A
Ação Integralista Brasileira, que tentou, sem sucesso, tomar o poder em 1938, e o Estado
Novo, que nele se instalara um ano antes, eram verso e reverso da mesma medalha.
Nacionalistas extremados, ambos perseguiam os mesmos propósitos dos regimes de direita
que se popularizavam na Europa.
Plínio Salgado era admirador do Primeiro Ministro de Portugal, Antônio de Oliveira
Salazar, mas recebia apoio financeiro da Itália de Mussolini. Por seu lado, o ditador
Getúlio Vargas tinha laços de amizade com Benito Mussolini, mas recebia apoio bélico da
Alemanha de Hitler.
Na
remessa de armas para o Brasil, a Krupp alemã utilizava simultaneamente os portos
alemães, italianos e portugueses. Num mundo que priorizava a luta feroz entre fascismo e
comunismo, tanto a AIB quanto o Estado Novo polarizavam em blocos da direita. Plinio
Salgado por convicção, Getúlio Vargas por conveniência.
Na
outra ponta, à extrema esquerda, reinava absoluta, no mundo, a figura de Joseph Stalin
(seu nome verdadeiro era Iosif Vissarionovich Dzhugashvili; melhor mesmo é ficar só com
o apelido). Em 1922 tornou-se secretário do Partido Comunista. Em 1924, com a morte de
Lenin, assume o comando do Partido e, para garantir-se no poder, foi eliminando um a um,
todos os seus concorrentes: Trotsky foi exilado, Kamenov, Zinoviev, Rykiv e Bukharin foram
executados. Todos os demais que se interpuseram em seu caminho tiveram idêntico destino.
Finalmente, em 7 de maio de 1941, Stalin torna-se o todo poderoso Primeiro Ministro da
União Soviética. Pela violência, pelo medo, e organizando uma rede de delação e
espionagem, conseguiu dominar por completo a União Soviética e seus satélites,
mantendo-se, até a morte, como o chefe incontestável do comunismo internacional.
Ao
centro, num equilíbrio muito precário, achavam-se a Inglaterra, cujo Primeiro Ministro
era Arthur Neville Chamberlain; a França, que tinha como presidente do Conselho Édouard
Daladier; finalmente, os Estados Unidos, cujo presidente era Franklin Delano Roosevelt, um
dos maiores estadistas do mundo moderno. Todavia, num mundo ameaçado pelo radicalismo,
não havia espaço para o liberalismo e não tardou que os três aliados tivessem que
buscar apoio armado em um dos extremos, apresentando-se, então, como única opção, o
poderio da União Soviética.
Esse era o cenário ao final da década de trinta, quando nuvens negras turbavam o
horizonte, preparando o palco onde se desenvolveria a Segunda Guerra Mundial. Não era
apenas o confronto de armas mas, sobretudo o confronto de ideias, em que a democracia
passava por sua prova de fogo, frente ao totalitarismo que se apresentava como a solução
única para os problemas do globo.
A guerra
começou com o acordo de paz
O
pesado fardo colocado sobre a Alemanha, vencida na Primeira Grande Guerra, e a punição
aplicada à nação alemã, com ocupação estrangeira de seu território, a destruição
de sua marinha de guerra e a proibição de manter seu arsenal bélico, a não ser com
armas defensivas, representou uma profunda humilhação à orgulhosa raça germânica.
Nesse sentido, o Tratado de Paz de Versalhes, assinado em 28 de julho de 1919, marcou o
início do caminho que levaria à Segunda Guerra Mundial.
Em
1917, o comunismo, pela primeira vez, se instalara como regime, formando-se a União das
Repúblicas Soviéticas, que passou a comandar e financiar a subversão da ordem no
restante do mundo, provocando o surgimento de regimes militarizados no extremo oposto,
para dar-lhe combate e evitar sua expansão.
Nesse contexto, surge na Alemanha, Adolph Hitler, um austríaco filho de camponeses, que
havia participado como voluntário na Primeira Grande Guerra. Em 1919 filia-se ao Partido
Nacional Socialista (nazi), do qual se torna chefe. Em 1930 ganha a cidadania alemã, é
nomeado chanceler e assume o poder em janeiro de 1933, fechando partidos políticos e
perseguindo sem trégua os opositores do novo regime.
