Lodovico Carracci
1555-1619
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Os irmãos Carracci

     Os três Carracci e seus discípulos (Guercino, Guido Reni e Domenichino) foram vistos nos séculos XVII e XVIII como os maiores pintores italianos depois de Michelangelo e Rafael. A partir de 1850 caíram em descrédito, mas foram reabilitados pela exposição coletiva de suas obras em Bolonha (1956).


Lodovico Carracci foi batizado em 21 de abril de 1555. Com seus primos Agostino e Annibale fundou em Bolonha a Accademia di Belle Arti, que opôs ao maneirismo da segunda metade do século XVI um ecletismo classicista, disposto a reunir o desenho de Rafael ao colorido de Correggio. Durante todo o século XVII a influência da escola de Bolonha se fez presente na Europa. No grupo de seus fundadores, Lodovico Carracci, que morreu em Bolonha em 3 de novembro de 1619, foi principalmente o grande teórico. Mas sua "Madona" (Academia de Belas-Artes, Bolonha) demonstra que também foi bom pintor.


Agostino Carracci foi batizado em 16 de agosto de 1557. Estudou em Veneza, principalmente desenho e gravura, tornando-se o maior gravador italiano da época. Depois estudou pintura com seu primo Lodovico, em Bolonha, onde dirigiu a academia junto com seu irmão Annibale. Suas viagens a Parma foram responsáveis pelo culto da escola a Correggio. Em Roma, colaborou com Annibale em seus grandes trabalhos. Dos poucos quadros conservados de Agostino Carracci, que morreu em Parma em 23 de fevereiro de 1602, o mais famoso é a "Última comunhão de são Jerônimo" (Academia de Belas-Artes, Bolonha).


Annibale Carracci, irmão de Agostino e primo de Lodovico, nasceu em Bolonha em 3 de novembro de 1560. É o maior dos três artistas da família e um dos melhores pintores italianos da época. Inicialmente foi maneirista, como demonstra seu "São Roque entre os doentes" (Gemäldegalerie, Dresden). A academia converteu-o ao ecletismo, ao qual conseguiu inspirar dramaticidade e vigor como nenhum outro adepto da escola. Suas obras-primas são os grandes afrescos mitológicos (1595-1604) no Palazzo Farnese em Roma, sobretudo o famoso "Triunfo de Baco". Exemplo do forte talento realista de Annibale Carracci, que morreu em Roma em 15 de julho de 1609, é a "Refeição de camponeses" (Galleria Colonna, Roma).

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Ludovico era sobrinho de Annibale Carracci e trabalhou a maior parte de seu tempo em Bolonha.  Este quadro foi pintado para Cavaliere Tito Buosio di Reggio e descreve um episódio bíblico, que foi também tema para Guido Reni e Jean Jacques Henner, entre outros pintores.

     Susana toma seu banho no jardim, quando dela se aproximam dois anciãos que, cobiçando-a, ameaçam acusá-la de adultério se não dormir com ambos. Ela recusa e é falsamente acusada por eles, mas sua inocência é provada, o que a torna livre da pena de apedrejamento.

     Trata-se de uma pintura de composição bastante complexa. Carracci fixa o contraste moral das partes envolvidas. Enquanto a virtuosa Susana surge no banho em cores vívidas e brilhantes, os anciãos corruptos se acham mergulhados nas trevas.

     Esta passagem bíblica, assim como a história de Judite, também utilizada por vários pintores, foi tirada dos chamados livros apócrifos, acrescentados à Bíblia no processo de Contra-reforma, em que se insere a pintura barroca.

Fonte: National Gallery, Londres (traduzido).
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Susana e os Anciãos
(A casta Susana) - 1616
Óleo sobre tela
146,6 x 116,5 cm

carracci.jpg (24733 bytes)
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