AS REGÊNCIAS, A MAIORIDADE
E AS ÚLTIMAS REVOLTAS

    A abdicação não era esperada pelos partidos e foi um acontecimento que encheu de apreensões os patriotas mais ilustres. No entanto, os sucessos que se seguiram de imediato, mostram como, naquele momento difícil da vida nacional não faltaram homens que, acima lutas das facções, sentiam sempre o interesse supremo da ordem política. Os exaltados, porém, aproveitaram-se daquele pasmo em que ficara a população ante a anormalidade dos fatos e foram agitando o espírito popular com a propaganda de idéias subversivas. Teriam lançado o país, e principalmente a capital do Império, em completa anarquia, se um grupo de senadores e deputados não tivesse assumido a direção da política nacional em tão grave conjuntura.

    Reunidos no paço do Senado, aqueles representantes da nação, em número de sessenta e dois (26 senadores e 36 deputados) resolveram, naquela manhã de 7 de abril de 1931, nomear uma Regência Trina provisória, que governasse o país, em nome do Imperador, ainda menor [D. Pedro de Alcântara, filho de Pedro 1º, tinha apenas 6 anos de idade]. Essa primeira Regência foi composta do marquês de Caravelas, do general Francisco de Lima e Silva e de Campos  Vergueiro. Esse governo desenvolveu intensos esforços, prestando grandes serviços à nação, naquela dolorosa emergência. Logo no dia seguinte, formou-se o Ministério, sendo chamados de volta todos os ministros que D. Pedro havia demitido. A Regência publicou um manifesto ao país, explicando os acontecimentos e aconselhando prudência, espírito de ordem e união de todos os brasileiros.

    O estado de exaltação não se circunscrevia ao centro onde se desdobravam os sucessos extraordinários a que nos  vamos referindo. Por todo o país, reinavam dissensões, estimuladas pela demagogia. No Pará, no Maranhão, na Bahia, no Ceará, em Pernambuco, em Minas Gerais, repetiam-se distúrbios, principalmente conflitos entre brasileiros e portugueses. Sobretudo na Bahia e em Pernambuco, cometiam-se atentados da maior gravidade, sem que o governo pudesse reprimi-los. Naquela terrível contingência, cuidou-se, antes de tudo, de normalizar a situação política, elegendo-se a Regência Trina efetiva, o que ocorreu em 17 de junho de 1931, a qual se compôs do general Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho (Marquês de Monte Alegre) e João Bráulio Muniz.

    Empossada a Regência efetiva, continuaram os mesmos tumultos e as mesmas desordens, tanto na corte como nas províncias, e as dificuldades pareciam aumentar de dia para dia. Os descontentamentos do povo e a insubordinação das tropas eram os maiores tropeços em toda a parte, principalmente na capital do Império. Pode-se dizer, naquele doloroso período da vida política, o mais acidentado de nossa História [isto foi escrito em 1915] a cidade do Rio de Janeiro vivia num estado de permanente desordem. Três partidos principais, além dos republicanos, exploravam a situação, produzindo dissídios intermináveis. Eram os moderados, os liberais intransigentes e os restauradores, também chamados de caramurus. A Regência teve, pois, de assumir uma atitude digna daquele perigoso transe.

    A par com as lutas entre os partidos, havia também sedições militares nas províncias mais importantes e também na corte, sendo de admirar como pôde o governo resistir a elas. Na restauração da ordem legal no Rio de Janeiro, destaca-se, então, o vigor e sabedoria do ministro da Justiça, padre Diogo Antônio Feijó, que teve oportunidade de revelar suas grandes qualidades de homem público. De toda a guarnição da capital, só o batalhão de artilharia da Marinha havia se conservado na ordem. As outras corporações militares já haviam sido dissolvidas quando, surpreendentemente, até esse batalhão já referido se revolta, na ilha das Cobras. Feijó, imperturbável e seguro, reprime o levante e castiga os sediciosos. Foi, em seguida, criada a Guarda Nacional, para apoiar o governo contra o espírito indisciplinado e turbulento das tropas regulares

Regente Feijó - A guerra dos Farrapos

   A Regência Trina efetiva fizera uma obra de alta relevância, entregando a direção da política nacional aos moderados, pois estes senhores eram maioria em todo o país. Em 24 de setembro de 1834 falecera o ex-imperador D. Pedro 1º e, por conseqüência, os restauradores, não tendo mais como pedir a volta do seu rei, passaram a apoiar a ala moderada, de cujas idéias mais se aproximavam, e cuja fortaleza evitava o crescimento dos exaltados. Com muita habilidade, o governo regencial foi neutralizando as maquinações dos exaltados, ao passo que procurava vencer a resistência do Senado às reformas constitucionais iniciadas na Câmara. O Ato Adicional aparecia, ao cabo de longa e porfiada campanha, como a grande obra da Regência, exprimindo o definitivo triunfo dos moderados.