Captando o sentimento do povo alemão, em favor de uma revanche em defesa do amor próprio
ferido, Hitler passa a militarizar o país, restabelecendo o serviço militar obrigatório
e incrementando a produção de armas de guerra. Embora isso contrariasse os termos do
tratado de paz, os aliados ocidentais fizeram por não ver a expansão militarista da
Alemanha, levando em conta que, por sua posição geográfica estratégica, ela serviria
de barreira contra a expansão comunista na Europa.
Essa tolerância, várias vezes repetida, custou caro ao mundo livre. Pressionadas por
Hitler, e em nome da paz, França e Inglaterra convencem a Checoslováquia a entregar à
Alemanha os sudetos na divisa entre os dois países. Sentindo-se fortalecido, o ditador
alemão avança em suas pretensões, invadindo a Boêmia e a Morávia. Não encontrando
reação, toma uma uma ofensiva maior, apossando-se da Checoslováquia inteira, que deixou
de existir como país independente.
Finalmente, em 1º de setembro de 1939, as tropas nazistas invadem a Polônia, dando
início à conflagração mundial, com a reação, já tardia, da Inglaterra e da França.
Pouco depois, o ministro inglês Chamberlain perdia sua sustentação, entregando o
governo a Winston Churchill.
Inglaterra
e França invadidas
Na
preparação para o conflito, Hitler primeiro se une à Itália de Mussolini e, depois,
aos generais do Imperador Hiroito, formando-se um eixo Berlim-Roma-Tóquio, que ficou
conhecido simplesmente como "Eixo". A Itália entra na guerra em 10 de junho de
1940, e o Japão, em 27 de setembro do mesmo ano.
O
avanço do Eixo é surpreendente. Em 19 de janeiro de 1940, Noruega e Dinamarca afirmam-se
neutras; três meses depois, os germânicos invadem os dois países. Em maio inicia-se a
invasão da Holanda, da Bélgica e do Principado de Luxemburgo. Em 14 de junho, as tropas
nazistas invadem Paris, contando com a colaboração de um traidor, o marechal Petain que,
em Vichy, se proclama Chefe da França. Em 8 de agosto, a Inglaterra também é invadida.
A situação dos Aliados começa a ficar desesperadora.
Paralelamente, a Itália avança para o norte da África, invadindo o Egito e a Líbia e
avançando em direção a Dacar, ponto estratégico no litoral Atlântico. Felizmente,
seus exércitos são detidos por forças da Inglaterra e França que, se não os
expulsaram daquele continente, pelo menos conseguiram deter o avanço.
No
Japão, em 18 de outubro de 1941, o ex-ministro da Guerra, general Hideki Tojo assume como
Primeiro Ministro. É um acontecimento importante, pois o Imperador Hiroito era pouco
informado das operações de guerra, sendo iludido por seus militares, que detinham a
grande responsabilidade da ofensiva.
Os Estados
Unidos na guerra
Aparentemente, as três Américas permanecem a salvo da guerra que grassava na Europa,
até que, em 7 de dezembro de 1941, aviões japoneses fazem um ataque de surpresa à base
naval de Pearl Harbour, no arquipélago do Havaí, destruindo toda esquadra americana ali
fundeada.
Para se ter uma idéia da destruição basta dizer que, neste único ataque, os Estados
Unidos perderam mais navios que em toda a Primeira Grande Guerra, sem contar as baixas em
soldados. Registraram-se 2.843 mortos, 1973 feridos, com cerca de 1.000 desaparecidos.
No
dia seguinte, os Estados Unidos declaram guerra ao Japão e, em represália, a Alemanha e
a Itália declaram guerra aos Estados Unidos. Se ainda havia alguma esperança de manter
as Américas na neutralidade, esta foi por terra com o ataque à base americana. Querendo
ou não, o mundo inteiro está agora envolvido e tem de tomar uma posição, ou a favor
dos Aliados, ou a favor do Eixo.
O
grande poderio bélico se encontrava nas mãos dos norte-americanos mas a geografia do
continente americano dava ao Brasil uma posição de destaque na estratégia da defesa do
continente, pois o grande perigo se apresentava na ligação atlântica, entre a África e
as costas brasileiras. Era para cá, pois, que se voltavam as atenções dos Estados
Unidos, procurando atrair o governo do Estado Novo com agrados, mas, ao mesmo tempo, com
pressões diplomáticas, às quais o Presidente vinha resistindo desde o início da
guerra.
