Francisco
Aurélio de Figueiredo e Melo (irmão de Pedro Américo), nasceu em Areia, Estado da
Paraíba e falecei na cidade do Rio de Janeiro.
Demonstrando desde cedo pendor para o desenho e a caricatura, foi enviado na adolescência
para o Rio de Janeiro, a fim de cursar a Academia Real de Belas-Artes, o que fez sob a
orientação do próprio Pedro Américo e do eventual substituto deste, Júlio Le Chevrel.
Por volta
de 1871, ainda estudante, publicou em A Comédia Social suas primeiras
caricaturas. Colaborou também na Semana Ilustrada, entre 1873 e 1875, sempre com
caricaturas, nas quais se destacam, no dizer de Herman Lima, "o traço vigoroso e
elegante, o desenho correto e limpo, a composição harmônica".
Concluído o curso da Academia, Aurélio de Figueiredo parte para Florença, onde já se
encontra o irmão mais velho: permanece na Europa de 1876 a 1878, tendo sido aluno, na
Itália, de Antonio Ciseri, Nicolo Barabino e Stefano Ossi, todos eles pintores de
história, gênero e retratos.
Em fins
de 1878 acha-se de novo no Brasil, dando início a curta colaboração em O Diabo Coxo,
de Recife, encerrada em 1879 quando o periódico deixou de circular.
De novo
no Rio, mas com algumas viagens à Europa, Aurélio de Figueiredo inicia em 1880 intensa
atividade, produzindo abundantemente, expondo com freqüência.
Gonzaga
Duque, em fins da década de 1880, acentua-lhe a predileção pelas alegorias e pela
pintura decorativa, a facilidade do pintor e o seu talento. A obra mais notável dessa
fase é sem dúvida a grande composição Paulo e Francesca de Rimini, de
1883, em que se destacam a composição e o tratamento das texturas.
A década
de 1890 será também de muita atividade: Aurélio de Figueiredo pinta, então, alguns de
seus melhores trabalhos, como O Copo d'água (1894), além de se impor
como autêntico líder de classe, tentando, embora em vão, congraçar os artistas em
torno a uma Galeria Livre, um "centro de atividade e expansão artísticas"
destinado a agitar o marasmo cultural da época.
Foi porém em 1905 que o artista
pintou sua obra mais célebre, A Ilusão do Terceiro Reinado, feita com
autorização do Congresso Federal e adquirida pelo Presidente Rodrigues Alves.
Este quadro é
de importância histórica, porque focaliza episódio desenvolvido durante o célebre
Baile da Ilha Fiscal, o último da Monarquia. Tal obra é mais conhecida, embora
erroneamente, como o Último Baile da Ilha
Fiscal, se bem que o próprio artista, em pelo menos uma ocasião,
a tenha designado como O Advento da República (Renascença, nº 37,
março de 1907).
Muitas
outras composições históricas executou Aurélio, entre elas Abdicação de Pedro I,
Tiradentes no Patíbulo, Redenção do Amazonas, Derradeira Sinfonia - obras
de encomenda, ou que se destinavam a serem compradas por governos provinciais.
Como os
temas para esses trabalhos eram sugeridos por historiadores, havia maior preocupação com
aspectos documentais do que propriamente artísticos.
Não
será nessas grandes composições que encontraremos o melhor de Aurélio de Figueiredo, e
sim nas obras de cavalete, «pequenas fantasias de pincel», como a algumas delas chamou
Gonzaga Duque.
Aurélio
foi também paisagista, pintou naturezas-mortas e flores, fez retratos e, para o Teatro
Municipal do Rio de Janeiro, apresentou, em 1909, quatro deliciosos esbocetos.
Paralelamente, praticou a escultura, foi poeta e romancista, tendo inclusive vencido um
concurso instituído pela Folha Nova de São Paulo, com o romance Missionário.
Deixou
obra abundante, que expôs em numerosíssimos ensejos, não apenas no Rio e em São Paulo,
como em várias outras cidades brasileiras. Pequena parcela dessa sua produção foi
mostrada no Museu Nacional de Belas-Artes em 1956, por ocasião do centenário do seu
nascimento.
Foi, como
Pedro Américo, um romântico; mas sem os arroubos de teatralidade e grandiloqüência do
irmão.
Como
artista, aliás, há quem o anteponha ao autor da Batalha do Avaí, pois foi sem
dúvida maior colorista, dotado de maior emoção, e sobretudo, de uma visão mais
atualizada.
Faleceu a
9 de abril de 1916, deixando nas filhas o velho gosto musical da família, por elas
concretizado na Escola Figueiredo, famosa na crônica do ensino de piano da antiga capital
da República.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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