    De acordo com a reforma constitucional decretada, em 7 de abril de 1835, o padre Diogo Antônio Feijó foi eleito Regente do Império [Regência Una], assumindo o governo em 12 de outubro. Logo de início, o padre Feijó tinha de enfrentar uma situação, talvez menos complicada, mas bastante embaraçosa, que era a luta entre as facções, seja na Câmara, seja na imprensa, a qual continuava forte como nos anos que se seguiram à renúncia do primeiro Imperador, e que geravam discórdias em todas as províncias. No Pará, os motins que ensangüentavam a província desde 1832, reclamam agora providências inadiáveis e decisivas. Felizmente, o brigadeiro Andréa, investido ali com autoridade superior, conseguiu restabelecer a ordem, operando em conjunto com as forças navais do comandante Mariath.

    Para tornar ainda mais difícil a situação do Regente, no meio da balbúrdia reinante, rebenta no Rio Grande do Sul, em setembro de 1835, uma revolução de caráter francamente republicano. O movimento começa em Porto Alegre, tendo à frente Bento Gonçalves da Silva [apoiado por Bento Manuel Ribeiro e João Manuel de Lima e Silva], que põe em fuga o presidente da Província e o comandante das armas. Em poucos dias, os revolucionários ficaram senhores de toda a província, tratando de organizar governo e administração. Inicialmente, nem o padre Feijó fez idéia das proporções do levante, supondo tratar-se de simples conflito entre os partidos e, por isso, limitou-se a nomear novo presidente, em substituição ao que havia sido deposto.

    O novo presidente, dr. Araújo Ribeiro, partiu para o sul e estabeleceu o governo na cidade de Rio Grande [no extremo sul do Estado], um dos únicos pontos que ainda se achava sob a autoridade legal. Dali, Araújo Ribeiro procurou chamar a si alguns chefes da insurreição, contando então com o coronel Bento Manuel Ribeiro e outros líderes que o auxiliaram. Havendo reunido bons elementos, e amparado por uma esquadrilha, sob o comando de Greenfell, apodera-se de Porto Alegre, obrigando os revolucionários a se fixarem em Viamão, vizinha à capital, de onde recuaram ainda mais, até serem atacados e vencidos na ilha do Fanfa pelo coronel Bento Ribeiro, em outubro de 1836. Nessa ocasião, cai prisioneiro, além de outros caudilhos, o próprio chefe revolucionário, Bento Gonçalves.

    Os insurgentes, todavia, não se deixaram abalar com o desastre sofrido. Privados do seu general (pois Bento Gonçalves e os demais prisioneiros foram enviados ao Rio de Janeiro), os demais caudilhos se reuniram em congresso na vila de Piratini [a 200 quilômetros de Porto Alegre] e, numa atitude mais radical, decidiram romper todos os laços de união com o Império, proclamando a República [República de Piratini]. Para a magistratura suprema do novo Estado, elegeram o próprio general Bento Gonçalves e, na sua forçada ausência, deram posse a José Gomes de Vasconcelos Jardim. Do outro lado, estimuladas pelas primeiras vitórias, as armas imperiais foram reduzindo a rebelião a proporções mínimas e, após o desbarato de uma forte coluna do coronel Netto, junto ao Candiota, a impressão era que, muito breve, o movimento estaria desfeito.

    Todavia, uma nova circunstância, com a qual não contavam os insurgentes, vem muidar de súbito a sorte das armas no tremendo conflito do extremo sul. Não se sabe por quais motivos - talvez para conter o aumento de prestígio do presidente da província - o governo da Regência achou acertado dar ilimitados poderes a um general de sua plena confiança, o qual ficou incumbido de submeter os últimos focos rebeldes, que agitavam com guerrilhas diversos pontos da província. O general Antero de Brito, que foi o escolhido, começou de forma desastrada, rompendo com o presidente da Província e fazendo uma forte política de reação a este. Então, Araújo Ribeiro, cheio de desgosto, mas sempre sensato e patriota, retirou-se da Província para não entrar em luta com seu imprudente sucessor.

    Com sua imprudência e desorientação, o general Antero entrou em atrito com outros chefes legalistas, até bater com Bento Ribeiro, a cujo valor e prestígio as forças do governo tinham conseguido até aqui obter uma sucessão de vitórias contra os insurretos. Deu-se mal o general, pois, com este caudilho, a colisão foi mais grave. Bento Ribeiro aceita desafrontadamente a luta com o representante da autoridade imperial, após renunciar ao seu cargo de Comandante de Armas. Em sua singular desfortuna, o general Antero cai, a seguir, prisioneiro de seu adversário em Tapevi. Com isso, a legalidade estava, uma vez mais, posta em risco.

