Presidentes do Brasil
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     Quantos Presidentes da República o Brasil já teve? Luís Inácio Lula da Silva será o 33º, 36º ou 39º Presidente ? Os jornais já perderam a conta e cada um cita um número diferente, segundo o critério adotado para a contagem. Hélio Fernandes recorre à memória, garante que Lula será o 28º Presidente da República do Brasil e deixa tudo explicadinho, neste artigo, publicado na Tribuna da Imprensa (RJ) de 1º de novembro de 2002.

     Os jornalões não perdem oportunidade de demonstrar incompetência, incoerência, imprudência, inconseqüência, não sabem nem somar. Logo depois da eleição do Lula, tentaram noticiar qual a série ou o número com o qual Lula irá figurar na lista dos presidentes.

     O Globo e a Folha, como porta-vozes de si mesmos, entram a fundo no que o saudoso Ponte Preta chamava de Festival de Besteira que Assola o País. Os dois jornais brigam com os fatos, divergem nas próprias páginas, lutam entre si e não ficam nem perto da realidade, que despropósito.

     Segundo a Folha e O Globo, Lula seria o presidente de número 33, depois 36 e finalmente 39. Ha! Ha! Ha! Sem consultar enciclopédias, velhos livros históricos, ou até mesmo os pomposos e equivocados volumes histórico-biográficos, vou mostrar que Luiz Inacio Lula da Silva será o presidente de número 28.

     Para isso vou escrevendo de memória, lembrando o tempo de cada um, o início e o fim dos mandatos desses 27 que vieram na frente de Lula, e que são:

Deodoro, Floriano, Prudente, Campos Salles, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Epitacio Pessoa, Artur Bernardes, Washington Luiz, Getulio Vargas, Gaspar Dutra, Getulio Vargas, Café Filho, Juscelino, Janio Quadros, João Goulart, Castelo Branco, Costa e Silva, Medici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, FHC e finalmente Luiz Inacio Lula da Silva.

     Se quiserem colocar todos os que ocuparam o governo por qualquer tempo, e com qualquer título, seriam mais de 50. Novamente os jornalões erraram. É evidente que os 15 anos de Vargas têm que ser contados, não foi eleito uma só vez nesse período, mas foi incontestavelmente presidente.

     Também não podemos arbitrariamente retirar os que dominaram o Brasil de 1964 a 1985, só porque se apossaram do País arbitrariamente. Da mesma forma não há como incluir os que ficaram no Poder de passagem, interinamente ou como Junta Militar. Aí, outra vez, o número passaria de 50. Vou relacionar s-u-m-a-r-i-a-m-e-n-t-e os que excluí ou incluí, por ordem de entrada em cena.

Manoel Vitorino

Talentoso representante da Bahia, vice de Prudente. Este teve que se operar, todos diziam que não voltaria. Voltou. Mas antes, Vitorino fez duas coisas tidas como impossíveis.

1 - Trocou todos os Ministros, apesar dos apelos de Bernardino de Campos, o maior amigo dele e de Prudente.

2 - Trocou a sede do governo que era no belíssimo Palácio Itamarati, comprou o Palácio das Águias, popularizado como Catete.

Nilo Peçanha

     O estadista Afonso Pena morreu em 15 de junho de 1909, o fluminense Nilo assumiu por 17 meses. Foi presidente de direito e de fato, torpedeando inclusive a primeira candidatura Rui Barbosa.

Rodrigues Alves

     Eleito em 1º de março de 1918, não tomou posse. Morreu em janeiro de 1919, não pode ser contado.

Delfim Moreira

     Vice de Rodrigues Alves, assumiu nominalmente, sofria das faculdades mentais, não pode ser citado. Em vez dele deveriam contar e citar Afranio de Mello Franco, que "governou" durante 11 meses. Esse período figura na História, como a "regência Mello Franco", mas não conta.

Junta Militar de 1930

     Generais Leite de Castro e Tasso Fragoso. Almirante Isaías de Noronha. Como Getulio Vargas não pôde chegar a tempo no Rio, (Distrito Federal) assumiram por poucos dias. Como toda Junta Militar que se preza, tentaram continuar. Não conseguiram, nem contam.

José Linhares

     Presidente do Supremo em 29 de outubro de 1945, assumiu a presidência até 31 de janeiro de 1946, não conta.

Café Filho

     Assumiu em 24 de agosto de 1954, de madrugada. Governou até 11 de novembro de 1955. Tentou voltar primeiro com Mandado de Segurança, depois com Habeas-Corpus, ambos fulminados pelo Supremo. Tem que ser contado.

Carlos Luz

     Assumiu, 24 horas depois, estava no Tamandaré. Não conta.

Nereu Ramos

     Apesar de ter sido eleito pelo Congresso para ficar de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956, guardando o lugar para o presidente eleito Juscelino, não conta. Na mesma situação ou quase, teríamos que relacionar outros. Foi uma espécie de "Junta" de 1 só.

Castelo Branco

     Jamais participou de nenhum movimento de sua geração, de 1922 a 1964, período tumultuadíssimo. Empossado, prorrogado, fingiu que garantiria eleições, não o fez. Mas tem que ser contado.

Junta Militar de 1969

     Considerado impedido, Costa e Silva, (ainda vivo) foi substituído por militares em mais uma Junta. Brigadeiro Mello, Almirante Rademaker, General Lyra Tavares. Se incluíssemos essa Junta, teríamos que incluir a de 1930. Ficaram quase o mesmo tempo.

Tancredo Neves

     Uma pena, mas não assumiu.

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PS - Se quiserem contar os que assumiram e-f-e-t-i-v-a-m-e-n-t-e, que foram chamados de presidente, usaram o governo, o palácio e o Poder, mesmo precariamente, então falta muita gente. Ranieri Mazzili ficou vezes e vezes. Depois, em número, vem Paes de Andrade. E finalmente na Era FHC, o Ministro Marco Aurelio Mello.

PS 2 - Entre os que não assumiram, mas deveriam, José Maria Alkmin, vice de Castelo. Quando esteve viajava, Alkmin tinha que ir dormir num motel no Paraguai, para não assumir. E Pedro Aleixo, vice de Costa e Silva, que não pôde assumir na vaga de Costa e Silva. Não contam.
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