Por suas dimensões e riqueza, Milão chegou a ser a segunda
cidade da Itália na época do Império Romano. Séculos depois, o desenvolvimento
industrial recolocou-a em posição destacada, sobretudo após a segunda guerra mundial.
Milão se situa no norte da Itália, no centro
da bacia do Pó, e está cercada pela planície Padana, que se estende entre os rios Adda
e Ticino. Ao norte da cidade, capital da província de Milão e da região da Lombardia,
se elevam os Alpes e ao sul corre o Pó.
O núcleo primitivo foi fundado pelos celtas
por volta de 600 a.C. Quando foi conquistada pelos romanos, em 222 a.C., já era a cidade
mais poderosa da região, que desde então chamou-se Gália Cisalpina. Mediolanum, nome
que lhe deram os romanos, prosperou durante a era republicana e só perdia em importância
para Roma em toda a região ocidental do império.
Quando o imperador Diocleciano procedeu à
divisão administrativa de seus domínios, no século III da era cristã, Mediolanum
tornou-se capital da parte que coube ao imperador Maximiano. No século seguinte,
Constantino o Grande declarou-a capital da Itália.
No século V a cidade foi várias vezes
ocupada e saqueada pelos bárbaros: Átila, à frente dos hunos, no ano 452; Odoacro, rei
dos hérulos, em 476; e Teodorico, rei dos godos, em 493. Em 569, foi incluída no reino
lombardo, ao qual permaneceria vinculada até a segunda metade do século VIII, embora
Pavia fosse a capital. Nesse intervalo, os arcebispos passaram a ser as figuras dominantes
em Milão, conquistaram autoridade secular e expandiram suas terras.
Milão empreendeu uma série de guerras contra
as cidades vizinhas de Pavia, Cremona, Como e Lodi, e se impôs como a mais importante
cidade do norte da Itália.
Em 1162, no entanto, foi conquistada pelo
imperador alemão Frederico I Barba-Roxa, que a conservou até 1176. Novamente libertada,
Milão iniciou um período de florescimento comercial.
A industrialização -- Milão fabricava armas
e tecidos -- gerou sérias tensões durante o século XIII, já que as classes
trabalhadoras pressionavam a nobreza para modificar as relações de tipo feudal
predominantes. Em 1237, a cidade foi novamente conquistada, dessa vez por Frederico II,
que se manteve no poder por quarenta anos.
Até 1311, duas facções que se tornariam
célebres na história, os guelfos (partidários dos papas) e os gibelinos (partidários
dos imperadores da Alemanha), lutavam para dirigir os destinos de Milão. A vitória coube
aos gibelinos, liderados pela família Visconti.
Em 1450, a cidade foi conquistada por
Francesco Sforza e, apoiada na indústria da seda, prosperou novamente. Outra vez caiu em
mãos estrangeiras em 1495, quando Luís XII da França dela se apoderou. O povo, porém,
se rebelou e reconduziu ao poder o duque Ludovico Sforza, dito o Mouro.
Em 1500, Luís XII voltou a ocupar a cidade e
prendeu Ludovico. Pelo Tratado de Blois, de 1504, o rei francês prometera entregar Milão
a sua filha Claude, casada com um neto do imperador alemão Maximiliano I, mas não
cumpriu a promessa. Seu sucessor, Francisco I, disputou Milão com Massimiliano Sforza,
até que, pelo Tratado de Madri (1526), abriu mão de suas pretensões na Itália.
Após todas essas mudanças de domínio,
Milão ainda foi submetida pelos espanhóis em 1535 e permaneceria nessa condição até o
princípio do século XVIII. Com o governo espanhol, iniciou-se um período de
estancamento comercial e declínio político. A situação se agravou em 1630, quando a
cidade foi assolada pela peste, catástrofe descrita numa das obras clássicas da
literatura italiana, I promessi sposi (1825-1827; Os noivos) de Alessandro
Manzoni.
Em 1706, no fim da guerra da sucessão
espanhola, o príncipe Eugênio de Savóia tomou o ducado. Teve início outro período de
governo estrangeiro, dessa vez austríaco, e Milão recuperou o esplendor industrial e
cultural.
No século XVIII figuras proeminentes viveram
na cidade, como o criminologista Cesare Beccaria e o administrador e literato Pietro
Verri. Em 1796, a cidade recebeu com grande entusiasmo as tropas de Napoleão Bonaparte
que, após instaurar a efêmera República Cisalpina (1797), coroou-se rei da Itália em
1805 e designou Milão sua capital.
Com a queda do império francês, Milão
retornou ao domínio da Áustria. Nesse período, especialmente na década de 1820, com o
Teatro Scala, converteu-se em importante centro musical e, ao mesmo tempo, foco de
resistência à opressão austríaca.
Após a insurreição anti-austríaca de 1848,
seguida de brutal reação, os milaneses não pararam de lutar pela independência da
Itália. Em 1859, logo após a batalha de Magenta, Milão acolheu o novo rei da Itália,
Vítor Emanuel II.
Já definitivamente integrada ao país, foi a
cidade onde se formaram, em 1919, os grupos de extrema-direita que levariam Mussolini ao
poder na década seguinte.
Gravemente atingida durante a segunda guerra
mundial, Milão foi reconstruída com enormes gastos e trabalho. Um plano de organização
da área metropolitana vem procurando preservar o centro histórico e ordenar o
crescimento da aglomeração urbana, que absorveu vários municípios próximos.
Durante a segunda metade do século XX, o
crescimento da população e das indústrias converteu Milão no coração econômico da
Itália. A cidade conta com indústria automobilística, de produtos químicos e
medicinais, de papel, de derivados da borracha e alimentos industrializados. É também um
importante centro de moda e desenho industrial e domina as exportações italianas.
Uma ampla rede de transportes terrestres e
aéreos favorece esta atividade. Milão tem oito estações ferroviárias e é o ponto de
partida da Autostrada del Sole ("rodovia do sol"), que percorre toda a Itália.
Sede de três universidades, Milão possui
bibliotecas antigas e prestigiosos conservatórios de música. O Teatro Scala é um dos
mais importantes do mundo. Entre os muitos prédios notáveis destacam-se o Duomo, cuja
construção começou em 1386 e durou cinco séculos, o palácio de Brera, de 1651, e
diversas igrejas que contêm valiosas obras de arte.