TIMÓTEO DA COSTA, João (1879-1932). Nascido e falecido no Rio de Janeiro. De
família numerosa e desprovida de recursos, tinha cerca de 15 anos ao ingressar na Escola
Nacional de Belas-Artes, onde estudou nos próximos 8 anos com Daniel Bérard, Rodolfo
Amoedo e Zeferino da Costa, ao mesmo tempo em que trabalhava como aprendiz na Casa da
Moeda, dirigida por Enes de Souza.
Expôs no Salão
Nacional de Belas Artes desde 1906 e nele conquistou todos os prêmios, até a pequena
medalha de ouro, nunca se candidatando, contudo, ao prêmio de viagem:
«É curioso, pois
não é? Parece que a Europa me infundia certo receio, pavor. Entretanto, lá estive - e
que agradável temporada foi essa - mas como verdadeiro artista, contratado pelo governo
brasileiro para fazer decorações no Pavilhão da Exposição de Turim, na companhia de
outros colegas. Esta comissão durou um ano e meio, tendo-me servido para que ficasse
conhecendo os museus de arte da Itália, da França, da Suíça, e de Barcelona, na
Espanha.»
A permanência na Europa alongou-se de 1910 a 1911 e possibilitou a João Timóteo
apreciar, em Paris, a obra de Puvis de Chavannes, que vivamente o impressionou. E foi a
influência do grande artista que repercutiu, anos mais tarde, nas decorações que
realizou na antiga Câmara Federal, no Fluminense Futebol Clube e no Copacabana Palace
Hotel, no Rio de Janeiro.
A carreira
de João Timóteo não foi longa, de vez que o pintor, falecido com pouco mais de 50 anos,
muito antes do desaparecimento resvalara para uma enfermidade mental que o privara da
razão. Ainda assim sua produção eleva-se a cerca de 600 obras entre retratos, paisagens
e marinhas, pinturas de história e de gênero. A operosidade do artista era intensa, como
ele inclusive explicou, não sem alguma vaidade:
«Eu, por
exemplo, nem alunos aceito, porque não tenho tempo disponível para dar lições. Todas
as minhas horas estão tomadas pelas encomendas que me são confiadas.»
Na obra de João
Timóteo merecem destaque os retratos e de modo geral as figuras e as paisagens, de belo
desenho e sensível colorido. Sobre a paisagem brasileira, aliás, o artista externou
conceitos verdadeiramente judiciosos, numa entrevista à Ilustração Brasileira:
«O Brasil
pode ser o país ideal para qualquer ramo da atividade humana, menos para as Belas Artes.
Temos essa natureza prodigiosamente exuberante que a todos maravilha, mas da qual só
muito dificilmente se pode tirar um real proveito.
«Nós
somos vítimas de nossa própria beleza, porque é uma beleza difícil por excesso de luz.
Ao passo que a luz atenuada realça os planos, o excesso de luz confunde-os, tornando a
pintura mais difícil. O nosso sol perenemente glorioso torna as paisagens quase
irreproduzíveis, porque lhes prejudica os contrastes, tornando-os deficientes.
«E o
contraste é tudo. Na Europa pode-se pintar até o próprio sol. Aqui isso não passa de
um mito. Há horas em que o excesso de luz é tal, que não se pode ver; e o que não se
pode ver, não se pode pintar.»
O artista - como, bem antes dele,
seu irmão mais moço Artur Timóteo - faleceu no Hospício dos Alienados do Rio de
Janeiro, havia muito afastado de qualquer atividade.
Fonte: CD Rom 500 anos da Pintura Brasileira
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