram um razoável plano de fogos, arremates obrigatórios da manutenção de um objetivo conquistado.
Não obstante as recomendações do 4º Corpo do Exército, todas reforçadas pelo comandante do Destacamento FEB, os nossos preferiram aprender por experiência própria a lição de que os germânicos, expulsos de qualquer posição designada para ser defendida, tentam sempre recuperá-la por meio de contra-ataque.
Lançou-se, pois, o contra-ataque alemão sobre as posições da 3ª Cia. (I/6º RI), estabelecida em Pian de los Rios.
Atacada de frente e de flanco, e chocada com a surpresa, a 3ª Cia. se retraiu para a região ao Norte de Albiano. Esse retraimento repercutiu, de certo modo, no dispositivo da 7ª Cia.(III/6º RI), porquanto alguns elementos seus foram obrigados a realizar um pequeno recuo.
Doze horas depois, os contrários vibravam um segundo contra-ataque, este contando com um forte apoio de artilharia. Conseguiu o inimigo, vencendo obstinada resistência, tomar pé nas cotas 906 a 1048. As duas outras Companhias, do I/6º RI, receberam, então, ordem de retrair-se. A 1ª Cia. para Cartagnana, já com a munição inteiramente consumida; e a 2@ Cia. (I/6* RI), ante ameaça de envolvimento, voltou às posições iniciais de Sommocolonia.
Não obstante este pequeno revés, O Destacamento progredira, no período de 27 a 31 de outubro de 1944, cerca de 22 quilômetros ao longo do vale do Sérchio. Encerrou-se, com tais resultados, a ação do general Zenóbio da Costa como comandante do Destacamento da FEB, uma vez que a chegada do grosso da 1ª DIE estava a exigir sua presença no preparo de dois regimentos de Infantaria (1º e 11º RI).
O Vale do Reno
O ex-Destacamento FEB iniciou, na noite de 1-2 de novembro de 1944, sua retirada da frente de Castelnuovo de Garfagnana, sendo aí substituido, progressivamente, por elementos equivalentes da 92ª DI americana. Transportou-se em auto-caminhões, seguindo o itinerário Barga - Lucca - Pistoia - Porreta Terme, vencendo um percurso de 120 quilômetros.
Perigosos e difíceis movimentos noturnos foram então efetuados pelos comboios-automóveis que conduziam essas forças brasileiras. Percorreram, os auto-caminhões, a serra de Pistóia, algumas vezes de faróis apagados, galgando rampas difíceis e realizando curvas perigosas, através de uma estrada de traçado serpenteante, que beiradejava numerosos precipícios.
Nessas condições, nossas tropas chegaram a Porreta Terme. As primeiras Unidades brasileiras desembarcadas no vale do Reno entraram em linha ainda sob o comando do CCB (Comando de Combate B) da 1ª Divisão Blindada, mas sob as vistas diretas do Estado Maior da 12 DIE.
Processou-se, então, a entrada em linha, feita com progressividade, segundo a ordem de retirada do vale do Sérchio. Deste modo, o Batalhão do major Abílio C. Pontes (II/6º RI) se deslocou na jornada de 2 de novembro para a região de Porreta Terme e ocupou as posições localizadas em Torre de Nerone, na noite de 3-4 de novembro; e o Batalhão do major Silvino C. Nóbrega (III/6º RI) se movimentou para a área de Marano e entrou em linha na noite de 5-6 de novembro, na região de Affrico - Volpara.
Em data de 7 de novembro de 1944, o Cel. João Segadas Viana, comandante do 6º RI, assumiu o comando das forças localizadas na nova frente de combate, inclusive dos elementos de tanques em reforço.
Na jornada seguinte, o Batalhão Gross (I/6º RI) e o Pelotão de Reconhecimento, estacionaram em Borgo Capanne (proximidades de Porreta Terme, procedentes do vale de Sérchio. Ao 9º Batalhão de Engenharia incorporou-se, nessa data, a sua 1ª Cia., que integrara o Destacamento FEB.
Com a chegada desses elementos, terminou o afluxo ao vale do Reno, das tropas brasileiras que estiveram atuando na frente de Castelnuovo de Garfagnana.
Dois dias depois, isto é, a 9 de novembro de 1944, o General Mascarenhas de Moraes assumia o comando do setor Marano - Riola, que englobava a Força Gardner americana, e o 6º RI. Com certo espanto nosso, a frente de combate assumiu tal tranqüilidade que não se registrou nenhum acontecimento importante durante a montagem do dispositivo. Apesar disso, fora sobremaneira honrosa e áspera a herança que coubera à Divisão brasileira naquele setor de guerra.
