Salvo uma ou outra exceção, não existem obras dele assinadas e datadas. Poucos
trabalhos podem lhe ser atribuidos, com segurança, e entre eles se inclui o Retábulo
de Castelfranco (1504), Os três filósofos (sem data), A tempestade
(sem data) e Concerto campestre (1510). Muitos outros que lhe são atribuídos são
alvo de polêmica, não se chegando a uma conclusão quanto à autoria.
A maioria das obras de Giogione se compõe de
uma ou mais figuras, integradas em amplas paisagens. Inovando em relação aos seus
antecessores, o artista utiliza uma luz suave, com efeito de grande lirismo, tendo como
objetivo maior criar uma atmosfera determinada dentro da composição, sem preocupação
de definir os objetos da cena.
Também ao contrário de seus contemporâneos,
levava o trabalho direto à tela, sem esboços preliminares, pela crença de que, assim,
conseguia criar expressões mais profundas e efeitos cromáticos mais surpreendentes.
Suas inovações no tratamento dos temas
tiveram especial importância na paisagem e nos nus femininos. Até então, as paisagens
eram inspiradas em temas bíblicos, clássicos ou alegóricos. Giorgino, em A
tempestade parece não ter-se valido de nenhuma dessas fontes, usando exclusivamente
de sua imaginação. Desencadeou uma revolução contra o elemento narrativo dentro da
pintura paisagística e abriu caminho para outros mestres, como Cláudio de Lorena e
Rembrand.
No Museu do Prado, em Madri, a Madona com
criança nos braços, entre Santo Antônio de Pádua e São Roque (1510) revela que o
artista já alcançara, neste ponto, a maturidade. Com a Vênus adormecida
(1510-circa), obra que lhe é atribuída, há uma evolução, sendo uma das primeiras
obras modernas dentro da arte em que o nu passa a ser o objeto principal do quadro e não
um detalhe dentro dele.
Foi Giorgione quem introduziu paisagens como um grande pano de
fundo aos nus, dentro da arte européia, recurso de que se utilizaram mais tarde Tiziano e
Rubens.