Entre a
cruz e a espada
Não era nada fácil a situação brasileira. A sagacidade e experiência de Getúlio
Vargas em muito ajudaram a administrar, desde o início da guerra, o relacionamento duplo
com a Alemanha e com os Estados Unidos, buscando o máximo de lucro, com um mínimo de
prejuízo aos interesses nacionais.
De
um lado, dentro do panamericanismo, rebatizado como "Política da Boa
Vizinhança" tínhamos compromissos de fidelidade com as nações americanas e
particularmente com os Estados Unidos, a maior potência de nosso continente. Vínhamos
sendo fiéis a esse compromisso, trocando informações e opiniões com o embaixador
americano no Brasil, Jefferson Caffery, e com o Secretário de Estado americano Cordel
Hull, ou com o sub-secretário, Summer Hills.
Para nossa sorte, era embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Osvaldo Aranha, experiente,
habilidoso, e prestigiado junto ao presidente Roosevelt, ajudando em muito nesses
contatos.
De
outro lado, havia vários motivos para continuarmos mantendo relações diplomáticas e
comerciais com a Alemanha, não convindo ao Brasil um rompimento com aquela nação.
Primeiro, havia no sul do nosso país uma sólida colônia alemã com cerca de 1.900
escolas particulares, onde a língua utilizada era o alemão. Da Alemanha vinham, também,
os livros e os professores. Em algumas pequenas cidades, os moradores até desconheciam o
português. Secretamente, Hitler considerava essas colônias como sudetos que, no momento
oportuno, pretendia incorporar à Alemanha. O problema era muito delicado e precisava ser
tratado com sensibilidade, exigindo medidas corretas, na proporção exata, e no momento
apropriado.
Segundo, a Alemanha figurava como um parceiro comercial que o Brasil não podia desprezar,
pois as duas economias eram complementares. Tínhamos para exportar os produtos primários
de que a Alemanha necessitava e, em troca, eles nos vendiam produtos acabados em seu
destacado parque industrial e que, a nós, faziam falta.
Por último, o Brasil precisava desesperadamente de armamento para reforçar e atualizar
nossas Forças Armadas e nenhum dos países aliados, preparando-se para a guerra, estava
em condições de nos atender. Já a Alemanha fechou um contrato para fornecimento de
armamento ao Brasil, no valor de três milhões de libras esterlinas, pago em sua
totalidade, cujos embarques vinham se fazendo parceladamente.
Quando o Japão atacou a base naval dos Estados Unidos, em 7 de dezembro de 1941, trazendo
a guerra para nosso continente, este último problema já estava resolvido, não obstante
as dificuldades impostas pela Inglaterra, que estabelecera um bloqueio marítimo,
apreendendo o navio "Siqueira Campos", que transportava a última remessa dessa
encomenda.
O caso com
a Inglaterra
Com o avanço rápido das tropas germânicas sobre a Europa, Inglaterra e França ficaram
em situação difícil, na perspectiva de invasão e dominação estrangeira.
Usando de uma estratégia que já dera certo em outras ocasiões, a Inglaterra estabelece
no Atlântico um bloqueio ao comércio exterior alemão, impedindo o trânsito de
mercadorias destinadas à Alemanha, ou embarcadas de seus portos em direção a outros
países.
O
Brasil já havia recebido um terço do armamento encomendado, retirando-o do porto de
Gênova, na Itália, para despistar a procedência. Todavia, o navio "Almirante
Alexandrino" viveu uma odisseia para fazer seu trajeto até o Brasil.
Como a Inglaterra vinha aumentando o policiamento nessa área, procurou-se fazer o novo
embarque em Lisboa, Portugal. Não deu certo. O navio "Siqueira Campos", pronto
para zarpar, ficou retido no porto, aguardando uma ordem de "livre trânsito",
solicitada à Inglaterra e, como essa autorização não chegasse, partiu assim mesmo,
sendo apreendido pelos ingleses, com o que se criou um incidente internacional de
gravidade, e justo com um país Aliado.
