Augusto Müller

(1815 - ? )

 
 


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Retrato de Dona Antônia
Alves Carvalho

Alemão, com formação
brasileira

     Nascido em Baden (Alemanha) e falecido no Rio de Janeiro.

     Chegando ao Brasil ainda criança, matriculou-se em 1829 na Academia Imperial de Belas-Artes, tendo sido dos mais destacados discípulos de Debret.

     Premiado na exposição de alunos de 1834, foi, no ano seguinte, nomeado lente, por concurso, da cadeira de Paisagem, passando a catedrático em setembro de 1851, com a aposentadoria de Félix-Emile Taunay.

Retratista e paisagista

     Augusto Müller praticou a pintura histórica (Jugurta no fosso de Túlia é sua obra mais conhecida no gênero, tendo-lhe valido a Ordem da Rosa quando exposta), o retratismo (Grandjean de Montigny, Retrato de Correia dos Santos, Mestre de uma Sumaca).

     Foi também um paisagista, destacando-se nesse último gênero as vistas do Rio de Janeiro que, entre 1835 e 1840, executou por encomenda do Cônsul dos Estados Unidos da América na capital do Império, e que lhe garantem uma situação privilegiada entre os pioneiros da pintura paisagística no Brasil.

     Homem de temperamento altaneiro e mesmo arrogante, pouco afeito à mediocridade do ambiente cultural em que viveu, era natural que se retraísse e mesmo que, ao fim da vida, abandonasse de todo a pintura.

A dupla personalidade

     Gonzaga Duque, estudando-lhe os rasgos da personalidade, dele traça um perfil doloroso:

     «Diante dessa obra, tão pequena em quantidade quanto vasta em boas qualidades, naturalmente pergunta-se pelo artista. O artista... como é doloroso dizer!...

     «O artista foi corrompido pelo homem. Esta metade do ser que o distinguia deixou de existir, porque um ceticismo profundo, transcendente, apagou de sua compreensão a idéia de um destino a cumprir.

     «A natureza dotou-lhe com um temperamento rebelde e nervoso, a educação formou o seu caráter arrogante e despótico, a sociedade trocou as suas ilusões por desenganos e lágrimas.

     «O homem era forte, porém não sabia sofrer. E, quando no seu espírito enobrecido pelo estudo, a imaginação criadora alentou-se como a águia que aspira o oxigênio das alturas, estendendo as asas para o infinito, confrangeu-se-lhe o coração e a palheta tombou de suas mãos convulsas. O desprezo dos contemporâneos tinha-lhe saturado a alma de ódio e fel.»

Sumiu no ostracismo

     Esse ressentido, esse amargurado, lecionaria até 1860 na Academia, tendo-lhe cabido formar a entre outros Sousa Lobo;   depois, jubilado, nunca mais se ouviu falar dele.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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Primeira medalha - Paisagem

     Natural de Baden, Alemanha, nascido em 1815, veio em tenra idade para o Brasil, onde fez a sua educação artística, residiu e faleceu. Matriculado na Academia Imperial de Belas Artes a 20 de novembro de 1829.

     Em 1831, na primeira exposição pública de prêmios aos alunos, alcançou a grande medalha de paisagem e foi sempre um aluno laureado.

     Foi nomeado, mediante concurso, lente substituto da cadeira de paisagem, por decreto imperial de 26 de março de 1835, tomando posse a 22 de abril do mesmo ano, passando a catedrático da referida disciplina, com a aposentadoria de Felix Emílio Taunay, por decreto de 1º de setembro de 1851, função que exerceu até 1860, ano em que se jubilou.

     Além de paisagista, foi pintor histórico e retratista. Sem nunca ter saído do país, foi o mais notável artista de sua geração e um dos mais notáveis artistas brasileiros. A sua arte é larga, vigorosa, brilhante e revestida de inconfundível energia de toque. Quer na de gênero, quer na de paisagem ou na pintura de retrato, os seus trabalhos revelam sempre a segurança de um pincel de mestre.

Um gênio esquisito
e retraído

     Era um gênio esquisito e retraído. De uma feita, endereçando-lhe Porto-alegre, então diretor de algumas reflexões acerca de seu programa de ensino, apresentado à Congregação, em sessão de 29 de outubro de 1855, lhe respondera desta forma:

     "Sou artista - os encômios (elogios) obtidos na exibição de meus trabalhos, de há muito me trouxeram segurança. Sou professor - a preferibilidade conseguida num concurso, afirmou-me. Devo ser respeitado - esse tríplice quesito garante semelhante invulnerabilidade...

     "Os nossos artistas devem ser americanos. É assim que se exprime o Sr. Diretor sobre o meu programa. Ora, porque os discípulos copiem quadros europeus para entrar na mescla das tintas, não obsta a que se nacionalizem na arte. Os princípios elementares da arte têm uma só pátria, e essa é o mundo. E, para refutar essa proposição, basta-me apontar o Sr. Mota, que não só estudou a paisagem na Europa, como também principiou pelo sistema rotineiro, e no entanto é artista americano e pinta o nosso país com verdade!!

     "Enquanto às razões apontadas pelas mesmas reflexões em favor da prática da pintura em aquarela, não me convencem, sendo até um falso sistema para o artístico e desfavorável para a reprodução das formas, e, sem prestar convenientemente no que respeita ao aéreo da paisagem, só servirá de embaraço na sua carreira artística.

     "É necessário ao professor de paisagem, para que seja perito, tenha noções gerais de botânica, geologia e metereologia. Mesmo quando fosse isto uma verdade, cuja hipótese não admito, seria inconveniente dizê-lo a quem tem, por meio dos seus trabalhos, conseguido senão uma reputação artística de Claude Lorrais, ao menos uma capacidade bastante a descalçar a luva e atirá-la, em pleno concurso, aos seus censores.

    "Convenho que a ciência desses princípios, apontados pelo Sr. Diretor, seja vantajosa, mas não ao paisagista, como meio de sua perfectibilidade, serão a todo o indivíduo que pretender os foros do enciclopedismo, para divagar constantemente, embora superficializado em tudo"

No acervo da Galeria Nacional

    A Galeria Nacional conserva deste artista os seguintes trabalhos - Jugurta na Prisão, Paisagem, no Rio de Janeiro; Retrato de um mestre de Sumaca; Retrato de Grandjean de Montigni.

     Entre seus discípulos, figurou Antônio Araújo de Sousa Lobo.
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