Operação  Condor  reuniu
ditaduras sul-americanas

Fonte: Folha de S. Paulo
14 de dezembro de 2004


     A Operação Condor foi uma iniciativa oficiosa que uniu organismos de repressão do Brasil, do Chile, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e, posteriormente, da Bolívia, todos submetidos a regimes militares.

     Por ela, um argentino seqüestrado no Chile ou um uruguaio seqüestrado no Brasil poderia ser preso, torturado e ilegalmente extraditado a seu país de origem.

     Um dos casos mais notórios foi o do chileno Edgardo Enríquez, líder do MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária), preso em Buenos Aires em 1976 e transportado para o Chile, onde foi torturado e morto.

     A integração também supunha troca de informações e treinamento. Policiais chilenos da Dina, a polícia política, foram treinados pelo Brasil em Manaus.

     A operação surgiu em Montevidéu, em 1975, durante a Conferência dos Exércitos Americanos. A idéia de montá-la foi do general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército argentino que se tornaria em seguida chefe do regime militar de seu país.

     No Brasil, a operação ganhou visibilidade com o seqüestro, em Porto Alegre, do casal de uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Diaz.

     O Brasil não divulgou documentos dos órgãos de segurança que poderiam dar uma idéia do conjunto de ações de terrorismo de Estado na época autorizadas.

     O Chile descobriu a existência da Operação Condor em 1991, quando o presidente civil Patricio Aylwin nomeou a Comissão Retting para apurar a extensão das mortes durante a ditadura.
A coordenação da operação no Chile foi entregue ao general Manuel Contreras, diretor da Dina e braço direito de Augusto Pinochet.

     Contreras, diz o Relatório Retting, depois do encontro das cúpulas militares no Uruguai, propôs uma discussão operacional em Santiago, que ocorreu em 1975, em sigilo, entre os dias 25 de novembro e 1º de dezembro.

     Os documentos sobre a Operação Condor foram investigados pelo juiz espanhol Baltazar Garzón -autor do pedido de extradição de Pinochet quando este se encontrava em Londres- e também pelo juiz argentino Rodolfo Canicoba.

     O juiz chileno Juan Guzmán Tapia entrou no caso em 1998, quando, segundo o jornal "El Mercurio", um grupo de advogados o procurou para sugerir que se apurasse a desaparição no exterior de 19 chilenos.

 
 
 

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