Todo mundo intervêm. O embaixador do Brasil na Inglaterra, Muniz Aragão, o embaixador
inglês no Brasil, Geoffrey Knox, O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Osvaldo
Aranha, e até o general Góis Monteiro, chefe do EMFA, que ameaça com represálias
contra bens ingleses no nosso país.
O
Brasil explicou à Inglaterra que, por razões de segurança, em face da guerra, nos
primeiros embarques, as armas vieram todas incompletas. O "Siqueira Campos"
trazia agora as partes faltantes para que, no Brasil, fosse realizada a montagem. Assim,
sem este embarque, o armamento da remessa anterior estaria todo inutilizado.
Não obtendo resultados, o Brasil apelou para a interferência diplomática americana e,
finalmente, em 15 de dezembro de 1940, sai a licença de "livre trânsito",
permitindo que o "Siqueira Campos" prossiga em paz sua viagem.
O Brasil
no sistema panamericano
No
mais, o Brasil cooperou com o sistema de defesa do continente, desde os primeiros dias da
guerra. Participou das conferências realizadas em Lima, em Havana e, finalmente, no Rio
de Janeiro. Cedeu bases navais em Salvador e Recife para navios americanos. Permitiu a
instalação de bases aéreas, sobretudo em Natal e Recife, e assentiu com a possibilidade
de utilização, para o mesmo fim, da ilha de Fernando de Noronha, meio caminho entre
Natal (Brasil) e Dacar (Senegal), que eram os dois pontos avançados do Atlântico Sul.
Quando a base americana de Pearl Harbour foi atacada pelos japoneses, o Brasil mostrou-se
solidário aos Estados Unidos, acelerando também as providências para defesa do próprio
território e, por conseqüência, do continente sul-americano.
Em
janeiro de 1942, um mês após esse ataque, o arquipélago de Fernando de Noronha foi
declarada Zona Militar, enviando-se para lá um contingente do Exército brasileiro, que
ficou estacionado numa das ilhas por três anos e oito meses. A pena de morte, que se
destinava apenas a crimes políticos, foi estendida também a sabotadores.
No
decorrer da guerra, outras providências foram sendo tomadas, limitando-se a
movimentação de estrangeiros no território nacional e, a mais polêmica de todas, a
obrigatoriedade e uso do idioma nacional nas escolas, causando a maior revolta nas
colônias alemães.
Em
resumo, o Brasil não faltou com suas obrigações junto ao sistema panamericano. O mesmo
não se pode dizer de todos os países sul-americanos, alguns dos quais tiveram
comportamento dúbio em face dos acontecimentos.
A
quinta-coluna no Brasil
Quinta-coluna é um termo surgido durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936, atribuído a
uma suposta frase do general Francisco Franco: "Se minhas quatro Colunas fracassarem,
ainda disponho de uma "Quinta-Coluna" para ganhar a guerra." Referia-se ele
à rede de espiões e sabotadores, infiltrados junto aos guerrilheiros comunistas, para
minar-lhes a ação.
Conquanto todos os estrangeiros residentes no país sofreram limitações, dependendo de
um salvo-conduto para deslocar-se de um a outro ponto do país, o governo pouco teve a
temer, a não ser por ações isoladas de japoneses, italianos e espanhóis, ligados ao
Eixo. O próprio Mussolini lamentou não estar conseguindo montar, entre a colônia
italiana, uma rede eficaz de colaboradores do fascismo. Sobre os italianos, escreve
"O Estado de São Paulo" em 4 de abril de 1942:
"Prendendo todos os indivíduos de comprovada ação nefasta ao nosso país, a
polícia não tem encontrado súditos da Itália entre os espiões totalitários, detendo,
entretanto, vários espanhóis articulados com os enviados das nações agressoras. Essa
observação deve ficar registrada em homenagem à verdade dos fatos e à lealdade dos
elementos italianos radicados em nosso país."
