Natural dos Açores
Nascido nos Açores
(Portugal) e falecido no Rio de Janeiro. Chegando a essa cidade por volta de 1865, logo
depois ingressou no Liceu de Artes e Ofícios, ali aprendendo encadernação.
Em 1868 matriculou-se na
Academia Imperial de Belas-Artes, tendo por mestres a Vitor Meireles e Sousa Lobo, entre
outros, e por colegas a Almeida Júnior, Firmino Monteiro, Estêvão Silva, Henrique
Bernardelli e seus dois compatriotas Pedro Peres e Augusto Rodrigues Duarte.
Na Exposição de 1871
recebeu medalha de prata; cinco anos depois, com Retrato de Senhora, era a
vez da medalha de ouro. Em 1882 exporia, sem sucesso, Uma mulher costurando à porta
do lar com o filhinho ao colo, título quilométrico para um quadro banal.
Seu quadro Morte de
Sócrates (que fora sua prova de composição no concurso de desenho figurado de
1878) e principalmente Iracema, tela inspirada na narrativa de José de
Alencar, lograriam, inversamente, enorme êxito, quando expostos em 1884.
Obras primas do indianismo
Ao lado de Marabá e
Último Tamoio, de Amoedo, de Exéquias de Atalá, de Augusto Rodrigues
Duarte, de Moema, de Vítor Meireles, e de bem poucas outras pinturas, Iracema
é uma das obras mais significativas do indianismo pictórico no Brasil.
A composição é
extremamente simples: o espaço pictórico está dividido em duas metades,
horizontalmente, vendo-se no primeiro plano, à esquerda, sobre a fímbria de areia da
praia, diante da árvore, a "Virgem dos lábios de mel", que lentamente se
encaminha em direção a uma flecha fincada ao solo e transfixando um ramo de maracujá, a
flor do amor.
Para a direita estende-se o
mar, cujas ondas vêm morrer mansamente na areia, enquanto ao fundo pode-se divisar um
morro coberto de vegetação, e mais à direita, sobre a linha do horizonte, o céu.
De toda essa pintura
extremamente romântica evola-se uma grande melancolia, um inefável sentimento de
nostálgica ternura; e se a figura da índia é bem resolvida no que respeita a
volumetria, desenho e colorido, é inegável que a parte mais feliz de todo o quadro
reside na linda paisagem que lhe serve de perfeito cenário.
Forjando a arte brasileira
Ao lado da pintura de
história, do retrato, da pintura de gênero, da paisagem e da marinha, José Maria de
Medeiros dedicou-se ao magistério, tendo tomado posse em 1879 na cadeira de Desenho
Figurado da Academia após se impor a quatro candidatos, entre eles Pedro Peres.
Permaneceria até 1891 na
Academia, sendo então transferido para o ensino público de segundo grau, e em 1897, para
o Instituto Profissional João Alfredo, jubilando-se em 1911.
Entre seus discípulos mais
notáveis devem ser citados Visconti, Batista da Costa, Belmiro de Almeida, Oscar Pereira
da Silva, Castagneto, Rosalvo Ribeiro, Eugênio Latour e Rafael Frederico.
Com os pés sobre
a Guanabara
O artista realizou apenas
duas individuais, ambas na Galeria Rezende, do Rio de Janeiro: a primeira em 1897, segunda
e última dois anos depois.
Sua produção, numerosa,
pauta-se por sóbrio desenho, rico modelado e colorido discreto. Nunca saiu do Rio de
Janeiro, nem sequer, como os demais pintores do seu tempo, para a indefectível viagem de
aperfeiçoamento à Europa.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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