Irmãos Moreaux
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O irmão mais novo

MOREAU, Louis-Auguste (1818-77). Nascido em Rocroy (França) e falecido no Rio de Janeiro.

     Irmão mais novo de François- René Moreau, acompanhou-o ao Brasil em fins da década de 1830, fixando-se no Rio de Janeiro por volta de 1840 após residir por algum tempo em Pernambuco, na Bahia e no Rio Grande do Sul.

     Expondo em 1841 seu quadro Alta de Mineiros conquistou medalha de ouro na II Exposição Geral de Belas Artes; voltaria a tomar parte nesse certame em 1843, 1845, 1846 e 1850, sendo que em 1843 sua composição Jesus Cristo e o Anjo granjeou-lhe a Ordem Imperial da Rosa no grau de Cavaleiro.

A delicadeza do toque

     Foi pintor de história, de retratos e figuras, destacando-se em sua produção o retrato da atriz Lagrange na Desposada de Lammermoor (Museu Nacional de Belas-Artes), do qual afirmou Gonzaga Duque:

     «Sob o ponto de vista do colorido, e mesmo sob o ponto de vista do desenho, este soberbo retrato passa todas as suas obras. A tonalidade é fresca e terna, a difusão da luz é doce e, como que lentamente espargida, as meias tintas e os reflexos foram jogados com um requinte inimitável.

     «O braço esquerdo, nu, estendido no espaço, em linha horizontal, é de uma carnação perfeita, de um modelado escultural.

     «Toda a figura é imponente, majestosa. A sua cabeça aquecida de sedosos e negros cabelos, a sobranceria do seu olhar, a roupa alva que lhe envolve o corpo, o manto azul que das espáduas desce até o chão lambendo-lhe, submisso, as pegadas, resumem um não sei que de apaixonado, como se houvesse por parte do artista extraordinário interesse em reunir sua alma à peregrina beleza daquela figura.

     «Parece-me que, nessa grande tela, há mais alguma coisa além da arte... Parece-me que um sentimento análogo ao sentimento que fez de Greuze, o Abelardo de Letícia, uma obra-prima da natureza, guiava a mão febril do artista, misturava os tons com o seu pensamento, embebia as tintas no seu sangue...»

Em parceria com Buvelot

     Devaneios à parte, é inegável que a arte de Louis-Auguste Moreau, como um todo, supera, pela intensidade lírica de que dá provas, a do irmão mais velho, inserindo-se na vertente romântica que então campeava solta na atmosfera.

     Cite-se mais, desse excelente pintor e não menor artista, a colaboração que manteve após 1842 com o paisagista suíço Abraham-Louis Buvelot, da qual nasceu o álbum de litografias O Rio de Janeiro Pitoresco, impresso em 1845, no Rio de Janeiro, pela oficina de Heaton e Rensburg, cabendo a Moreau a execução das figurinhas, e a Buvelot a dos grandes cenários urbanos.

     E enfim, a dar provas do fôlego de que era dotado, e dos recursos técnicos e estilísticos de que sabia lançar mão, quando necessário, sua composição talvez mais conhecida - Dom Pedro II visitando os Doentes de Cólera Morbus, hoje no Museu da Cidade, no Rio de Janeiro.
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O Grito do Ipiranga
(Pintor: Francisco Renato Moreaux)
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O irmão mais velho

MOREAU, François-René (1807-60). Nascido em Rocroy (França) e falecido no Rio de Janeiro.

     Tendo feito seu aprendizado artístico em Paris, com o célebre Gros, veio para o Brasil, acompanhado do irmão caçula (o também pintor Louis Auguste Moreau), em fins da década de 1830, fixando-se sucessivamente em Pernambuco, na Bahia e no Rio Grande do Sul antes de se radicar em definitivo no Rio de Janeiro em 1841.

     Desse ano até 1859 tomou parte com freqüência nas Exposições Gerais de Belas Artes, e na de 1842 foi premiado com a grande composição histórica Sagração de Dom Pedro II, recebendo o Hábito da Ordem de Cristo.

A paleta

     Referindo-se a essa obra, Gonzaga Duque ressalta-lhe o colorido, "riquíssimo", embora logo em seguida ressalve: «A habilidade de Francisco Moreau não passa dos segredos da paleta.»

     Do mesmo modo, ao analisar seu David Triunfante, exposto em 1843, Gonzaga Duque destaca-lhe o cromatismo, afirmando que «o azul, o nácar, o amarelo e o verde realçam-se na tela e são os mais lindos possíveis».

Duelo de gigantes

     Orgulhoso e altivo, Moreau respondeu a Porto-alegre - que lhe criticara o David Triunfante, em termos veementes, usando o pseudônimo de «Um Brasileiro Nato».

     Mais tarde, não tendo esquecido as restrições de Porto-alegre a seu trabalho, caricaturou o artista brasileiro, então à frente da Academia, no anônimo Álbum do Pintamonos (provavelmente de 1856) e em dois desenhos estampados no Brasil Ilustrado de 15 de julho do mesmo ano.

     Muito embora particularmente cotado como pintor de história e retratista, Moreau realizou também algumas vistas urbanas.

     Para a Galeria Contemporânea Brasileira, série litográfica publicada por Heaton e Rensburg, traçou alguns retratos de personalidades; e, como era de praxe e quase obrigatório, retratou também os Imperadores, em duas telas hoje no Museu Imperial de Petrópolis.

Lutando pelo ensino da arte

     De resto, incentivou o ensino artístico, colocando-se entre os que mais se bateram pela fundação do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

     Mas o melhor de François-René Moreau não está nos retratos de figurões, ou nas grandes composições históricas, como O Grito do Ipiranga que outrora adornava o Senado, mas sim em telas como delicioso Retrato de Menina do Museu Nacional de Belas-Artes.

     Nesse quadro, esquecendo-se por alguns momentos das lições do Barão Gros e de sua habitual teatralidade, representou a figura de corpo inteiro de uma meninota contra um fundo paisagístico, dentro de uma atmosfera quase ingênua e de qualquer modo encantadoramente simples.
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Retrato de Menina (Pintor:
Francisco Renato Moreaux)
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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Artistas franceses que aqui viveram e gozaram de bom nome, principalmente
o segundo.
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