O
mesmo não se pode dizer dos alemães, bastante atuantes e infiltrados até o âmago de
setores importantes do governo. O jornalista David Nasser, em seu livro "Falta
Alguém em Nurenberg" lança um libelo contra o chefe de Polícia, Filinto Müller, homem de confiança do Presidente:
"O chefe de Polícia não fazia esse trabalho de colaboração com o inimigo
desorganizadamente, sem plano certo. Possuía um mentor nazista, ao qual ele prestava
conta de seus atos e de quem ele recebia instruções. Tratava-se de um conselheiro da
Embaixada Alemã. (...) O Filinto não saía de lá. Fazia visitas frequentes e demoradas,
mesmo no tempo em que devia atender aos interesses do Brasil na chefatura de polícia.
Preferia resolver com o tal conselheiro as dificuldades da embaixada de Hitler,
representada nas pessoas de Von Cossel e outros seus amigos. Esses agentes secretos
nazistas já nem eram mais secretos, tal a liberdade de movimento que possuíam nas
dependências da polícia, como se fosse um território alemão. E não era?"
Sobre a presença alemã no Brasil, o observador estrangeiro Ewart Turner, escreve a obra
"German Influence in South Brazil" nesse mesmo ano de 1942, informando que os
imigrantes alemães somavam um milhão de pessoas, em sua quase totalidade simpatizantes
do nazismo. Os mais influentes e atuantes, segundo ele, eram os pastores protestantes, e
cita um caso curioso:
"O pastor de Nova Breslau foi apanhado em atividades subversivas. A polícia ordenou
sua prisão. Ao ouvir isso, o Consulado Alemão de Florianópolis avisou-lhe por telefone
que ele estava contratado como vice-cônsul. Isso lhe propiciou imunidade diplomática,
com a qual passou a desafiar quem o prendesse. Quando o assunto veio a público, os
nazistas mandaram-no de volta à sua paróquia. Desde então, o nome da cidade mudou de
Nova Breslau para Getúlio Vargas."
E
Turner, já citado acima, escreve sobre a ação de agentes alemães no Brasil: "Os
recém desembarcados professores, todos homens, foram descobertos, organizando a juventude
em unidades paramilitares." Eram as AS(Sturmabteilung), ao pé da letra,
"Seção de Assalto", organizações que os nazistas organizavam em países
inimigos para facilitar a tomada do poder.
Esse é o grau de dificuldade que o governo brasileiro enfrentava, em nível interno, para
a defesa nacional, em face da Segunda Guerra Mundial.
Nossos
navios são bombardeados
Desesperançado de obter o apoio do Brasil às potências do Eixo, Hitler começa a tomar
medidas de provocação, mandando afundar navios mercantes brasileiros, numa frequência
que punha em teste a paciência do nosso governo.
Em
15 de fevereiro de 1941 era torpedeado o navio mercante brasileiro "Buarque".
Segue-se uma série de ataques, feitos por submarinos alemães e, seis meses depois, já
tínhamos 22 embarcações atingidas, todas da marinha mercante, vale dizer, sem
condições de envolvimento na guerra. E os ataques continuaram, entrando pelo ano de
1942. Era a velha tática. Contemporizando com intuito de apaziguar, o Brasil estava
aumentando o poder de fogo dos agressores.
Em
22 de agosto de 1942, o Brasil reconhece o Estado de Beligerância com a Alemanha. Neste
ponto, Osvaldo Aranha deixa a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos e, em solidariedade,
Góis Monteiro se demite da chefia do Estado Maior das Forças Armadas. Em 31 de agosto o
Brasil, finalmente, declara Estado de Guerra em todo o território nacional.
Não era momento para ilusões. Ou os problemas, todos eles, eram atacados de frente, com
energia ou determinação, ou chegaríamos a um ponto onde não haveria mais condições
para conter a escalada da subversão dentro do país, e o recrudescimento dos ataques
alemães aos navios de bandeira brasileira.
A
declaração de guerra à Alemanha era apenas um primeiro passo, de todo inútil, se não
fosse acompanhado de medidas efetivas visando reagir às hostilidades do governo
germânico contra o Brasil. Getúlio Vargas, pois, fez ver ao presidente Roosevelt que
tínhamos todo interesse em enviar ao campo de batalha uma força militar para participar,
ao lado do Exército americano, na expulsão do inimigo, dos territórios por ele
invadidos.
A
formação da força expedicionária, a partir desse instante, é a prioridade do governo
brasileiro. Os preparativos seguem acelerados para que, o mais rápido possível, o Brasil
se faça presente na Europa, combatendo as forças do Eixo.