Não assisto normalmente ao programa do Jô,
não porque faça qualquer restrição ao programa, mas porque começa muito tarde da
noite. Mas naquele 11 de setembro deste ano da Graça de 2002 pude assisti-lo em parte
porque estava ansioso por ver o documentário que seria levado ao ar logo após o referido
programa sobre o primeiro aniversário do inominável atentado dos terroristas da gang do
saudista Osama Bin Laden ao World Trade Center, em Nova York, onde milhares de vitimas
inocentes, de nacionalidades várias, inclusive a brasileira, foram tragicamente imoladas.
E como a desgraça nunca vem só, porque
sempre acompanhada, vem servindo o acontecido para a abertura de uma Caixa de Pandora que
vem arranhando existentes princípios democráticos, atentados aos direitos humanos e
tentativas do estabelecimento de perigosa doutrina malsã contrária à soberania das
nações.
No seu programa, Jô Soares estava
entrevistando, em português, um cidadão francês, e a horas tantas perguntou o que ele
achava da frase "Le Brésil nest pas un pays serieux", supostamente
pronunciada pelo general Charles De Gaulle, então presidente da França. Essa frase,
esclareceu o francês, jamais foi dita por De Gaulle...
Em verdade, na época, da boca de um diplomata
brasileiro, em lamentável brincadeira sem graça alguma, saiu essa deplorável frase que
vem sendo propalada até hoje, ás pampas, por brasileiros que cultivam o mau vezo de
falar mal do seu país.
O fato é que há algumas dezenas de anos
atrás, pescadores nordestinos denunciaram às autoridades que avistaram inúmeros navios
pesqueiros franceses invadindo águas territoriais brasileiras onde estavam dizimando
nossas lagostas, em época de reprodução, utilizando métodos de pesca predatória. De
imediato o governo brasileiro enviou um navio de guerra da nossa marinha para, em
operação bem sucedida, expulsar os invasores.
O episódio passou a ser comentado jocosamente
nos meios de comunicação como "A Guerra da Lagosta" que, felizmente, tal e
qual a Batalha de Itararé na Revolução Constitucionalista de 1932, dos paulistas, não
ocorreu e, conseqüentemente, não deixou mortos nem feridos... Mas o assunto não se
esgotou porque na França, em razão da queixa dos lagosteiros, travou-se estéril e
interminável discussão sobre si a lagosta deveria ser considerada, ou não, um bem
patrimonial do Brasil porque não devia ser considerada peixe, mas sim um ser, na verdade
um crustáceo, que caminhava, - e não nadava, - no fundo do mar.
Reza a lenda que De Gaulle não gostou do
desfecho da aventura dos seus pescadores mas nada pode fazer uma vez que as águas
territoriais de todos os paises estão protegidas por leis internacionais. Daí surgiu a
lenda de que ele, desgostoso, teria pronunciado aquela frase que, inexplicavelmente,
circula até hoje como verdade inconteste, na boca de maus brasileiros!