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Paisagem de Niterói
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Nascido e falecido no Rio de Janeiro (RJ). Antônio Firmino Monteiro teve uma existência
curta: nasceu no Rio de Janeiro em 1855 e faleceu na mesma cidade em 1888.
Com infância atribulada, foi encadernador, caixeiro e tipógrafo antes de se dedicar à
sua vocação artística.
Na Academia Imperial de Belas-Artes, onde se matriculou tardiamente, foi aluno de
Vitor Meireles, Agostinho José da Mota, Pádua de Castro e Zeferino da Costa.
Possuía grande interesse pela leitura, e tal como Amoedo, muita curiosidade pelos
problemas de técnica da pintura, o que foi ressaltado por um de seus críticos:
«[Firmino] não se limitava a empregar maquinalmente as tintas de que carecia, pois a sua
palheta havia sido previamente estudada com carinho, para conhecimento da composição das
cores, a fim de evitar, de futuro, alterações nos trabalhos, e por esse motivo
nunca empregava determinadas tintas, aliás muito apreciadas».
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Em abril de 1880 seguiu para a Europa com a ajuda do Imperador Pedro II; voltaria pouco
depois para concorrer à cadeira de Paisagem da Academia, classificando-se em segundo
lugar.
Tornaria ainda duas vezes ao Velho Continente, em 1885 e 1887. Também passou curtíssima
temporada em Salvador, como professor de Paisagem no Campo da Escola de Belas-Artes da
Bahia, e de Perspectiva e Teoria da Sombra no Liceu de Artes e Ofícios da mesma cidade.
Participou das Exposições Gerais de Belas Artes em 1884, 1885 e 1887, tendo recebido na
primeira a Ordem da Rosa, por uma participação que incluía O Vidigal, Um Vendedor
de Balas e Jornais, Fósforos!, Camões no seu Leito de Morte e
Episódio da Retirada da Laguna.
Embora tivesse granjeado grande reputação como pintor de história e de gênero (Fundação
da Cidade do Rio de Janeiro, Exéquias de Camorim, Alvarenga no Desterro, etc.),
executou pintura religiosa e principalmente paisagens, pintando-as inclusive do natural,
antes até da chegada de Georg Grimm ao Brasil.
Suas primeiras paisagens, marcadas por uma nota nostálgica, de bem cuidada perspectiva e
perfeita integração dos planos, causaram sucesso em seu tempo. Mas o êxito inesperado
da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro fê-lo desviar do rumo
inicial, com grande prejuízo aliás para sua carreira, pois não se revelaria tão bom na
pintura histórica quanto na paisagem.
Assim, deixando de lado suas pequenas e delicadas cenas da Baía de Guanabara, enveredou
pelo gênero de maior sucesso, e começava justamente uma grande tela sobre a assinatura
da Lei Áurea, encomendada pela Prefeitura de Niterói, quando faleceu, subitamente, nessa
cidade fluminense.
Como pintor de gênero foi também bem-sucedido: seduziam-no as anedotas históricas, e
daí esse Vidigal - chefe de Policia do Rio de Janeiro, falecido em 1843,
ou esse Capitão João Homem, castigado pelo Conde da Cunha por sua
proverbial preguiça, obrigado pelo Vice-Rei a carregar tijolos em trajes de dormir...
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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Antônio Firmino Monteiro foi, arrebatado à
vida numa idade em que, não tendo atingido o grau de desenvolvimento a que lhe
asseguravam a sua inteligência e o seu devotado amor à arte, muito tinha ainda que fazer
para tornar-se um grande artista.
Tendo iniciado tardiamente sua carreira, não poderia, no curto período de quinze anos -
que foi o espaço de tempo decorrido, desde os primórdios acadêmicos até o seu
desaparecimento em 1888 - nos ter legado obra completa e acabada.
Possuidor, embora, de todas as condições necessárias para o ter feito, faltou-lhe a
condição do tempo. O que logrou fazer, todavia, se lhe não assinala lugar entre os
mestres, é, todavia, suficiente para conferir boa classificação entre os pintores de
sua época.
Nascido nesta cidade [Rio de Janeiro] a 22 de fevereiro de 1855, aqui mesmo faleceu a 3 de
julho de 1888, contando apenas com trinta e três anos de idade.
Aluno da Academia, ao mesmo tempo que estudava as disciplinas do curso, cuidava de
adquirir outros conhecimentos, chegando a organizar a sua biblioteca, a qual foi muito
escolhida, principalmente sobre o assunto que o seduzira. Diz um de seus biógrafos:
"Lia muito, e aproveitava em toda a linha o que lia. A sua biblioteca não era grande
mas, em compensação, primorosamente escolhida, dentro do que havia de melhor e de mais
sério. Não se limitava a empregar maquinalmente as tintas de que carecia, pois a sua
paleta havia sido previamente estudada com carinho, para conhecimento da composição das
cores, a fim de evitar, de futuro, alterações nos trabalhos e, por esse motivo, nunca
empregva determinadas tintas, aliás muito apreciadas.
Teve por professores Vitor Meireles, Agostinho da Mota, Pádua Castro e Zeferino da Costa.
Foi três vezes à Europa: em 1880, 1885 e 1887. Seguiu, pela primeira vez, em abril
daquele ano, tendo logo regressado, a fim de concorrer à cadeira de paisagem da Academia,
o que efetivamente fez, sendo classificado em segundo lugar.
De volta, em 1884, fez exposição dos seus trabalhos executados no estrangeiro, tendo
feito segunda exposição três anos depois.
No cultivo da sua arte, tentou a paisagem, a pintura histórica e a de gênero. A sua
feição primordial, porém, foi a de paisagista, aliás, aquela em que se revelara em
primeiro lugar.
"Tinha Monteiro inato o sentimento da perspectiva aérea, razão porque observa, em
todas as suas paisagens, uma perfeita harmonia entre a terra, o céu e o ar: pintava-as
todas ao natural, levando para o campo as telas definitivas, que raríssimas vezes
retocava, pois, no momento de o fazer, sentia certa repugnância, pelo receio de
afastar-se da verdade."
A despeito dos tons de academicismo de que se revestia a sua paleta da primeira fase, não
se podia deixar de sentir, em todas as suas paisagens, um quê de melancolia, de suavidade
e de sentimento, que outra coisa não era, senão aqueles traços instintivos de sua
psicologia, ungida sempre de ingênita tristeza.
Na maioria, senão na totalidade de suas paisagens, é possível e mesmo certo, em
algumas, se nos depararem traços de dureza, deficiências de desenho e outros defeitos,
mas, o que nelas sempre alcançou o artista foi reproduzir a verdade, através do prisma
de grande sentimento.
Senão inteiramente sacrificadas, porém, em grande parte prejudicadas, ficaram essas
primitivas qualidades, quando o paisagista, animado com o inesperado sucesso do seu quadro
A fundação da cidade de São Sebastião, obra elogiada «com mais complacência
que justiça», abandonando a especialidade que, com tanta aptidão, cultivava, se
iniciou, impensadamente, pelo caminho duvidoso da pintura histórica.
Firmino não estudara suficientemente para empreender esse novo gênero, e a prova disso
está em que as figuras de seus quadros deixam constatada a falta de conhecimento da
anatomia do corpo humano, sem o que seria impossível vencer as dificuldades.
Mais
feliz, no geral, foi nos seus quadros de gênero. É que, nestes, tinha a segurança do
paisagista. E nesse caráter foi que se revelou artista, deixando regular produção.
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