Filho de boa família...
Nascido
no Rio de Janeiro e falecido em Paris. Filho do pintor Armand Julien Pallière e neto do
grande arquiteto Grandjean de Montigny.
Em 1830 partiu para a
França na companhia paterna, realizando mais tarde, em Paris, o seu aprendizado
artístico, como aluno de Jules-Eugéne Lenepveu, pintor decorador, e do mestre deste, o
pintor histórico François-Edouard Picot.
Tinha 25 anos quando,
retornando ao Brasil, matriculou-se na Academia Nacional de Belas-Artes. Já no ano
seguinte (1849), contrariando todos os dispostivos do regulamento, deram-lhe, no quinto
concurso do prêmio de viagem, a láurea máxima - três anos de aperfeiçoamento em Roma
-, a despeito dos protestos de Porto-alegre pela imprensa.
Muito embora já fosse
Grandjean Ferreira, àquela época, artista de excelentes recursos técnicos e
expressivos, pesou certamente para a concessão do prêmio o sobrenome, bem como a
simpatia de Felix Emile Taunay.
O Brasil pagou, a
Argentina levou
Partindo para a Itália em
1850, foi em Roma que executou uma Alegoria às Belas Artes, destinada a
ornamentar o teto da biblioteca do antigo prédio da Academia Imperial de Belas Artes
(demolido em 1938).
Terminado o tempo de sua
pensão, foi a mesma prorrogada ainda por dois anos, para que pudesse estudar gravura em
metal.
Ao regressar de Roma,
Grandjean Ferreira dirigiu-se diretamente a Buenos Aires, onde permaneceria de 1856 até
1866, com uma viagem ao Chile em 1858 (documentada em seu Diário de viaje por America
del Sud e algumas escapadas a Paris, após 1861.
Na capital argentina
publicou, em data não-precisada, seu Álbum Palliére - escenas americanas, com
litografias baseadas em pinturas de sua autoria.
Fez ainda paisagens e cenas
de costume a óleo e aquarela, e lecionou Desenho na Escola Normal do Colégio de
Huérfanos.
Neoclássico, com expressão
esteriotipada
Retornando em definitivo à
Europa em 1866, radicou-se em Paris, onde até o fim da vida continuou produzindo pinturas
de temática argentina, além de expor regularmente no Salon, obtendo menção honrosa no
de 1876.
Grandjan Ferreira começou
sua carreira sob o influxo do Neoclassicismo, e são ainda até certo ponto neoclássicas
as decorações da biblioteca da Academia Imperial (tão encomiadas por Gonzaga Duque) e
uma série de obras de temática religiosa ou pagã conservadas no Museu Nacional de
Belas-Artes, como Fauno e Bacante, Jesus em Getsêmani e Descimento de Cristo.
Bem estruturadas e, do
ponto de vista do desenho, corretas, tais obras apresentam aquela palidez cromática
típica do Neoclassicismo, e nelas a expressão é algo estereotipada, convencional.
Um investimento que o
Brasil não aproveitou
Voltando porém da viagem
à Itália e se fixando por longos anos na Argentina, Grandjean Ferreira encontraria,
nesse pais precioso filão temático onde exercitar sua técnica, fixando aspectos de
vilas e cidades, a vida rural, o campo, os usos e costumes locais.
Em tais obras torna-se mais
espontâneo e sensível, e mormente quando realiza esboços ou aquarelas, artista
verdadeiramente apreciável, despojado de preconceitos e preocupado somente em fixar, com
emoção, o que tinha ante o olhar.
Tão ampla foi sua
atuação na Argentina, e de tal modo preciosa a qualidade e a tipicidade do que nesse
país realizou, que deve em verdade ser considerado antes de tudo artista argentino, que
só secundariamente interessa à pintura brasileira e à francesa.
Fonte: CD-Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
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