Artista de superior
talento, tem tido uma carreira original, sempre isolado consigo mesmo, cheio de audácia,
invencível no esforço e com espantosa capacidade de trabalho. A sua obra é vastíssima,
desordenada, cheia, alternadamente, de luminosidades e descaimentos, correspondentes à
sua natureza impulsiva.
É um artista sui-generis
em nosso meio: combatido e invejado, mas nunca esmorecido. Tem feito entre nós cerca de
trinta exposições dos seus trabalhos, afora as que tem feito no estrangeiro. É um
vitorioso na colocação de seus quadros, podendo-se adiantar que é, talvez, o mais
abastado dos pintores nacionais e um dos raros que tem vivido dos resultados da sua arte.
Viaja continuamente pelo estrangeiro e tem, além do daqui, um ateliê em París, onde
várias vezes concorreu ao Salão.
Tem tentado todos os gêneros. Começou por ser
paisagista, dando-nos interessantes quadros, como seja o seu Sertanejas. Mais
tarde, depois de ter viajado para a Itália, fez-se pintor animalista, produzindo Ovelha
Ferida, Esperando o anzol, Morte do Pastor, Carro de bois, etc.; fez-se pintor de
costumes, como o atestam Carnaval na roça, Lar infeliz, Saudades, Tormenta,
Recordações do passado, Arte e miséria.
Passou, em seguida, a pintar o nu, dando-nos Fantasia, Pirinéia, Dolorida,
Flor brasileira e Nonchanlance [Displicência];
e, finalmente, hei-lo pintor histórico, com as telas Conquista
do Amazonas, Fundação de Niteroi, Fundação do Rio de Janeiro, Fundação de São
Paulo, Proclamação da República Riograndense, e outros.
Além dos já referidos, conhecemos: Pescador de
traíras, Vencido, Aretusa, Morte de Estácio de Sá,
A tarde, Depois da trovoada, Funeral em São Doná, Pescadores do Adriático, Turbínio,
Parque abandonado, Brejal, Final da Tragédia, Praia de Icaraí e outros.
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