Delfim da Câmara
1834-1922

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D. Pedro II - 1875 - 127 x 55 cm
Óleo sobre tela

Na Academia, mas por
pouco tempo

     Nascido em Magé (RJ) e falecido provavelmente no Rio de Janeiro, cidade na qual "na primeira vintena deste século, aos 88 anos de idade… podia ser visto ainda…, conservando, como os românticos de seu tempo, a barba e os cabelos longos e esvoaçantes, com a diferença que, então, eram brancos e brilhantes como a prata nova" (Athos Damasceno).

     Matriculando-se na Academia Imperial de Belas-Artes em 1848, foi aluno, entre outros, de José Correia de Lima e contemporâneo de Vítor Meireles, Poluceno, Rocha Fragoso e Bethencourt da Silva.

     Não chegaria porém a concluir o curso, como informa Gonzaga Duque em Arte brasileira, inconformado com a premiação dada a Vítor Meireles no sétimo concurso de prêmio de viagem, em 1852:

     «Afastado da Academia ainda muito moço, por causa de uma injustiça sofrida com o concurso de viagem de 1852, começou a trabalhar por suas próprias forças sem ter um mestre que lhe ensinasse a ver, ou um ateliê onde pudesse fazer completos estudos.

     «Considerando-se, com justiça, este fato, os progressos por ele obtidos em uma carreira, que lhe tem sido por demais acidentada, são extraordinários.»

Voluntário da Pátria

     Em 1865, achava-se em Porto Alegre, vivendo de seu ofício de retratista, quando as forças de Solano Lopes invadiram Uruguaiana.

     O pintor alistou-se, imediatamente, como voluntário, seguindo para a frente de batalha como soldado raso, e dela retornando, cinco anos depois, com os galões de capitão.

     Em seguida, abandonando a carreira militar, retomou os pincéis e partiu para o Rio de Janeiro, onde em 1876 mantinha um ateliê num sobrado da Rua da Assembléia, 82, ali se dedicando ao retratismo.

A volta aos pincéis

     No mesmo ano, e no anterior, participou com êxito da Exposição Geral de Belas Artes, recebendo respectivamente a primeira e a segunda medalhas de prata. Além de sua atividade como pintor, destacou-se como professor de Desenho no Liceu de Artes e Ofícios, na Escola Politécnica e no Colégio Pedro II.

     Modesto e isolado, morreu esquecido. Sua última premiação ocorrera em 1895 - uma terceira medalha de ouro no II Salão Nacional de Belas Artes.

Mais aplicação que arte

     Retratista dotado de bons dotes de observador, desenhista seguro e hábil colorista, Delfim da Câmara pecava contudo pelo convencionalismo de sua produção, faltando-lhe aquilo a que aludiu Gonzaga Duque - "modernismo, essa esquisita maneira de fazer e de ver as coisas que caracteriza as obras do nosso tempo".

     Sua pintura é assim fruto mais da paciência e do obstinado esforço do que de um autêntico talento pictórico, obra de aplicação e não de arte. Dele conserva o Museu Imperial de Petrópolis um Retrato do Imperador Pedro II, executado em 1879 e que não o recomenda demasiado à posteridade.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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     Fez todo o curso da Academia, tendo sido discípulo de Melo Corte Real, Costa Miranda, Barros Cabral e Correia de Lima. Matriculou-se em 1848, tendo tido como colegas Ladislau Neto, Barão de Tefé, Vítor Meireles, Pereira Reis, Bitencourt da Silva e outros.

     Foi premiado com duas medalhas de prata e duas grandes medalhas de ouro. Alistou-se como voluntário da Guerra do Paraguai e conquistou o posto de capitão. De volta, foi professor da Escola Normal de Porto Alegre.

     Vindo para o Rio, obteve, mediante concurso, a cadeira de desenho da Escola Politécnica, estando hoje [1816] em disponibilidade.

     Foi, também, professor do Liceu de Artes e Ofícios e do Ginásio Pedro 2º.
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