    Neste ponto, Bento Ribeiro não podia mais conter seu despeito contra o Governo Imperial e ofereceu seus serviços, outra vez, aos revolucionários, alterando o equilíbrio de forças a favor destes. Para incitar ainda mais a coragem dos republicanos, eis que voltam ao Rio Grande do Sul os chefes que haviam sido aprisionados na ilha do Fanfa, que fugiram da fortaleza de Santa Cruz. Pouco depois, volta igualmente Bento Gonçalves, que conseguira escapar do Forte do Mar, na Bahia [conta-se, a respeito, que Bento Gonçalves pedira a seu carcereiro que o deixasse dar umas "braçadas" no mar, porém, sendo bom nadador e de porte físico, nadou para mar alto, onde o esperava uma embarcação]. A chegada do herói gaúcho ao acampamento dos patriotas riograndenses produziu delírio geral. A revolução achava-se, pois, mais forte do que nunca.

    Desorientado, o governo da Regência nomeou outro presidente no lugar do general Antero, recaindo a escolha sobre o dr. Feliciano Nunes Pires, que logo se viu em crescentes complicações. Na Regência do Império, o padre Feijó foi substituído por Pedro de Araújo Lima. Investido do governo, o novo Regente achou indispensável tomar providências enérgicas contra a revolução que, cada vez mais, ameaçava a integridade do Império, com tendência a alastrar-se. Nunes Pires, recém nomeado, já foi substituído por um militar de prestígio e de qualidades valiosas para aquela conjuntura, o marechal Antônio Elisiário de Miranda Brito, que, no início da querela, já havia sido nomeado mas não chegou a assumir. Apesar de sua notória capacidade, o general Elisiário não conseguiu impedir os progressos assustadores da revolução, que ganhava força própria.

    As forças legais continuaram sendo batidas e os republicanos, em sua ofensiva, vão tomando os pontos que ainda se achavam sob a ordem constitucional. A praça de Rio Pardo, à margem do rio Jacuí, tida entre as  mais importantes por sua posição estratégica e pelos recursos que o governo ali havia acumulado, foi o alvo principal dos revolucionários. Achava-se, aquela vila, poderosamente guarnecida pelos legalistas mas, no dia 30 de abril de 1838, uma enérgica ação combinada de diversos caudilhos destroçava-os completamente, caindo a praça em poder dos republicanos, com enormes provisões de boca e de guerra. Em princípios do ano seguinte, era o próprio marechal Elisiário forçado a operar uma retirada que foi uma verdadeira derrota, enquanto os insurretos se apoderavam de dois navios da esquadrilha imperial, no passo do Contrato. Assim, ainda em 1839 [cinco anos depois], a revolução achava-se em pleno vigor.

Pacificação no sul

   A Regência mostrou-se apreensiva e, por que não dizer, alarmada com os triunfos que a insurreição alcançava, a despeito dos esforços empregados pelos patriotas fiéis às instituições. O marechal Elisiário já não podia continuar na presidência da Província. Na imprensa e no parlamento, clamava-se contra a insuficiência das medidas que eram tomadas no sentido de pôr termo àquela sangrenta campanha fratricida. Então, foi nomeado para a presidência do Rio Grande do Sul, em substituição ao marechal, o Dr. Saturnino de Sousa e Oliveira, entregando-se o comando das armas ao general Manuel Jorge Rodrigues, ficando o vice-almirante Greenfell no comando da esquadrilha legal.

    Mas os republicanos cuidavam ativamente, não só de consolidar a sua vitória na província do Rio Grande, como de estender a insurreição para as províncias vizinhas. Davi Canabarro e outros caudilhos invadem a província de Santa Catarina, em 23 de julho de 1839, indo até Laguna, no litoral catarinense, onde estabelecem governo provisório [República Juliana]. É aí que a revolução ganha reforço com os cavaleiros do legendário José Garibaldi, cujo valor devia, mais tarde, torná-lo famoso também na Europa, na obra de unificação de sua pátria, a Itália. O glorioso aventureiro foi encarregado de defender a praça de Laguna, e de propagar o movimento mais para o norte. A notícia da invasão de Santa Catarina produziu na corte uma impressão imensa, agravada ainda pelo entusiasmo com que os republicanos festejavam as vitórias da revolução.

    Em tão aflitiva conjuntura, o governo regencial, por fim, tomou uma atitude acertada, enviando para o sul, como presidente e comandante de armas de Santa Catarina, o marechal Soares Andréa, o mesmo que, dois anos antes, havia pacificado o Pará. O novo comandante chegou a Desterro [hoje Florianópolis] em agosto de 1839, combinando com Mariath o ataque a Laguna. [a Batalha da Laguna foi travada em 15 de novembro de 1839 e, apesar da bravura dos homens de Davi Canabarro e Giusepe Garibaldi, os insurretos foram derrotados e desalojados]. Reconquistada esta praça, não tardou que os guerrilheiros republicanos fossem expulsos de toda a província. Logo que restaurou a legalidade nesse pedaço, o marechal Andréa tratou de cooperar com o general Rodrigues, enviando-lhe, por mar, alguns reforços. Seguiu-se a vitória de Taquari, que reanimou o exército imperial. Infelizmente, sobrevêm divergências entre o general Rodrigues e o dr. Saturnino de Oliveira, presidente da província. Para resolver a situação, o governo substituiu os dois, entregando ambos os cargos para o marechal Andréa.

