CENÁRIO E PERSONAGENS DE UM GRANDE DRAMA

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Palmares

    Região Serrana  em Pernambuco e Alagoas, sede do mais importante quilombo do período colonial. A partir do final do século XVI e ao longo do século seguinte, torna-se o centro de resistência de milhares de negros e mulatos escravos fugidos de fazendas, povoados e vilas do Nordeste. Além de escapar da escravidão, os negros tentam recriar o mundo africano e recuperar suas raízes sociais, econômicas e culturais.

    O Quilombo de Palmares dura quase 100 anos. As primeiras notícias dos ajuntamentos são do fim dos anos 1590. Em 1694, o Quilombo é destruído. Nesse período de mocambos [aldeamentos de escravos evadidos] povoam uma área montanhosa de 150 km de comprimento e 50 km de largura, próxima ao litoral e coberta de florestas e palmeiras [daí o nome Palmares]. Os mocambos reúnem-se numa espécie de confederação, elegem seus líderes e seu "rei". Em pouco tempo, a população da região alcança um número estimado entre 6 mil e 20 mil pessoas. Cultivam pequenas plantações e passam a ter condições próprias de subsistência. Suas investidas contra propriedades e povoados atemorizam os moradores e fazendeiros da região.

    Na segunda metade do Século XVII as autoridades do governo geral e da capitania de Pernambuco enviam expedições militares contra Palmares. Mas seus resultados são quase nulos, o que leva as autoridades a negociar com os rebeldes.

Ganga Zumba

    Em 1678, o rei Ganga-Zumba vai ao Recife e assina um acordo com o governador Pedro de Almeida. Em troca da liberdade, de terras e da autorização para comerciar com os moradores da região, os quilombolas devem depor as armas e não promover mais fugas. O pacto divide os palmarinos. Zumbi [veja o tópico seguinte] defende a continuação da resistência à escravidão e a libertação de todos os negros. Ganga-Zumba abandona o quilombo e Zumbi se torna o líder de Palmares. Inutilmente o governo tenta negociar com ele um novo tratado. Ganga-Zumba é envenenado por ordem de Zumbi.

Zumbi dos Palmares

   Líder escravo alagoano (1655-1695). Símbolo da resistência negra contra a escravidão, é o último chefe do Quilombo dos Palmares. Criado pelo padre Antônio Melo, aos 10 anos aprende português e latim, e é coroinha. Aos 15, foge para Palmares e adota o nome Zumbi [que significa guerreiro]. Logo se promove ao comando militar do quilombo, governado então por Ganga-Zumba. Em 1678, renega um acordo com as autoridades coloniais e provoca uma guerra civil no quilombo. Manda envenenar Ganga-Zumba e assume seu lugar. Lidera a resistência contra os portugueses, que dura 14 anos. Com a destruição de Palmares, em 1694, foge com outros sobreviventes e esconde-se na mata. É morto numa emboscada, em 20 de novembro de 1695. Seu corpo é mutilado e a cabeça é enviada para Recife, onde é exposta em praça pública.

Domingos Jorge Velho

   Em 1687, o sertanista paulista Domingos Jorge Velho é contratado pelas autoridades coloniais para destruir os quilombos e resgatar os fugidos. Ele ganha dinheiro e terras a cada aldeamento que extermina e também recebe por escravo que consegue aprisionar. O sertanista cerca os redutos quilombolas, que resistem por vários anos, mas são derrotados em fevereiro de 1694. No cerco a  Macaco [a capital do quilombo, localizada no alto da serra da Barriga, em Alagoas], centenas de negros são mortos ou aprisionados. Apesar de ferido, Zumbi escapa e continua a resistência. Traído por Antônio Soares, seu homem de confiança, é encurralado em seu esconderijo e morto no dia 20 de novembro de 1695. Sua cabeça é decepada, enviada a Recife e exposta em praça pública.

Fonte: Almanaque Abril.  


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