Diante da monumental crise do petróleo, o Presidente pediu ao seu
Ministro Mário Simonsen alternativas. Recebeu duas: a primeira, seria seguir os passos da
maioria das nações do mundo, colocando o Brasil em recessão, com racionamento de
combustíveis, desemprego em massa e outras restrições; a segunda, seria valer-se o
País da poupança externa e, com isso, manter o nível de emprego e de pleno
desenvolvimento.
Examinando o documento do saudoso e sempre lembrado Mário Simonsen, o
Presidente desejou ouvir o Embaixador Roberto Campos, que então representava o Brasil em
Londres. Naquele momento, encontrava-me em Londres e conversava com Roberto Campos sobre
esse episódio. Campos propôs a primeira alternativa, qual seja, a de colocar o País em
recessão, acompanhando as demais nações no desemprego, mas Geisel preferiu a segunda,
graças à qual o País passou por um período de fecundas realizações.
A propósito, é conveniente lembrar que, graças ao dinheiro externo,
temos as nossas siderúrgicas, usinas hidrelétricas, sistema de telefonia, uma forte
indústria de química fina e tantos outros investimentos que viabilizaram as condições
para o nosso grande desenvolvimento. Os investimentos eram imprescindíveis. O progresso
não foi contido. E o fantasma do desemprego foi exorcizado.
Mesmo em relação à energia nuclear, alvo de críticas, algumas das
quais baseadas, unicamente, naquilo que se pode chamar de "alarmismo
apocalíptico", reconhece-se, hoje, o acerto das medidas. O atual Governo retomou as
obras de Angra II, incluiu o projeto de construção de Angra III no planejamento
estratégico da Eletrobrás, criou um Centro de Ciência Nucleares em Pernambuco e assumiu
o compromisso de investir R$20 milhões para fazer uma linha de produção de pó e
pastilhas de urânio em Resende, no Estado do Rio de Janeiro. Resgatou-se o programa
nuclear, certamente, pelas mesmas razões que levaram o Presidente Geisel a criá-lo: a
sua inevitabilidade.
A energia gerada pelas hidroelétricas é insuficiente para o
abastecimento do País a médio prazo, não só pelos altos custos de instalação e
transmissão, como pelo esgotamento inevitável, caso fossem implementadas todas as
geradoras necessárias.
A energia nuclear, aliás, é a solução que vem sendo encontrada
pelas nações desenvolvidas ou em desenvolvimento, que estão em condições de
implementá-la. E o Brasil, felizmente, é o segundo maior detentor de reservas de urânio
do Planeta.
A administração Geisel otimizou a utilização dos recursos
energéticos de origem hidráulica, em pouco tempo conseguindo uma economia de 60% do
combustível. Determinou que a Petrobrás celebrasse contratos de risco com empresas
estrangeiras para a prospecção e exploração do petróleo. Criou a Nuclebrás,
possibilitando o aproveitamento da energia nuclear; concluiu a usina-piloto de
beneficiamento de urânio de Poços de Caldas; iniciou as obras de montagem da primeira
central núcleo-elétrica de Angra dos Reis e iniciou estudos para a construção da
segunda unidade geradora de energia termonuclear também em Angra do Reis.
Procurando vencer uma difícil conjuntura internacional, o Presidente
Geisel estimulou a exportação de minérios, destacando-se os projetos de ferro de
Carajás e o da bauxita de Trombetas. Expandiu e diversificou as exportações, deu
ênfase à empresa privada nacional e à economia de mercado, estimulou a agropecuária
mediante concessões de variados benefícios e crédito a juros baixos.
Foi obra do Governo Geisel a Comissão Nacional de Coordenação da
Política de Crédito Rural, bem como o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados, o
Poloamazônia, o Polonordeste e o Programa de Desenvolvimento do Pantanal.
Assumindo o Governo a 15 de março de 1974, Geisel, um mês e meio
depois - a 2 de maio do mesmo ano -, encaminhou a este Congresso a Mensagem com o projeto
de lei que criou a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco. Entre tantos
outras iniciativas, proporcionou as condições para a fusão dos Estados do Rio de
Janeiro e da Guanabara, cumprindo a Constituição e a legislação complementar. Sob o
estímulo do seu Governo, foi concluída, em São Paulo, em outubro de 1975, a primeira
linha do metrô paulistano.
No então BNDE, criou mecanismos de apoio para o desenvolvimento da
indústria brasileira de bens de capital, para investimento dos setores produtores de bens
e consumo popular, para as empresas exportadoras de manufaturados e para viabilizar o
aumento da produção de alumínio, cobre, zinco, enxofre, cloro, carvão, fertilizantes e
outros insumos básicos.
Estou me referindo, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a alguns
dos feitos creditados à administração do Presidente Ernesto Geisel, os quais, pela sua
diversificação, demonstram um amplo universo da sua preocupante ação em manter o
Brasil no trilho do desenvolvimento.
Aos que o criticaram por haver expandido a nossa dívida externa,
Geisel respondeu á época que pior seria ter deixado o povo brasileiro esmagado sob o
desemprego e mergulhado na miséria. Sobre o mesmo tema, disse-me uma vez um economista:
"Os que fazem tal acusação parecem esquecer que, graças ao dinheiro externo, temos
hoje as condições industriais de uma nação-potência."
Na verdade, é sabido que a balança comercial brasileira começou
apresentar, em 1984, superávites já da ordem de US$12 a US$13 bilhões por ano, graças
aos programas de Insumos Básicos e de Bens de Capital lançados no III PND.