    Em 1840, foi antecipada a maioridade do rei e, aos 14 anos de idade, assume D. Pedro 2º. Seu primeiro gabinete tomou empenho em extinguir decisivamente o espírito de desordem dominante em todo aquele período que se seguiu à Proclamação Independência. O deputado paulista Francisco Álvares Machado, incumbido de ir ao sul tentar a pacificação por meios suasórios, reconhece que o conflito só se poderia resolver pelas armas e o governo, de novo, nomeou o Dr. Saturnino de Oliveira presidente da província rebelada, colocando o conde de Rio Pardo como comandante das armas. Decorridos longos meses de contínuos combates, sem vantagens para nenhuma das partes, em 24 de setembro de 1842, finalmente, se tomou uma decisão de maior acerto, investindo de amplos poderes, políticos e militares, no Rio Grande do Sul, Luís Alves de Lima e Silva, então com o título de barão de Caxias.

    Com a chegada de Caxias a Porto Alegre, coincidira a volta, ainda uma vez, do caudilho Bento Ribeiro ao partido da legalidade [lembre-se que ele iniciou revolucionário, passou a legalista, voltou à revolução e, agora, uma vez mais, retorna ao apoio das forças legais]. A revolução começa, então, a declinar. Além dos prejuízos de várias refregas, as derrotas de Ponche Verde, de Piratini e de Canguçu, em 1843, produziram o completo esmorecimento dos republicanos. Ao mesmo tempo que agia sem descanso contra os rebeldes, o barão de Caxias, com prudência e tino político, procurava acalmar os ânimos e inspirar confiança nas instituições juradas. Sem condições de luta, os revolucionários pediram a paz, e o governo do jovem monarca foi ao encontro de seus desejos com a anistia geral que havia sido decretada.

    No dia 28 de fevereiro de 1845 [mais de dez anos depois], o general Canabarro publicava uma proclamação, dando ordem a todos os insurretos para que depusessem as armas, reconhecendo o governo do Império. E no dia seguinte, o barão de Caxias publicava outra ordem, assegurando aos submissos todos os direitos constitucionais, aconselhando à família riograndense que buscasse o caminho da concórdia. [Leia mais sobre a Revolução Farroupilha].

Regência de Araújo Lima

   Durante o período de agitações subsequente à Independência, de cujos fatos nos vamos ocupando, não eram só os motins contínuos e as revoluções mais ou menos graves que assoberbavam aos patriotas daquela época. Na esfera da política e da administração, os embaraços se multiplicavam e avultavam, perturbando a ação dos governos, tornando-os instáveis ou vacilantes e retardando, portanto, a obra de consolidação da autoridade e de assentamento das instituições - a grande tarefa daquela gloriosa geração. Contra a política do Regente Feijó, em todas as províncias, conseguiu-se integrar elementos formidáveis em um único partido, mas lutas tremendas, tanto nas duas casas do parlamento como na imprensa, não davam ao governo a calma necessária para exercer a sua missão.

    A guerra civil no Rio Grande do Sul agravou extraordinariamente a situação: as hostes oposicionistas, a cuja frente se viam nomes de prestígio, como Bernardo Pereira de Vasconcelos, Joaquim José Rodrigues Torres (mais tarde, visconde de Itaboraí), Pedro de Araújo Lima (mais tarde, marquês de Olinda), Honório Hermeto Carneiro de Leão (marquês do Paraná), Miguel Calmon (marquês de Abrantes) e outros, deram, ao governo do regente, combates cada vez mais violentos e tenazes, até que o padre Feijó se viu obrigado a renunciar, nomeando Araújo Lima como ministro do Império e passando a este o governo, em 19 de setembro de 1837. De novo, estava no poder o partido conservador, cujo princípio capital era reagir contra os excessos do partido democrático.

    Contra o novo governo [de Araújo Lima], desencadeia-se a fúria dos liberais, capitaneados pelos Andradas e outros. Combates violentos aconteceram tanto no Congresso como nos jornais e nenhum momento de sossego se dava aos homens que estavam na administração do país. Nem dá para compreender bem, no meio de tantos reveses, como é que ainda se pôde salvar a obra da Independência, pois, além das complicações da alta política na capital do Império, a guerra no sul incendiava os ânimos e todo tempo e atenção da regência tinham de ser dedicados na tarefa de reprimir o espírito de indisciplina e de revolta que lavrava por toda a parte. Na Bahia, a tropa e a facção liberal exaltada levantam-se contra o presidente da Província, Sousa Paraíso, sendo, então, proclamada a República Baiense, em novembro de 1837, episódio histórico que ficou melhor conhecido com sabinada [durando de novembro de 1837 a março de 1838, a revolta foi chefiada por Francisco Sabino da Rocha Vieira, pretendendo transformar a Bahia em república independente, enquanto durasse a menoridade de D.Pedro. Derrotado, Sabino foi deportado para Goiás e depois para Mato Grosso, onde ficou até a morte]. Felizmente, a sabinada se limita a Salvador e, embora o movimento tenha durado poucos meses, muitas vidas foram sacrificadas.

