O
pioneiro do pastel
no Brasil
Nascido em França e
falecido em Minas Gerais (Brasil). Estudou em sua terra natal, ignorando-se contudo os
detalhes desse aprendizado, como sobre praticamente tudo o mais a seu respeito.
Transferindo-se para o
Brasil em meados do século XIX, fixou-se no Rio de Janeiro, onde já em 1850 participava
da Exposição Geral de Belas Artes com três pinturas, entre elas dois retratos -
especialidade em que mais se destacou.
Particularidade a
ressaltar no que concerne a Borely é que coube a esse artista introduzir no Brasil a
técnica do pastel, por volta de 1849, com um retrato do Dr. Joaquim Caetano da Silva,
Reitor do Colégio Pedro II.
Outro retrato, também a
pastel, devido a Borely, é o do Dr. Tomás Gomes dos Santos, que foi diretor da Academia
Imperial de Belas-Artes, depois de Porto-alegre.
A arte ao alcance
de todos
Araújo Viana, que
conheceu o pintor pessoalmente, traça um curioso perfil desse boêmio, então refugiado
no interior de Minas, onde viria a falecer:
«Conheci João Batista
Borely, em 1876, residindo no arraial do Taboleiro do Pomba, em Minas Gerais, a pintar,
não pelo processo do pastel, mas retratos a óleo, a torto e a direito, de toda a gente
do arraial e adjacências, e a todo preço...
«Por esperto não
firmava as telas que não prestavam. O preço estava tão ao alcance, que não houve por
ali quem deixasse de se retratar pelo Borely...
Um francês
embriagado
«Entretanto, meus
senhores, quando não se achava embriagado, aliás quase seu estado habitual, pintava bons
quadrinhos.
«Falava-me sempre nos
dois retratos pintados por ele no Rio, exaltando, com razão, o do Conselheiro Tomás
Gomes dos Santos. Minha filha contava apenas quatro meses de idade; sujeitei à
contemplação de Borely, que me pintou da prezada menina um retrato bem tratado, bem
cuidado.
Em Minas, para
sempre
«Borely era muito
inteligente, e tinha estudos regulares de algum estabelecimento de instrução secundária
e especial de Desenho em França. Quando o conheci aparentava 40 e poucos anos de idade.
«Ignoro a data de seu
nascimento, e em que localidade de Minas morreu. Soube que nunca mais deixou aquelas
paragens, onde o hospedaram com carinho e o aturavam pacientemente nas bebedeiras
mansas.»
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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