LE BRÉSIL N’EST PAS
UN PAYS SERIEUX...
.


Thomaz de Albuquerque Câmara   
Outubro de 2002  

     Não assisto normalmente ao programa do Jô, não porque faça qualquer restrição ao programa, mas porque começa muito tarde da noite. Mas naquele 11 de setembro deste ano da Graça de 2002 pude assisti-lo em parte porque estava ansioso por ver o documentário que seria levado ao ar logo após o referido programa sobre o primeiro aniversário do inominável atentado dos terroristas da gang do saudista Osama Bin Laden ao World Trade Center, em Nova York, onde milhares de vitimas inocentes, de nacionalidades várias, inclusive a brasileira, foram tragicamente imoladas.

     E como a desgraça nunca vem só, porque sempre acompanhada, vem servindo o acontecido para a abertura de uma Caixa de Pandora que vem arranhando existentes princípios democráticos, atentados aos direitos humanos e tentativas do estabelecimento de perigosa doutrina malsã contrária à soberania das nações.

     No seu programa, Jô Soares estava entrevistando, em português, um cidadão francês, e a horas tantas perguntou o que ele achava da frase "Le Brésil n’est pas un pays serieux", supostamente pronunciada pelo general Charles De Gaulle, então presidente da França. Essa frase, esclareceu o francês, jamais foi dita por De Gaulle...

     Em verdade, na época, da boca de um diplomata brasileiro, em lamentável brincadeira sem graça alguma, saiu essa deplorável frase que vem sendo propalada até hoje, ás pampas, por brasileiros que cultivam o mau vezo de falar mal do seu país.

     O fato é que há algumas dezenas de anos atrás, pescadores nordestinos denunciaram às autoridades que avistaram inúmeros navios pesqueiros franceses invadindo águas territoriais brasileiras onde estavam dizimando nossas lagostas, em época de reprodução, utilizando métodos de pesca predatória. De imediato o governo brasileiro enviou um navio de guerra da nossa marinha para, em operação bem sucedida, expulsar os invasores.

     O episódio passou a ser comentado jocosamente nos meios de comunicação como "A Guerra da Lagosta" que, felizmente, tal e qual a Batalha de Itararé na Revolução Constitucionalista de 1932, dos paulistas, não ocorreu e, conseqüentemente, não deixou mortos nem feridos... Mas o assunto não se esgotou porque na França, em razão da queixa dos lagosteiros, travou-se estéril e interminável discussão sobre si a lagosta deveria ser considerada, ou não, um bem patrimonial do Brasil porque não devia ser considerada peixe, mas sim um ser, na verdade um crustáceo, que caminhava, - e não nadava, - no fundo do mar.

     Reza a lenda que De Gaulle não gostou do desfecho da aventura dos seus pescadores mas nada pode fazer uma vez que as águas territoriais de todos os paises estão protegidas por leis internacionais. Daí surgiu a lenda de que ele, desgostoso, teria pronunciado aquela frase que, inexplicavelmente, circula até hoje como verdade inconteste, na boca de maus brasileiros!

 
 

.
www.pitoresco.com/historia
.