    Mal se acabava de dominar o levante da Bahia e já se complicaram os negócios no Maranhão. As divergências entre as duas facções acabou gerando conflito armado, em novembro de 1838 e muitas povoações do interior cairam nas garras de bandos desalmados que, durante dois anos, deixaram alarmados o Maranhão e as províncias vizinhas. Foi o general Luiz Alves de Lima e Silva [Caxias] que, em janeiro de 1841, conseguiu bater os revoltosos e promover a pacificação.

    A 22 de abril de 1838, tinha já sido eleito Regente efetivo o dr. Pedro de Araújo Lima, a cujo tino e patriotismo, pode-se dizer que o Brasil deve, em grande parte, a sua unidade política, ressalvada daquelas vicissitudes e tormentas. Os serviços que ele prestou à pátria foram de alta relevância. Mesmo no meio dos estorvos que se multiplicavam em torno do governo, Araújo Lima não descuidou dos reclamos de nossa civilização, encaminhando o espírito nacional, prudentemente, em direção ao futuro, estimulando as forças nascentes da jovem nação.

A maioridade

   Formidável oposição organizaram, pois, os liberais, contra o governo de Araújo Lima. Os ministros se sucediam um ao outro e embaraços cada vez mais temerosos se acumulavam, assoberbando a ação dos homens que se punham ao lado da Regência. Reiterados e incessantes ataques tinham eles de rebater na imprensa e no parlamento. O liberalismo da oposição tornava-se radical, e até exagerado e intolerante, à medida em que a prudência e discrição do governo lhes iam frustrando os planos forjados contra a sua força e independência. Por fim, a atitude da oposição tornava-se facciosa e tremenda, resultando num verdadeiro desencadear de paixões, em vez de conflito legítimo de idéias e sentimentos. Era, talvez, o instante decisivo daquela penosa crise.

    Com a entrada de Antônio Carlos - o impetuoso e desafrontado tribuno - o recinto da Câmara converteu-se em arena de disputas tempestuosas e quase permanentes. O grande empenho dos liberais era derribar os adversários, para impedir que se fortalecessem no poder e viessem a dominar a opinião nacional. A oposição, vendo os seus golpes aparados valorosamente pelo Ministério, recorreu a um expediente que tornou a situação mais aguda, levantando a idéia de antecipar, por um decreto, ou mesmo por revolução, a maioridade do imperador. Deste modo, era como se os liberais estivessem se aliando ao monarca infante, obtendo com essa ilusão uma grande soma de prestígio aos olhos do povo. Chegaram até a manter entendimentos com o soberano menor, para conquistar seu consentimento às manobras planejadas.

    No Senado, o projeto de maioridade caia por uma diferença de dois votos mas, na Câmara, ao cabo de longos debates, os Andradas conseguiram fazê-lo triunfar. Numa situação tão especial, na previsão de um desastre iminente, a Regência não recuou do seu posto e decretou o adiamento da Assembléia Geral para 20 de novembro. Era temerária, sem dúvida, aquela coragem do governo, batido em tormentas! A surpresa e indignação dos oposicionistas não tiveram limites. Em nome do próprio imperador, acusaram a Regência de rasgar a Constituição do Império e, reunidos tumultuariamente no edifício do Senado, enviaram ao paço uma comissão das duas Câmaras, encarregada de pedir a D. Pedro, em nome do povo brasileiro que, para salvar o país da anarquia, assumisse imediatamente o exercício da magistratura suprema, sem esperar pela época marcada pela Constituição.

    O Regente, avaliando todos os perigos daquela emergência, consultou formalmente os sentimentos do jovem monarca, de quem recebem as históricas palavras: "Quero já" - o que confirmava o acordo em que se achava ele com os liberais. Neste ponto, a Regência julgou que já tinha cumprido sua missão e que era tempo de entregar a alta responsabilidade da política nacional àqueles que a reclamavam. No mesmo dia 22, foram convocadas as Câmaras. No dia seguinte, 23 de julho de 1940, era solenemente proclamada pelo presidente da Assembléia Geral, a maioridade do Sr. D. Pedro 2º, Imperador do Brasil. Nesse mesmo dia, algumas horas depois da proclamação, prestava Sua Majestade, perante as câmaras, o juramento constitucional.

    Não foi muito auspiciosa a ascensão do jovem príncipe ao trono, em momento tão crítico e tão explorado pelas facções. Enquanto os homens do liberalismo se mostravam triunfantes, retraiam-se os elementos que se haviam dedicado a consolidar a ordem pública. Isso não impediu que, de um ou outro lado, se destacassem os que obedeciam a um partidarismo mais radical e tenaz e, impacientes uns, desgostosos  e desiludidos outros, esses elementos foram se multiplicando. Não demorou que as fronteiras dos dois partidos [liberais e conservadores] se confundissem, e que não mais se reconhecessem as respectivas bandeiras. Em breve, em sua grande maioria, a opinião nacional se reduz a duas hostes que se combatem: uma governa, a outra quer governar. Só muito depois é que se delimitaram em verdadeiros partidos, sem, entretanto, perder os vícios de origem.

