Giorgione
Giorgio da Castelfranco

1477?-1510
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     Os poucos dados que existem sobre a vida e carreira de Giorgione são confusos, mas parece que ele nasceu em Castelfranco e foi discípulo do pintor veneziano Giovanni Bellini. Provavelmente, seu nome de batismo era Giorgio Barbarelli.

     Salvo uma ou outra exceção, não existem obras dele assinadas e datadas. Poucos trabalhos podem lhe ser atribuidos, com segurança, e entre eles se inclui o Retábulo de Castelfranco (1504), Os três filósofos (sem data), A tempestade (sem data) e Concerto campestre (1510). Muitos outros que lhe são atribuídos são alvo de polêmica, não se chegando a uma conclusão quanto à autoria.

     A maioria das obras de Giogione se compõe de uma ou mais figuras, integradas em amplas paisagens. Inovando em relação aos seus antecessores, o artista utiliza uma luz suave, com efeito de grande lirismo, tendo como objetivo maior criar uma atmosfera determinada dentro da composição, sem preocupação de definir os objetos da cena.

     Também ao contrário de seus contemporâneos, levava o trabalho direto à tela, sem esboços preliminares, pela crença de que, assim, conseguia criar expressões mais profundas e efeitos cromáticos mais surpreendentes.

     Suas inovações no tratamento dos temas tiveram especial importância na paisagem e nos nus femininos. Até então, as paisagens eram inspiradas em temas bíblicos, clássicos ou alegóricos. Giorgino, em A tempestade parece não ter-se valido de nenhuma dessas fontes, usando exclusivamente de sua imaginação. Desencadeou uma revolução contra o elemento narrativo dentro da pintura paisagística e abriu caminho para outros mestres, como Cláudio de Lorena e Rembrand.

     No Museu do Prado, em Madri, a Madona com criança nos braços, entre Santo Antônio de Pádua e São Roque (1510) revela que o artista já alcançara, neste ponto, a maturidade. Com a Vênus adormecida (1510-circa), obra que lhe é atribuída, há uma evolução, sendo uma das primeiras obras modernas dentro da arte em que o nu passa a ser o objeto principal do quadro e não um detalhe dentro dele.

     Foi Giorgione quem introduziu paisagens como um grande pano de fundo aos nus, dentro da arte européia, recurso de que se utilizaram mais tarde Tiziano e Rubens.

Fonte: Encartga em espanhol.

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     O busto de uma jovem, provavelmente cortesã, parcialmente vestida em um casaco de peles, é um dos poucos trabalhos do pintor que tem inscrição e data colocadas no verso.

     O fundo com folhas de louro pode ser uma pista para a identificação da modelo, mas pode ser também uma referência à arte e à poesia. A laurea é freqüentemente encontrada em retratos de casais, para simbolizar a suposta fidelidade e castidade de ambos. Neste caso, Retrato de Laura pode ser um complemento de Retrato do Senhor Giacomo, cujo nome está inscrito no verso.

     Esta obra serviu como um protótipo para outros retratos de jovens cortesãs, pintados mais tarde por Ticiano, Palma e Bordone.

     Os efeitos sombreados da palheta de Giorgione, juntamente com a transição fluente entre as cores, se ressalta ainda mais com o casaco de peles jogado displicentemente, servindo mais para despir do que para cobrir o corpo. (Traduzido)


Retrato de Laura (1506-circa)
Óleo sobre tela - 41 x 33,6 cm
Kunsthistorisches Museum -  Vienna


giorgione.jpg (14310 bytes)
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