O antigo esplendor de
Veneza evidencia-se nos monumentos arquitetônicos que fazem da cidade um dos principais
centros turísticos do mundo. Mas a grande afluência de visitantes e a poluição urbana,
além da localização da cidade, construída sobre as águas, elevaram a níveis
alarmantes a deterioração das casas, palácios e monumentos da cidade.
Veneza é capital da província italiana
de mesmo nome e da região do Veneto. Localiza-se no extremo nordeste do país, no centro
de uma laguna com cerca de 51km de extensão. Seu centro urbano, cruzado por rede de
canais e ruas, ocupa uma área formada por ilhotas e bancos de areia, unida ao continente
por uma rodovia e uma linha férrea, além de barcas.
História
Com a queda do Império Romano, povos
germânicos impeliram fugitivos para as ilhotas da laguna veneziana. Comunidades de
pescadores unificaram-se, no século VI, sob a autoridade de um doge e mantiveram-se
independentes dos outros estados da península italiana graças a sua grande frota
marítima, que serviu também a intensa atividade comercial.
Os barcos venezianos dominaram o Adriático e
chegaram à Inglaterra, Índia e China.
Gênova que também aspirava ao monopólio
comercial do Oriente, apoiada pelos imperadores gregos -- surgiu como a grande rival de
Veneza. As duas cidades estiveram em guerra várias vezes.
No final do século XV, a descoberta do cabo
da Boa Esperança prejudicou os interesses comerciais venezianos. A riqueza de Veneza --
proporcionada fundamentalmente pela taxação de mercadorias procedentes do Oriente, como
especiarias, perfumes, algodão, seda, coral, âmbar etc. -- começou a decair a partir do
século XVI, com a perda das colônias orientais.
Mesmo assim, antigas instituições políticas
como o grande conselho, o pequeno conselho e o conselho de sábios prevaleceram até o
século XVIII, quando Veneza era ponto de atração para toda a Europa, por sua
legendária vida de frivolidade e luxo, representada por figuras como Giacomo Casanova.
Dominada por Napoleão, que a cedeu à
Áustria pelo Tratado de Campoformio, em 1797, a cidade foi definitivamente incorporada à
Itália unificada em 1866.
Descrição urbana
O Grande Canal, principal artéria fluvial da
cidade, ladeada de palácios e igrejas, divide a cidade em duas partes distintas: ao
norte, os distritos de Cannareggio, San Marco e Castello; ao sul, os de Santa Croce, San
Pablo, Dorsoduro e Giudecca.
O Grande Canal tem de 37 a 69m de largura e
profundidade média de 2,7m. Sobre ele erguia-se até o século XIX uma única ponte, a de
Rialto, à qual mais tarde somaram-se outras duas.
Os canais são transpostos por 400 pontes, que
interligam as várias partes da cidade e se prolongam por ruas estreitas e tortuosas. A
mais conhecida das pontes é a dos Suspiros, pequena passagem coberta entre o palácio dos
Doges e a prisão dos tempos da república.
Em torno da praça de São Marcos, uma das
mais famosas do mundo e antigo centro social e político da cidade, encontram-se os mais
célebres monumentos venezianos, como a basílica de São Marcos.
Entre as 118 ilhas originais há
aproximadamente 180 canais, com um total de 45km. Integram a cidade moderna formações
insulares menores -- tais como as ilhas de Giudecca, San Giorgio, La Grazia, Sacca Sessola
e o Lido de Veneza, espécie de barreira que separa a laguna do mar Adriático -- e os
centros industriais de Marghera e Mestre, no continente.
A maior concentração demográfica se
verifica na área industrial da faixa continental. O transporte urbano se faz sobretudo
por embarcações, traço característico do ambiente veneziano. Barcos-táxi e ônibus,
barcos do corpo de bombeiros e lanchas da polícia transitam ao lado das tradicionais
gôndolas a remo.
Embora haja acesso rodoviário à antiga
cidade insular, em seu interior não se permite o tráfego de automóveis. O aeroporto
internacional Marco Polo centraliza o tráfego aéreo.
Economia
A principal fonte de renda de Veneza é o
turismo. Ao longo do ano há grande afluência de turistas a Veneza, e por isso a cidade
apresenta uma população flutuante quase equivalente à população permanente.
A fabricação de vidro, representada pelas
célebres peças conhecidas como cristal de Murano, e a indústria têxtil estão entre as
principais atividades industriais, também relacionadas ao turismo. Parte da população
é empregada no porto, sobretudo no de Marghera, e o desenvolvimento industrial
concentra-se no continente.
Cultura
Veneza abriga cerca de 450 palácios e casas
antigas de grande importância histórica e artística. A maior parte deles foi
transformada em escritórios, lojas e hotéis.
Ali estão representados vários estilos
arquitetônicos: árabe, bizantino, gótico, renascentista, maneirista e barroco.
Destacam-se o Cà d'Oro, do século XV; o Cà Foscari e o Cà Rezzonico, palácios às
margens do Grande Canal.
Além do incomparável conjunto
arquitetônico, deve-se destacar a antiga tradição musical da cidade. Monteverdi,
criador da ópera, é o autor da primeira obra do gênero encenada em Veneza. Santa Maria
della Pietà teve como maestro Antonio Vivaldi e no teatro La Fenice estrearam óperas de
Verdi, Rossini e Stravinski.