O comando alemão, querendo barrar o acesso aliado à rica e industrial planície do Pó, apoiou-se na formidável barreira dos montes Apeninos, particularmente a cavaleiro das estradas que se dirigem para Bolonha, procedentes do Sul. O setor mais arduamente disputado situava-se, então, a oeste da estrada Pistoia-Bolonha, entre os rios Reno e Panaro.
A 6 de novembro de 1944, o Gal. Mascarenhas de Moraes recebia no seu QG Avançado, em Porreta Terme, a sua primeira missão de guerra como comandante da 1ª DIE. Deveria o nosso chefe divisionário elaborar um plano para a conquista de Castelnuovo e cabia à Divisão Brasileira prosseguir na substituição da 1ª Divisão Blindada Sul Africana (em posição a leste do rio Reno) e estar preparada para seguir o inimigo, na eventualidade de uma retirada.
No período de 8 a 15 de novembro, nenhuma operação especial foi montada ou realizada, cumprindo-se a missão que nos foi atribuida pelo IV Corpo de Exército, isto é, nas tarefas de substituição e defesa das posições. A artilharia inimiga bombardeou diariamente as nossas posições, inclusive a região do Quartel General Avançado da 1ª DIE (Porreta Terme) e lançou inúmeros folhetos de propaganda.
Nosso chefe divisionário, desde sua chegada ao setor, cuidou de melhorar as posições que recebera da 1ª Divisão Blindada. Tratou, desde logo, de aspirar para a zona de combate os três Grupos de Artilharia estacionados na área de Pisa. Em concordância com seus propósitos, o comando de nossa Artilharia Divisionária entrou em linha na jornada de 15 de novembro, estabelecendo seu Quartel General em Castel di Casio.
Nessa ordem de idéias, e como fase inicial para conquista de Castelnuovo, decidiu o chefe dos expedicionários melhorar a situação do flanco direito (leste), estabelecendo preliminarmente uma fixação das posições de Soprasasso, mediante a conquista da cota 670 a Leste da Torre de Nerone, pelo Batalhão do major Abilio (II/6º RI), como uma proteção ao movimento que ia ser lançado pela nossa direita. Coube ao Destacamento coronel Nelson de Melo a missão de avançar as nossas posições do flanco oriental, levando-se até as proximidades de Castelnuovo.
Destarte, na jornada de 16 de novembro, o citado Destacamento cerrou sobre as posições contrárias, conquistou e ocupou as alturas de Boscaccio, Il Sasso e Monte Cavalloro, estabelecendo ligação com a 6ª Divisão Blindada Sul Africana nas imediações de Lissano.
O inimigo reagiu, contra-atacando, na jornada de 17 de novembro de 1944, dois pontos de nossa recente linha, cota 670 e Il Sasso. O comando brasileiro, ante esse recrudescimento da agressividade contrária e à perspectiva de uma ação do 4º Corpo no conjunto Belvedere-Monte Castelo, determinou ao Destacamento coronel Nelson de Mello, em 18 de novembro, a cessação do movimento ofensivo e a consolidação das posições conquistadas dois dias antes. Renitente, o inimigo prosseguiu, a 19 de novembro, as suas ações de sondagem na frente do Destacamemento coronel Nelson de Mello, sendo repelido em Monte Cavalloro e Il Sasso.
Com esforço inaudito, os três batalhões do Regimento Sampaio foram transferidos para Borgo Campanne, onde começaram a chegar desde o dia 19 de novembro. O I/1º RI, sob o comando do major Gondim de Uzeda, alcançou Borgo Campanne na tarde de 21, passando logo à situação de reserva do 4º Corpo do Exército.
O Regimento Sampaio, sob o comando do coronel Caiado de Castro, na zona de combate desde a jornada de 19 de novembro, substituiu, na frente de Marano, o 6º RI, sobremodo gasto, pois estivera em ação ininterrupta desde 15 de setembro.
Eqüivalente artifício no aprestamento de batalhões realizou o coronel Delmiro de Andrade no 11º RI, agravado com a dificuldade de não contar com o auxílio de outro Corpo de Tropa, uma vez que o seu Regimento foi o último a deixar a área de estacionamento. Um de seus Batalhões, o 3º, comandado pelo major Cândido Alves da Silva, tendo saído de Pisa a 27 de novembro, dois dias depois, tomava parte no ataque ao baluarte germânico de Monte Castelo.