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Contra um céu místico e uma paisagem romântica a Madona aparece a um piedoso frade (provavelmente o cliente que encomendou a pintura) e Santo Antônio, recomendando o frade à Virgem. Esta cena singela, pintada com poucas cores, à primeira vista não revela nada de extraordinário, mas, olhando-se detidamente, os detalhes começam a aparecer. Primeiro, o tamanho desproporcional da Virgem em relação às outras figuras, fazendo-as parecer crianças. Esta concepção arcaica parece colocar o pintor em oposição à composição racionalmente estudada de Verrocchio e Ghirlandaio. Logo descobrimos também que, embora a bainha de suas vestes se espalhe sobre a relva, decorada com flores, a Virgem não está realmente na paisagem, como em composições similares dos dois mestres acima mencionados, mas entronizada sobre ela, em nuvens diminutas. O caráter visionário da Madona é realçado por que, embora ela contemple os dois personagens em extrema serenidade, a face dos dois homens revela uma concentração profunda, como se estivessem passando por uma experiência de revelação mística. |
Nesta pintura, Fillipino realmente abandonou os tradicionais métodos de desenho e estética utilizados em seu século ou pelas gerações que o precederam. Ele constrói suas composições com um arranjo informal e aparentemente descuidado, dando impressão de que a associação entre os vários elementos é apenas acidental. |