Revoltas em São Paulo e Minas

    Os homens que se aproximaram do jovem monarca fizeram grandes esforços no sentido de instalar uma nova era de paz com o reinado que se iniciava, mas as paixões geradas durante as lutas da Regência tinham-se tornado muito violentas, e continuavam a dificultar todas as tentativas de conciliação geral. O primeiro ministério organizado por D. Pedro 2º, a 24 de julho de 1840, e que ficou conhecido por Ministério da maioridade, teve existência efêmera. No próprio seio do gabinete, manifestaram-se dissensões entre os Andradas e alguns colegas, terminando com o predomínio do altivo e imperioso ministro Aureliano Coutinho. Formou-se, em seguida, o Ministério de 23 de março de 1841, no qual se procurou, ainda, reunir elementos de concórdia.

    As dissensões que reinavam na corte refletiam-se nas províncias, em algumas das quais tais desentendimentos partiram para o conflito armado, principalmente em São Paulo e em Minas Gerais. Sob o pretexto de impedir a execução de algumas leis votadas em 1841, alguns chefes paulistas assumiram atitude de arrogância desusada ante o governo imperial. A Assembléia Legislativa de São Paulo não trepidou em mandar uma comissão de seu seio à corte, para representar perante Sua Majestade, o Imperador, contra os últimos atos da Assembléia Geral. O Ministério, por sua parte, mostrou-se enérgico e firme, e declarou que a comissão não podia ser recebida pelo soberano. Pode-se imaginar o efeito que semelhante decepção teve sobre os ânimos da altiva província.

    Ao mesmo tempo, aproximava-se a época da abertura da Assembléia Geral, e tempestades tão grandes se prenunciavam que o governo foi ao extremo de decretar a dissolução da Câmara de Deputados, antes de sua instalação. Esta medida excitou ainda mais o espírito público em todo o país, sobretudo nas duas províncias indicadas [São Paulo e Minas], onde era mais ativo o fermento da discórdia. Poucos dias depois de conhecido o decreto da dissolução, rebentava em Sorocaba um movimento revolucionário, a cuja frente se pusera o coronel Rafael Tobias de Aguiar, homem de grande prestígio em toda a província. O governo imperial tomou prontas medidas, fazendo partir para São Paulo, por terra e mar, as forças que havia disponíveis. Em 21 de maio de 1940, chegava a São Paulo, pelo porto de Santos, o general Lima e Silva (já Barão de Caxias), incumbido de reprimir a rebelião. A 7 de junho, os rebeldes eram batidos no primeiro encontro. No dia 20 de junho, as forças legais ocupavam Sorocaba. No dia 24 de junho, o major Morais Rego derrotava as forças de Anacleto Ferreira. Este valente caudilho, apesar de estar quase abandonado, tentou ainda resistir por alguns dias, valendo-se do recurso de emboscadas e guerrilhas, até que, em 12 de julho foi completamente destroçado pelo coronel Manuel Antônio da Silva. De sorte que, em menos de dois meses, o barão de Caxias tinha conseguido pacificar a província.

    Os revolucionários paulistas ainda se achavam em armas quando, na província de Minas, rompeu um protesto armado contra o decreto de dissolução das Câmaras. Os revolucionários mineiros, que logo ficaram senhores de Barbacena, trataram de apoderar-se da capital da província. mas o Barão de Caxias, que partira contra eles, chegou em tempo de ocupar e defender Ouro Preto [que era, na época, a capital de Minas]. Havendo reunido forças respeitáveis, os rebeldes ofereceram combate aos legalistas. No arraial de Santa Luzia, travou-se a luta, violenta e disputada, ficando esse lugar famoso, por terem ali sido batidos os revolucionários. Entre os chefes mais notáveis desses movimentos estavam: no de São Paulo, o padre Diogo Feijó; no de Minas, Teófilo Otoni, grande espírito liberal, que se tornou figura legendária naquela terra.

A Revolução Praieira em Pernambuco

    Prestigiado com a pronta repressão dos movimentos de São Paulo e de Minas, o governo imperial voltou a sua solicitude para o Rio Grande do Sul, onde indômitos gaúchos ainda continuavam em armas [era a Guerra dos Farrapos, já descrita minuciosamente em tópico anterior]. O barão de Caxias, que já havia pacificado três províncias, era o homem para cujo valor e patriotismo se volviam os olhares e a confiança do governo. O benemérito soldado seguiu, pois, para o sul e, como já vimos, em 1845, conseguiu restaurar a autoridade imperial naquela província. Não obstante, aqueles primeiros tempos do segundo reinado, tinham de correr penoso caminho. Junto às complicações internas, havia embaraços de toda a ordem, pondo à prova, continuamente, o tino e a energia dos homens que dirigiam a política nacional.

