Augusto Petit

1844-1927
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Pintando «abóboras»

     Nascido em Chatillon-sur-Seine (França) e falecido no Rio de Janeiro.

     Tendo-se radicado no Brasil em 1864, desenvolveu toda a sua carreira no Rio de Janeiro, participando com freqüência da Exposição Geral de Belas-Artes (menção honrosa em 1882, medalha de prata em 1884).

     Retratista e paisagista, pintor de naturezas-mortas e professor, destacou-se no primeiro desses gêneros, embora a opinião que dele tinha a crítica contemporânea não fosse das melhores, a julgar por essas palavras de Gonzaga Duque:

     «Também teve fama de fisionomista o Sr. Augusto Petit, pintor feito pela força de vontade. Augusto Petit foi, durante muito tempo, a maior fábrica de retratos que houve no país. Fazia-os de todos os tamanhos e de todos os feitios, e, o que mais o recomendava, retratava comendadores perfeitamente comendadores. Abóboras dos pés à cabeça.»

Pré-moldados

     Em 1898, ainda ganhou uma medalha de terceira classe no Salão Nacional de Belas Artes, e em 1901 mantinha ateliê na Rua do Rosário, 123 sobrado, onde teria como ajudante o jovem pintor Guttmann Bicho.

     Segundo Guttmann, ali conservava, semi-esboçadas, figuras togadas ou fardadas, a que apenas acrescentava as cabeças, uma que outra medalha, esse ou aquele detalhe de postura, à medida que apareciam os clientes, e para se poupar tempo...

     Os retratos de Dom Pedro II e de Dona Teresa Cristina, no Museu Imperial de Petrópolis, dão bem o exemplo do seu estilo, correto, mas extremamente frio e convencional.

Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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     Natural da França, e nascido a 12 de julho de 1844. Estudou em Chatilon-sur-Seine e foi discípulo de Eugênio Nesle.

     Chegou ao Rio de Janeiro a 18 de maio de 1864, dedicando-se, desde então, principalmente à pintura de retratos, subindo a mais de dois mil o número dos que tem executado.

     Tem vivido exclusivamente da sua arte, a que se consagra com amor e dedicação. Exerce, também, o magistério particular, contado com inúmeros discípulos [em 1916].

     Espírito suficientemente cultivado, é também de fina e aprimorada educação, que o torna cavalheiro assaz apreciado e querido.

     Vítima, muitas vezes, da inveja, no seio da própria classe a que pertence, se tem sempre sabido conduzir com superioridade não comum. Se no homem, as qualidades de caráter, de lealdade, de distinção e de irrepreensível conduta podem sobrepujar as do artista, estas se não deixam de traduzir por um esforço digno de aplauso e por uma operosidade edificante e modelar.

     Apresenta-se assiduamente nas exposições públicas. Na de 1879, que nos parece ter sido a primeira a que comparecera, expôs três retratos; na de 1884, expôs sete trabalhos, tendo sido premiado com a medalha de prata; e no salão anual de 1898, obteve a medalha de terceira classe. Tem inúmeras condecorações e alcançou, na França, uma medalha de prata.

     Amando o Brasil como se fora a própria pátria, tem tomado parte em nossos movimentos sociais, sendo que a causa da abolição do elemento servil lhe mereceu dedicados esforços.

     A sua generosidade tem também se afirmado em valiosas ofertas feitas a diversas instituições brasileiras e portuguesas, de apreciados trabalhos históricos, dos quais podemos destacar o Retrato do Duque de Caxias, em tamanho natural, que se acha no Tribunal Militar e o Camões e o Jaú em Macau, que pertence à Real Sociedade de Beneficência Portuguesa.

     Na sua especialidade de retratista a óleo, é o artista que, entre nós, tem mais trabalhado, e o que maior número de quadros tem produzido.
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Retrato de Dom Pedro 2º