Francisco Augusto Biard
1799-1882

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O viandante

     Nascido em Lyon (França) e falecido em Fontainebleau (França). Destinando-se ao sacerdócio, cedo optou pela pintura, que estudou em sua cidade natal, com Revoil.

     Transferindo-se para Paris, estreou no Salon de 1824, com lntérieur d'une cour d'auberge. Espírito aventureiro, embarcou em seguida na corveta La Bayadère, visitando em 1827-28 o Egito e a Síria.

     Foi depois à Lapônia, e na volta radicou-se novamente em Paris, onde desenvolveu bem sucedida carreira como retratista. Partindo para o Brasil, chegou ao Rio de Janeiro em maio de 1858, e em novembro de 1859 regressava à Europa, depois de ter visitado, além da capital e de suas cercanias, o Espírito Santo, atingindo ainda o Pará e o Amazonas pelo litoral.

Dois anos no Brasil

     Em 1862 reunia em livro, sob o título Deux annés au Brésil, as narrativas que desde havia algum tempo vinha publicando em capítulos no periódico La Tour du Monde.

     Desse livro, escreveu Gonzaga Duque:

     «Esteve algum tempo no Rio de Janeiro, onde recebeu inequívocas provas de apreço e consideração, chegando a obter do Imperador um ateliê nas salas do Paço.

     Essa delicada hospedagem valeu ao Brasil, e particularmente aos fluminenses, um livro de crítica injusta e de calúnias disfarçadas em sutilezas de verve parisiense. Em português qualifica-se esse procedimento com um adjetivo pesado e justo no molde, porém em francês e em linguagem delicada chama-se isso grosse bonne humeur.

     Biard, que praticou o retrato, cenas de família, históricas ou militares e principalmente paisagens, cenas e episódios de suas viagens, como Baie de la Madeleine à Spizberg (1844), Le Désert, Arabes Surpris par le Simoun, Embarcation Attaquée par des Ours Blancs, etc., dispunha de excelente técnica, mas psicologicamente era mais dotado para a caricatura do que para a pintura.

Mordaz e irreverente

     Com efeito, de espírito mordaz e irreverente, deram-lhe, por causa disso, o epíteto de "o Paul de Koch da Pintura", numa alusão popular ao novelista francês que escreveu grande número de livros sobre a vida parisiense de meados do Oitocentos, numa linguagem crua, se bem que pitoresca.

     Muito embora deste pintor sejam ainda hoje procuradas, pela carga de exotismo e pela curiosidade que despertam, Biard não passou à História como um grande artista, mas como o marido da "Belle Biard", a célebre e lindíssima Leonie d'Aunet, amante de Vitor Hugo (que lhe dedicou vários poemas) e pivô de escandaloso caso que quase leva o poeta à prisão.

No Brasil, raras são as pinturas de sua autoria, destacando-se, no Museu Nacional de Belas-Artes, o Retrato de Senhora.
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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Professor honorário da seção de pintura da Academia, nomeado pelo marquês de Olinda, em 13 de
agosto de 1858.
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Rio Tocantins (1862)