    Enquanto a nossa diplomacia se encontrava com a impostura de alguns, e com a má vontade e pretensão de outros, principalmente com as discórdias reinantes na política do Prata - as paixões e partidos nas diversas províncias não deixavam descanso ao governo para normalizar os negócios da administração. Ainda não estavam bem esquecidos os sucessos de São Paulo, de Minas e do Rio Grande do Sul e já, no norte do país, foram se acumulando dificuldades criadas por interesses de grupos. Em Pernambuco, por questões de natureza local, os ânimos foram se exacerbando, desde os tempos da regência. Por último, as demissões em massa, feitas por um presidente de Província conservador, deram lugar a um protesto coletivo da representação liberal na Câmara, em 1848. O manifesto desses deputados insuflou ainda mais os ânimos, e a reação entrou no terreno da luta armada.

    Havendo tomado vulto em diversas povoações do interior, em fevereiro de 1849, o movimento, contrário à ordem legal, estendeu-se logo à capital da Província, ameaçando-a seriamente. O governo, entretanto, portou-se ali com muita energia, e a resistência que ofereceu, com a derrota estrondosa infligida aos rebeldes, deu golpe de morte na Revolução Praieira, como ficou conhecida na história. No ataque do Recife, entre outros chefes, pereceu o desembargador Nunes Machado. Parecia que o Brasil entrava, agora, num período de paz, quando no sul, além fronteiras, os interesses do império são ameaçados pela situação excepcional em que se achavam, desde muito, as repúblicas platinas, dando lugar a apreensões muito sérias contra emergências futuras que viessem a comprometer a própria integridade e o sossego da pátria.

. [Adendo: falta, nesta narrativa um movimento revolucionário também importante, ocorrido entre 1838 e 1841, que ficou sendo conhecido como a Balaiada. Havendo se iniciado no Maranhão, a rebelião alastrou-se pelo Ceará e Piauí. Revolta de caráter popular, seus chefes principais foram o vaqueiro Raimundo Gomes Vieira Jutaí, o Cara Preta, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio e o Preto Cosme, escravo. O movimento, que contou com apoio maciço de pobres e humildes, tinha um caráter nitidamente racial, voltando-se contra brancos escravagistas, portugueses e seus descendentes. Com a morte dos chefes, houve um enfraquecimento da rebelião que foi vencida pelas tropas legalistas, comandadas por Caxias. O grande vencedor, na verdade, foi o próprio Caxias, que recebeu o título de Barão e ainda foi promovido ao generalato.

Guerras cisplatinas

     Desde os tempos da Independência, reinavam certas prevenções e animosidades entre a República Argentina, o Estado Oriental e o Paraguai. Havendo firmado seu domínio absoluto no interior de seu país, o ditador de Buenos Aires, Manuel Rosas, pretendeu lançar-se a aventuras no exterior, ameaçando a independência das duas outras repúblicas, antigas províncias do vice-reinado do Prata. As vistas de Rosas voltaram-se primeiro sobre o Uruguai, e um exército, que se põe sob as ordens de Oribe, estabelece o cerco de Montevideu, em 1842. Durante o longo período que se vai seguir, de situação excepcional no Estado limítrofe, a província do Rio Grande do Sul se viu constantemente alarmada pelas correrias de bandos em sanha, que arrasavam fazendas e traziam sempre em risco a tranqüilidade dos habitantes.

    Não tendo dado resultado as reclamações do governo imperial, o recurso extremo foi aceitar-se a única solução possível, que era a das armas. Felizmente, a esta altura, a ditadura de Rosas se tornava odiosa até mesmo dentro da Argentina. O general Urquisa, governador de Entre-Rios, levanta-se contra o ditador e, a 29 de maio de 1851, é firmado um pacto entre o referido general, o governo do Uruguai e o império, no sentido de se por termo àquele doloroso estado de coisas que impunha a três nações o despotismo alucinado de um homem. Foi posto à frente de nossas forças de terra o já conhecido conde de Caxias e o comando da esquadra imperial foi confiado ao almirante Greenfell. Em meados de 1851, o general Urquisa invade o Estado Oriental, onde é aclamado entusiasticamente como um libertador. Operando de acordo com as forças de mar sob o comando de Greenfell, os aliados obrigam Oribe a render-se, em 11 de outubro de 1851.

As complicações do Prata

   O Estado Oriental estava, pois, livre de Rosas. Mas os aliados não podiam dar por finda a sua missão, deixando o tirano, ali, insubmisso, a preparar-se para nova arrogância. O convênio de maio de 1851 foi ratificado em novembro na capital uruguaia, comprometendo-se, os aliados, a libertar os argentinos da tirania de Rosas. Uma divisão da esquadra imperial subiu o rio Paraná, conduzindo forças de desembarque que iam se reunir às de Urquiza. A 17 de dezembro, foi transposto o famoso passo de Tonelero, a despeito da resistência heróica dos argentinos e, em princípios de 1852, os exércitos reunidos entraram em campanha. Rosas concentrara 22 mil homens junto a Caseros, travando-se ali uma decisiva batalha, com a estrondosa derrota do tremendo caudilho.

