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Exéquias de Atalá
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O aluno de
Vitor Meireles
Nascido em Nespereira (Portugal) e falecido no Rio de Janeiro, cidade a que chegou menino,
e onde realizou seu aprendizado artístico, matriculando-se em 1866 na Academia Imperial
de Belas-Artes.
Foi aluno distintíssimo, tendo conquistado ao longo do curso numerosas premiações,
inclusive duas medalhas de ouro.
O mestre que mais fundamente o marcou foi Vitor Meireles; como Vítor, Augusto Duarte
seria pintor de história e de gênero, paisagista.
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Uma
pintura congelada
no tempo
Em 1874, em Paris, foi discípulo de Gêrome na École des Beaux Arts, adaptando-se à
rígida disciplina acadêmica do autor de Un Combat de Coqs.
E se sob Gêrome não se tornou melhor artista, cresceu do ponto de vista técnico,
adquirindo sólido métier, se bem que se lhe notassem na obra "uns tantos
processos de pintar que só mais tarde foram substituídos" (Gonzaga Duque).
Assim toda a sua pintura parece-nos coisa antiga, fruto de um mundo de idéias por assim
dizer congelado, de urna visão desatualizada dos seres e das coisas.
Exéquias, sua
obra-prima
No Salon de 1877, Duarte expôs Interior da Galeria de Apolo; no do ano
seguinte, sua obra mais célebre, Exéquias de Atala, hoje no Museu
Nacional de Belas-Artes. Brilhantemente executada, vazada num desenho seguro e
demonstrando amplos conhecimentos de volumetria, a pintura possui porém colorido
discreto: um tema romântico, envolto em roupagem clássica.
O tema, aliás, deriva da conhecida narrativa de Chateaubriand: ao contrário de seu velho
mestre Vítor Meireles, trabalhando uma geração antes da sua, ao contrário de seu
compatriota José Maria de Medeiros, Augusto Duarte nem sequer utilizou em sua obra
assunto brasileiro, preferindo lançar mão de índios importados, peles-vermelhas, na
alambicada técnica francesa de praxe entre nós.
Não há como ignorar o convencionalismo, a teatralidade, o artificialismo do conjunto, a
despeito de sua excelente fatura.
Há, entre
Exéquias de Atalá e o Último Tamoio, de Amoedo (pintado em
1883), algo mais que uma simples coincidência temática: quase somos tentados a ver, na
coincidência, a influência de Augusto Duarte sobre Amoedo, pois se a composição
diverge, a atmosfera de ambas pinturas é idêntica.
«Pintor de um só
quadro»
Retomando ao Brasil, Duarte participou em 1879 da Exposição Geral de Belas Artes,
merecendo seu envio medalha de ouro; e em 1884 recebeu a Ordem da Rosa.
A despeito de tais distinções, continuaria sendo, para a crítica, o autor de um só
quadro - as Exéquias.
No próprio ano do seu precoce falecimento, ocorrido a 17 de novembro de 1888,
Gonzaga Duque cobra-lhe, em Arte brasileira, o nunca mais ter realizado nada que se
pudesse comparar àquela obra, "que prometia um artista de primeira ordem".
A Lagoa Rodrigo de
Freitas
Tendo vivido apenas 40 anos, Augusto Rodrigues Duarte deixou obra compreensivelmente
reduzida.
Em suas poucas paisagens, queremos acreditar, reside o ponto mais alto do que produziu.
Exemplo típico é Lagoa Rodrigo de Freitas, em que o perfil das montanhas do Rio
de Janeiro debruça-se sobre o espelho imóvel da lagoa, cujo gracioso contorno é ainda
realçado por uma língua de vegetação para a direita.
Aqui e
ali, a paisagem é entrecortada por barcos ancorados na areia, enquanto no primeiro plano,
sentados sobre pedras, uma mulher e uma criança contemplam as águas mansamente tocadas
pelo vento.
Tudo é feito em obediência a uma visão realista da natureza, sem dúvida; mas há
sentimento e atmosfera, e um lírico colorido dá maior vivacidade a toda a
composição.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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É um dos bons pintores de sua geração. Fez todo o curso da Academia, devendo
especialmente a Vítor Meireles a sua formação artística. Em 1874, foi para Paris,
matriculando-se na Academia de Belas Artes daquela cidade. Aí também se fez discípulo
de Gerone.
Em ambas as escolas, foi aluno premiado: na Academia do Rio, alcançou seis prêmios de
ordem superior, inclusive duas grandes medalhas de ouro; na de Paris, obteve também
quatro medalhas, inclusive a segunda da Academia.
Foi longa a sua estada na Europa, de onde regressou artista feito. No Salon de 1877,
expôs o quadro Interior da Galeria do Apolo e, na exposição universal de París de
1878, expôs Exéquias de Atalá, hoje pertencente à galeria da nossa Escola.
Premiado com a primeira medalha de ouro na exposição de 1879 e com a comenda, na de
1884. Figura, com justiça, no grupo dos nossos grandes artistas. O que produziu, teve
sempre o cunho da superioridade do seu gênio artístico.
É natural de Nespereira, Portugal; nascido a 28 de junho de 1848 e falecido a 17 de
novembro de 1888.
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