ATIVIDADES
PROTESTANTES NO BRASIL
(Do livro "São Paulo de Castro Alves", de Norlândio Meirelles de Almeida, Editora Soge, 1997)

    Uma prova dos movimentos polêmicos verifica-se pelo número de 4 de julho (1866) do jornal "A Imprensa Evangélica", em que se lêr a seguinte nota:

"Os jornais de São Paulo trazem notícia da organização de uma sociedade entre estudantes da Faculdade de Direito, com o fim de estudar os preceitos da religião católica e lutar em sustentação deles contra os erros protestantes. Entraram em discussão com os missionários, entre os quais se encontravam os reverendos Emanuel Pires, Roberto Lenington e H. Mackee, usando, aliás, métodos de muita tolerância."

    O primeiro jornal protestante brasileiro surgiu em 1864 em São Paulo e circulou durante vinte e oito anos, até julho de 1892. Os redatores foram o reverendo A. L .Blackford, o ex-padre José Manuel da Conceição e o poeta Santos Neves. Blackford pertencia à "seita presbiteriana independente" de São Paulo, da qual fizeram parte também nomes ilustres dessa época, como George W. Chamberlain, fundador, com Horace Manley Lane, em 1886, do Mackenzie College (ampliação da Escola Americana, fundada, no ano de 1870 por Mary Annesley Chamberlain, esposa do reverendo George); o notável filólogo e professor paulista Eduardo Carlos Pereira; Otoniel de Campos Mota, ilustre filólogo, historiador, sociólogo, professor, jornalista e acadêmico (porto-felicense); Ernesto Luís de Oliveira, que foi vencido em célebre polêmica pelo padre jesuíta Leonel Edgard da Silveira Franca; Vicente Themudo Lessa, pastor protestante, vice-presidente do Colégio Evangélico, jornalista, professor e escritor, pai do excelente contista e romancista Orígenes Themudo Lessa, autor de "O Feijão e o Sonho". A Igreja presbiteriana começou a sua atuação na capital paulista em 5 de março de 1865, numa casa particular da rua São José (rua Líbero Badaró). Foi no governo eclesiástico de D. Lino Deoodato Rodrigues de Carvalho, oitavo bispo de São Paulo, que mais se expandiu o protestantismo, radicado já em Sorocaba e alcançando Tatuí, Itapenininga, Iapeva, etc.  Desde 1883 até 1941, a seita exercia suas atividades num templo que possuía na rua 24 de Maio, passando, doze anos mais tarde, para a rua Nestor Pestana, 136, onde inaugurou sua catedral evangélica, a 31 de julho de 1953. Já o padre José Manuel da Conceição está mais ligado aos pródomos da introdução do protestantismo em São Paulo, através dos imigrantes alemães que se fixaram nas primeiras décadas do século passado. Fundada em 1810, já em fevereiro de 1811, chegava à Fábrica de Ferro de Ipanema, em Sorocaba, a Companhia de Suecos, sob a direção de Gustavo Heddeberg, composta de uns quinze trabalhadores especializados. Em 1815, vieram cinco prussianos; em 1827, estabeleceu-se em Santo Amaro, Itapecirica, Guareí e Ipanema a primeira leva de imigrantes alemães; em 1837, o governo contratou um grande contingente de alemães, destinado a trabalhar na construção da ferrovia São Paulo-Santos e em Ipanema. Desde os primeiros, todos esses europeus era luteranos. Nessa última turma, havia um inglês de nome Godwin, que proporcionava ao noviço José Manuel da Conceição lições primárias de seu idioma, acrescidas depois do aprendizado da língua alemã com o dr. João Henrique Teodoro Langgaard, um médico dinamarquês da fábrica de ferro, cuja filha, Luísa Langgaard, casando-se com o médico baiano, dr. Rodrigo Otávio de Oliveira, tornou-se a mãe do escritor Rodrigo Otávio. Após ordenar-se, o padre Conceição foi vigário de Ubatuba, depois, de Montemor e Brotas. Traduziu do alemão a primeira História Sagrada divulgada no Brasil. Referindo-se ao padre Conceição, confidenciou o dr. Langgaard ao viajante Fletcher, em 1885, que ele pregava sermões tão protestantes que foi atacado pelo bispo e, finalmente, expulso da paróquia. D. Antônio Joaquim de Melo, sexto bispo diocesano, excomungou-o, e ele arrancou a batina passando o resto da vida pregar o presbiterianismo [calvinismo].


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