    Destroçado, Rosas tentou, ainda, reorganizar suas legiões em Buenos Aires. Vendo, porém, o porto bloqueado pela esquadra brasileira, e sentindo-se na iminência de um cerco inevitável por terra, o ditador perdeu a esperança de prolongar a sua agonia. Acolhido a bordo de um navio inglês, deixou a América para sempre, indo residir na Inglaterra com sua família, onde veio a falecer muitos anos depois. Por certo que, ali, o insensato tirano deve ter aprendido lições mais exatas e proveitosas de um liberalismo que não vive de palavras desleais, nem se contenta com a ilusão de formas sedutoras, mas se revela na supremacia das leis e no respeito sagrado devido aos homens.

     No entanto, aquela vitória não significava que os horizontes ficassem desanuviados lá para as bandas do sul. Primeiro, o governo imperial, teve de enfrentar a célebre questão Christie, motivada pela prepotência com que a Inglaterra exigia indenizações indébitas a súditos seus, bem como desculpas por supostos desacatos à marinha inglesa. 

[Adendo - Questão Christie: Após o naufrágio do navio "Prince of Wales", no Rio Grande do Sul, em 1861, o diplomata inglês Willian Dougal Christie (nada diplomatico) acusou o Brasil, afirmando que, antes do afundamento, os tripulantes do navio inglês foram assassinados e a carga saqueada por brasileiros. Após negociações infrutíferas, em 1863, uma esquadra, sob o comando do almirante Warren, bloqueou o Rio de Janeiro. A população do Rio ameaçou represálias contra propriedades inglesas no Brasil e, então, a Inglaterra aceitou o arbitramento do Rei Leopoldo da Bélgica. O Brasil exigiu indenização por perdas e danos, bem como a reparação pelo atentado à nossa soberania. Diante da recusa, nesse mesmo ano, o Brasil rompia relações com a Inglaterra. Só em 1865 a questão foi resolvida pelo rei belga, que arbitrou a favor do Brasil.]

    Depois, os brasileiros residentes no Estado Oriental começaram a se queixar contra violências que sofriam por parte de autoridades uruguaias. Sem resultado, o governo imperial dirigiu insistentes reclamações ao presidente Aguirre. Convencido de que nada conseguiria por vias diplomáticas, resolveu mandar para o Prata um representante especial, que foi o conselheiro José Antônio Saraiva e, ao mesmo tempo, aumentou a esquadra ali estacionada, reforçando, também, os corpos que guarneciam as fronteiras.

    O plenipotenciário brasileiro, depois de algumas negociações frustradas, apresentou um ultimato ao governo oriental, marcando-lhe um prazo improrrogável para atender as reclamações do governo imperial e, desde esse instante, se reconheceu que a situação, por ali, tocava seu extremo de gravidade. O partido "blanco", desde o desastre de Oribe, não dissimulava suas antipatias e seu ódio contra o Brasil. Foi assim que Aguirre, confiante em acordos clandestinos que mantinha com o déspota do Paraguai, Solano López, devolveu a nota do ministro brasileiro. Então, o conselheiro Saraiva declarou ao governo uruguaio e ao corpo diplomático que, nessa situação, o governo imperial se via forçado a lançar mão de recursos extremos contra a nação vizinha.

    Em fins de 1864, as tropas brasileiras invadem o território oriental.  Na disputa anterior, como já vimos, Oribe havia solicitado a proteção do ditador argentino Rosas. Nesta guerra, é Venâncio Flores ["colorado"] que solicita a proteção do Brasil. Apoiado fortemente pelas armas imperiais, Flores vai se apoderando de diversas povoações, até fazer o cerco de Paissandu. É neste momento que chega ao Rio de Janeiro a notícia da insólita e hostil atitude do ditador do Paraguai, entrando na disputa pela região. Só então, os homens do império se apercebiam da audácia temerária de Solano López que, isolado de seus vizinhos, aventurava-se a travar conflito com eles.

[Entenda a situação: O Uruguai era dominado por dois partidos: o dos "blancos"(conservadores) e o dos "colorados" (progressistas). Oribe, segundo presidente do Uruguai, do partido "blanco", havia sido derrotado na guerra anterior, abandonando a vida política. Em seu lugar assumiu Aguirre, igualmente um "blanco", ao qual se opôs Venâncio Flores, um "colorado". Flores fez um pacto com o Brasil: nosso país o ajudaria a derrotar Aguirre. Ele, em troca, assumindo o poder, nos auxiliaria no embate que se prenunciava, contra o Paraguai. A Batalha do Paissandu ocorreu a 2 de janeiro de 1865, comandada em terra pelo general brasileiro Mena Barreto e pelo próprio Venâncio Flores, tendo apoio em mar da esquadra do almirante Tamandaré. Flores assumiu o poder, mas, em 1868 foi assassinado.]


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