No decorrer de sua turbulenta história, Malta desempenhou um
papel importante nas lutas pelo domínio do Mediterrâneo e nas relações entre as
culturas européia, norte-africana e do Oriente Médio.
Como conseqüência, a sociedade maltesa
constituiu-se durante muitos séculos de domínio estrangeiro, com influências que vão
desde a antiga Grécia até o Reino Unido, passando por normandos e árabes.
Malta é formada por um pequeno arquipélago
situado no mar Mediterrâneo: Malta (a maior das ilhas), Gozo, Comino, e as desabitadas
Cominotto e Filfla. Situa-se a 93km ao sul da Sicília, a 290km ao norte da Líbia e a
cerca de 290km a leste de Túnis. As ilhas têm uma superfície total de 316km2.
Geografia física
De natureza calcária, as cinco ilhas são
constituídas por estratos bastante horizontais e apresentam elevações rochosas que
atingem sua altura máxima em Medina (240m).
A ilha de Malta apresenta dois lençóis
aqüíferos que possibilitam o abastecimento, suprindo a carência de rios e lagos. Suas
costas, altas e rochosas, têm amplas e profundas enseadas que servem de abrigo para a
navegação, em uma das quais fica Valletta, capital do país.
O clima é tipicamente mediterrâneo, com
invernos frescos e chuvosos, e verões muito quentes e secos. A vegetação natural é
escassa, mas abundam as culturas de batata, cebola, tomate e uva. A fauna compõe-se de
doninhas, ratos, coelhos e diversas espécies de aves e insetos.
População
Aproximadamente 95% da população é de
origem maltesa e o restante descende de britânicos e italianos. O maltês, língua
resultante da fusão entre o árabe do norte da África e o siciliano (dialeto italiano),
tornou-se oficial em 1934. O outro idioma oficial é o inglês. Também se fala o
italiano.
A maior parte da população concentra-se na
ilha de Malta. As cidades são pequenas; destacam-se Valletta, Sliema e Birkirkara.
Economia
A utilização de Malta como base naval
sustentou sua economia durante o domínio colonial. No entanto, a retirada paulatina da
frota britânica, a partir de 1950, determinou a procura de outras fontes de renda.
Desenvolveram-se as indústrias têxteis, o
artesanato, a agricultura (apesar dos solos pouco férteis e da escassez de água) e,
sobretudo, o turismo.
História
Os primeiros achados arqueológicos datam
aproximadamente de 3800 a.C. Os agricultores neolíticos viveram sobretudo em cavernas e
produziram uma cerâmica similar à encontrada na Sicília.
Entre 2400 e 2000 a.C., desenvolveu-se um
elaborado culto aos mortos, possivelmente influenciado pelas culturas das ilhas Cíclades
e de Micenas (idade do bronze). Essa cultura foi destruída por uma invasão,
provavelmente vinda do sul da Itália.
Entre os séculos VIII e VI, as ilhas entraram
em contato com os fenícios e cartagineses e, em 218 a.C., caíram em poder dos romanos.
Segundo os Atos dos Apóstolos, no ano 60 da
era cristã, são Paulo sofreu um naufrágio e chegou à costa maltesa, onde promoveu a
conversão de seus habitantes ao cristianismo.
Com a divisão dos domínios romanos no ano
395, Malta foi incorporada ao império oriental, com sede em Constantinopla. Em 870 caiu
em poder dos árabes, que influenciaram seu idioma e cultura. Em 1091, os normandos se
apoderaram do país. Em 1245, Federico II de Hohenstaufen expulsou os árabes e em 1266 as
ilhas, junto com a Sicília, passaram ao domínio de Carlos I de Anjou, que as cedeu em
1283 a Pedro III de Aragão.
O imperador Carlos V cedeu as ilhas, em 1530,
aos cavaleiros hospitalários ou de São João de Jerusalém, ordem religiosa e militar
que as manteve sob seu poder até 1798, quando foram capturadas por Napoleão Bonaparte.
Pouco depois os franceses foram expulsos com ajuda dos britânicos, que assumiram a
administração da ilha em 1814.
Durante a Segunda Guerra Mundial, as ilhas
resistiram ao assédio de alemães e italianos. Malta conseguiu a autonomia administrativa
em 1947 e proclamou a independência em 21 de setembro de 1964. Em 13 de dezembro de 1974
adotou o regime republicano. Em 1979 rompeu a aliança com o Reino Unido e fechou as bases
navais.
A década de 1970 caracterizou-se pelo
enfraquecimento das relações com o Ocidente e pela aproximação com os regimes
comunistas, política que sofreu mudança substancial em 1985, com o estabelecimento de um
acordo com a Comunidade Econômica Européia.
Em 1987, as eleições para a Câmara de
Representantes, vencidas pelo Partido Nacionalista, puseram fim a 16 anos de domínio do
Partido Trabalhista. Nas eleições de 1992, os nacionalistas derrotaram novamente seus
opositores. A política governamental continuou a ser de liberalização, e foram
realizadas diversas reformas de ordem econômica, com vistas a tornar o país um membro da
União Européia.
Instituições políticas
De acordo com a constituição de 1974, o
poder legislativo é exercido pela Câmara de Representantes, composta de 65 membros
eleitos para um período de cinco anos, mediante representação proporcional de 13
circunscrições eleitorais. O presidente é o chefe do estado constitucional, e o
gabinete, responsável perante a câmara, exerce o poder executivo. Os principais partidos
políticos são o Trabalhista e o Nacionalista.
Sociedade e cultura
Em 1956 adotou-se um sistema previdenciário
para trabalhadores maiores de 14 anos e, em 1971, implantou-se um sistema mais amplo, que
se completou em 1979 com a hospitalização gratuita.
O sistema educativo compreende três níveis e
é obrigatório entre seis e 16 anos de idade.
A Universidade de Malta, fundada pelos
jesuítas no fim do século XVI e restabelecida no século XVIII, é conhecida como a
universidade velha e oferecia cursos de direito.
A Nova Universidade, fundada na década de
1970, dedicou-se principalmente às ciências e à tecnologia. Em 1980, ambas foram
unificadas sob o nome de Universidade de Malta.
O país conserva notáveis exemplos da
arquitetura local dos séculos XVII e XVIII. Dun Karm é o mais importante poeta maltês