De arquiteto a pintor
Nascido e
falecido no Rio de Janeiro. Integrou a primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes,
matriculando-se em 1826 na aula de Pintura de Debret e na de Arquitetura de Grandjean de Montigny.
Na mostra
organizada por Debret em 1829, reunindo trabalhos de mestres e de alunos, compareceu com
10 cópias de esboços arquitetônicos de Grandjean; na do ano seguinte expôs mais de 20
cópias, além de duas pinturas.
Estreando
na Exposição Geral de Belas Artes de 1842 com Naufrágio da Medusa (paráfrase
ou cópia do célebre quadro de Gericault, exposto em Paris em 1819 e marco do Romantismo
desde então), mostrou, na de 1844, Andrômeda.
Barros
Cabral foi pintor de história e retratista, fez cenografia e quase ao fim da vida, em
1861, tentou a pintura religiosa, fazendo, para o teto e as laterais da capela-mor da
Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, no Rio de Janeiro, os Quatro Evangelistas, a
Anunciação e a Assunção.
Um adversário de
peso
Foi ainda
professor da Academia, substituto da cadeira de Desenho em 1850 e catedrático de Pintura
Histórica em 1857, com a morte de Correia de Lima. Sua nomeação para a cátedra seria
aliás a causa da exoneração de Porto-alegre, que então dirigia a Academia, e que a ela
se opôs veementemente.
Na
verdade, Barros Cabral tinha direito ao cargo, já que era professor adjunto de Pintura
Histórica desde 1855, e havia um ano exercia interinamente a cátedra, na doença do
titular Correia de Lima; Porto-alegre, porém, rompera com Barros Cabral desde 1839,
quando esse artista foi seu ajudante nos trabalhos de decoração do Teatro Dom Pedro de
Alcântara.
Em seus
Apontamentos Bibliográficos, publicados em 1931 na Revista da Academia Brasileira de
Letras e escritos curiosamente na terceira pessoa, assim se refere ao antigo colega de
bancos escolares:
Porto-alegre não
perdoa
«O que
mais lhe penalizou o coração nesta ocasião foi uma carta insolente que recebeu do seu
discípulo e protegido Joaquim Lopes de Barros Cabral, exigindo-lhe uma soma que lhe não
devia.
«A este
Barros Cabral, que tinha a casa de Porto-alegre como sua, fez ele os maiores obséquios
que pode fazer um pobre. Por duas vezes, tirou de sua gaveta o último vintém que tinha,
para ele poder enterrar sua mulher e seu filho, e foi vender seus ordenados a um cambista,
a fim de poder comer no dia seguinte: pintava-lhe obras, compunha-lhe painéis, pintava-os
mesmo e o protegia como a amigo, como ele e sua própria consciência o sabe.
«Tudo
foi pouco: deste ingrato recebeu maiores afrontas possíveis, pois até o pintou em
caricatura na praça pública, e nunca cessou de caluniá-lo.»
Inimigos até o fim
do mundo
Porto-alegre acreditava serem de autoria de Barros Cabral algumas caricaturas aparecidas,
em 1856, no Brasil Ilustrado e num folheto sem data intitulado Álbum do Pinta-Monos, mas
nisso se equivocava, pois tais caricaturas parecem com maior probabilidade devidas ao
francês François René Moreau, com quem Porto-alegre tivera, em 1844, um sério atrito.
Tudo isso
explica por que, em setembro de 1857, tendo sabido que à sua revelia o Marquês de Olinda
nomeara "um cenógrafo quase analfabeto" para a cadeira de Pintura Histórica, o
futuro Barão de Santo-Angelo foi ao Imperador e entregou seu cargo, protestando contra
uma nomeação "que ia contra o espírito da reforma, contra a letra expressa da lei
e contra a inteligência artística e moralidade do estabelecimento".
Um artista
esquecido
O que
sobrou da pequenina produção de Barros Cabral é pouco, existindo no Museu Nacional de
Belas-Artes um Interior de Cárcere que pouco o recomenda, e que confirma o que dessa obra
escreveu o autor de Arte brasileira, em 1888:
«É uma
obra fraca; esbatida e lisa como uma pintura em porcelana, feita por mão pouco
amestrada.»
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
.....