Carlo de Servi
(1871-1927)

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     Nascido em Lucca (Itália) e falecido na Itália. Chegando ao Brasil em 1896, após ter realizado seus estudos em Roma, viveu inicialmente em São Paulo, logo depois transferindo-se ao Rio de Janeiro, destacando-se como retratista e pintor decorativista.

     Expondo em 1899 no Salão Nacional de Belas Artes, nele recebeu medalha de ouro de terceira classe; voltaria a ser premiado no Salão de 1912, com a grande medalha de prata.

     Grande viajante, visitou Pernambuco (onde por algum tempo foi professor de Murilo Lagreca), a Bahia e chegou ao Amazonas (realizando inclusive trabalhos de decoração na Matriz de Manaus), expondo no regresso, na Associação dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, 86 paisagens, entre as quais 36 pintadas em Barra de São João (RJ), inspiradas em versos de Casemiro de Abreu, nascido nessa cidade.

     De Servi foi pintor de qualidades, bom desenhista e ótimo colorista, se bem que seus retratos pequem pelo convencionalismo.

     Carlos Rubens, escrevendo em começos da década de 1940, afirma que, depois da temporada nortista, retornou ao Rio de Janeiro, "onde ninguém ouviu mais falar nele".

     Na verdade, regressou à Europa em 1925. Sua obra acha-se espalhada por diversos museus, entre os quais a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu Nacional de Belas-Artes.

     Deixou também Lições de desenho, compêndio didático publicado em 1908.

Fonte: CD Rom «500 Anos da Pintura Brasileira»
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Texto do livro "Um Século de Pintura"
de Laudelino Freire

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     [Carlos de Servi], em 1896, veio para o Brasil, permanecendo em São Paulo e na cidade do Rio de Janeiro, onde tem firmado reputação de bom pintor. É assaz trabalhador e disso tem dado provas, com incessante produção.

     Incorporou-se estreitamente ao nosso movimento de arte, fazendo relações com os seus colegas, dedicando-se ao magistério artístico e concorrente às exposições anuais da Escola de Belas Artes desta cidade, onde tem obtido prêmios, entre os quais, a medalha de ouro de terceira classe em 1899 e a grande medalha de prata em 1912.

     Em 1913 foi eleito (juntamente com Batista da Costa, Pedro Peres, Henrique Bernardelli e Modesto Brocos), membro do juri que julgou os trabalhos exibidos na exposição anual.

     Os seus quadros aqui executados e de maior destaque são: O bispo de São Paulo visitando e socorrendo os febrentos de Sorocaba, existente no salão do Palácio Arquipiscopal daquele Estado; Reminiscências do passado; Cabeça de velho; Retrato do marechal Hermes da Fonseca, que está na Repartição Central de Polícia; Retrato do Bispo de São Paulo; Galeria dos Presidentes de São Paulo: Fernando Prestes, Campos Sales, Bernardino de Campos, Prudente de Morais, Jorge Tibiriçá e Américo Brasiliense, cujos retratos se acham no salão de honra do Palácio da Presidência naquele Estado; Adoração dos anjos ao menino Jesus; Anunciação; Retrato do general Dantas Barreto; O doentinho; Retrato de Múcio Teixeira; O descanso do tropeiro, que pertence à Pinacoteca de São Paulo; Lucíola, inspirado no romance de José de Alencar; América dos americanos; Retrato do Barão do Rio Branco; Arte e Pátria, na Intendência de Belém, Pará; As filhas de Mário, na Matriz de Manaus, Amazonas; Beijo materno; A cabocla; Morte do Barão do Rio Branco; Sonhos; além de outros.

      Tem executado inúmeros trabalhos de decoração em igrejas, estabelecimentos públicos e edifícios particulares.

     Na exposição de Milão, em 1906, o júri incumbido de selecionar, de todo o mundo, os maiores artistas italianos, conferiu-lhe o diploma de benemerência, cabendo-lhe ver o seu nome entre os dez primeiros.
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A cabocla