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Arrufos
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Texto do livro "Um Século de
Pintura"
de Laudelino Freire
[Belmiro Barbosa de Almeida é] natural de Minas e nascido a 22 de maio de 1858.
Matriculado em 1877, fez todo o curso da Academia. Aperfeiçoou seus conhecimentos na
Europa, onde tem estado várias vezes, e teve por professor o pintor Lefebvre.
Aqui, foi discípulo de Sousa Lobo (a quem muito deve), Agostinho da Mota e Zeferino da
Costa. Aluno distintíssimo, alcançou inúmeros prêmios.
É artista dotado de um cunho de personalidade própria, que começou a acentuar-se no
quadro Arrufos, no qual a sua técnica já é vigorosa, cheia de franqueza, ao mesmo tempo
que alegre e encantadoramente caprichosa.
"A sua arte
tem um incontestável cunho original. Os assuntos das telas são tirados da vida comum,
principalmente entre a sociedade culta. Belmiro tem a mesma tendência predominante do
pintor belga Alfredo Stevens, pois, como a este, lhe apraz representar as mulheres jovens
e belas, em seu meio típico, ao qual dá sempre uma intenção muito viva.
"Desenhista
de primeira ordem, como colorista fino e dedicado. A disposição das cores em suas telas
é em regra correta, muito harmoniosa e em tons leves. Não se nota um empasto nem um
descuido no modo de colocar as cores. Belmiro é, também, um pintor decorativo de valor
pouco vulgar e, neste ramo de arte, tem produzido painéis importantes, ilustrando
episódios da História do Brasil.
"Nos salões
anuais, tem alcançado vários sucessos, entre os quais obteve, com a sua delicada Dame
a la rose, que figurou na exposição de 1906. Realmente, essa pintura demonstra um
profissional completo. Ali, tudo foi atendido: o desenho é certo, macio, reconstruidor;
os tons, que são magistrais nos seus valores; e a expressão, que se nos comunica e vive
e atrai."
Na mesma ocasião, expôs um pequeno quadro a que intitulou Amuada, de uma nitidez
de desenho e uma propriedade de colorido, tendo todo o encanto, toda a naturalidade de uma
cena viva, que se vislumbra indiscretamente através de uma janela.
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