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D. Pedro II - 1875 - 127 x 55 cm
Óleo sobre tela
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Na Academia,
mas por
pouco tempo
Nascido em Magé (RJ) e falecido provavelmente no Rio de Janeiro, cidade na qual "na
primeira vintena deste século, aos 88 anos de idade
podia ser visto ainda
,
conservando, como os românticos de seu tempo, a barba e os cabelos longos e esvoaçantes,
com a diferença que, então, eram brancos e brilhantes como a prata nova" (Athos
Damasceno).
Matriculando-se na Academia Imperial de Belas-Artes em 1848, foi aluno, entre outros, de
José Correia de Lima e contemporâneo de Vítor Meireles, Poluceno, Rocha Fragoso e
Bethencourt da Silva.
Não chegaria porém a concluir o curso, como informa Gonzaga Duque em Arte brasileira,
inconformado com a premiação dada a Vítor Meireles no sétimo concurso de prêmio
de viagem, em 1852:
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«Afastado da Academia ainda muito moço, por causa de uma injustiça sofrida com o
concurso de viagem de 1852, começou a trabalhar por suas próprias forças sem ter um
mestre que lhe ensinasse a ver, ou um ateliê onde pudesse fazer completos estudos.
«Considerando-se, com justiça, este fato, os progressos por ele obtidos em uma carreira,
que lhe tem sido por demais acidentada, são extraordinários.»
Voluntário da
Pátria
Em 1865, achava-se em Porto Alegre, vivendo de seu ofício de retratista, quando as
forças de Solano Lopes invadiram Uruguaiana.
O pintor alistou-se, imediatamente, como voluntário, seguindo para a frente de batalha
como soldado raso, e dela retornando, cinco anos depois, com os galões de capitão.
Em seguida, abandonando a carreira militar, retomou os pincéis e partiu para o Rio de
Janeiro, onde em 1876 mantinha um ateliê num sobrado da Rua da Assembléia, 82, ali se
dedicando ao retratismo.
A volta aos
pincéis
No mesmo ano, e no anterior, participou com êxito da Exposição Geral de Belas Artes,
recebendo respectivamente a primeira e a segunda medalhas de prata. Além de sua atividade
como pintor, destacou-se como professor de Desenho no Liceu de Artes e Ofícios, na Escola
Politécnica e no Colégio Pedro II.
Modesto e isolado, morreu esquecido. Sua última premiação ocorrera em 1895 - uma
terceira medalha de ouro no II Salão Nacional de Belas Artes.
Mais aplicação
que arte
Retratista dotado de bons dotes de observador, desenhista seguro e hábil colorista,
Delfim da Câmara pecava contudo pelo convencionalismo de sua produção, faltando-lhe
aquilo a que aludiu Gonzaga Duque - "modernismo, essa esquisita maneira de fazer e de
ver as coisas que caracteriza as obras do nosso tempo".
Sua pintura é assim fruto mais da paciência e do obstinado esforço do que de um
autêntico talento pictórico, obra de aplicação e não de arte. Dele conserva o Museu
Imperial de Petrópolis um Retrato do Imperador Pedro II, executado em
1879 e que não o recomenda demasiado à posteridade.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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Fez todo o curso da Academia, tendo sido discípulo de Melo Corte Real, Costa Miranda,
Barros Cabral e Correia de Lima. Matriculou-se em 1848, tendo tido como colegas Ladislau
Neto, Barão de Tefé, Vítor Meireles, Pereira Reis, Bitencourt da Silva e outros.
Foi premiado com duas medalhas de prata e duas grandes medalhas de ouro. Alistou-se como
voluntário da Guerra do Paraguai e conquistou o posto de capitão. De volta, foi
professor da Escola Normal de Porto Alegre.
Vindo para o Rio, obteve, mediante concurso, a cadeira de desenho da Escola Politécnica,
estando hoje [1816] em disponibilidade.
Foi, também, professor do Liceu de Artes e Ofícios e do Ginásio Pedro 2º.
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