Domingos Garcia Vasquez ( ? - 1912)


Texto do livro "Um Século de Pintura"
de Laudelino Freire

     [Domingos Garcia y Vasques,] nascido na cidade de Vigo, Espanha, chegou ao Rio em 1876. Nesta cidade veio a falecer, suicidando-se num cinematógrafo na rua Carioca, em 1912.

VIGO, porto da Espanha (Galícia), no litoral do Atlântico; 261.300 hab. Automóveis. Derrota naval francesa pela frota anglo-holandesa (1702). Fonte: Enciclopédia koogan Houaiss.

     Iniciou seus estudos na Academia das Belas Artes, onde se matriculou em 1879. Depois de ter aí estudado durante algum tempo, abandonou a escola para estudar com Jorge Grimm, a quem deve, especialmente, a sua formação artística.

     Educado na escola ao ar livre, era levado ao campo pelo professor, que lhe ensinava a observar diretamente a natureza. Daí o se ter tornado um bom paisagista, sabendo colorir com a exata justeza da cor. Depois de estudar com Grimm, seguiu para a Europa, onde se aperfeiçoou com Hanateau.

     Dotado de grande talento, era um gênio esquisito, retraído e modesto. A isso se deve, em grande parte, o não ter gozado de maior renome, como o merecia, atentas as suas finas qualidades de organização acentuadamente artística. Ao invés de viver no bulício das exposições, apresentando-nos as manifestações do seu peregrino talento, preferia trocar as honras dos sucessos que naturalmente alcançaria, por um viver de solitário, afastado da vida do mundo, metido consigo mesmo, numa humilde choupana por ele construída no Canto do Rio, em Icaraí.

     Aí vivia como que ferido nas fontes da vida, a cuidar carinhosamente dos cães amigos, só o atraindo a esta cidade algum chamado da Casa Vieitas para trabalhos de decoração. Raramente concorria às exposições anuais da Escola de Belas Artes e, quando os fazia, os seus trabalhos eram assaz apreciados, merecendo dos críticos os mais francos aplausos.

     No salão de 1906, se apresentou com quatro excelentes paisagens, tendo assim se pronunciado a crítica mais autorizada da época:

     "Particularmente, Vasquez nos atrai. As suas quatro paisagens: Planalto de Teresópolis, Rio Paquequer, Serra dos Órgãos e Afluente do Paquequer, são magníficas. Esse pintor, que por tão longo tempo persistiu na obscuridade de uma voluntária existência humilde, é das melhores organizações artísticas que contamos entre os contemporâneos.

     "A sua visão apreende sinteticamente, o seu colorido é quente e, ao mesmo tempo, sóbrio, a sua maneira, original. Não reproduz unicamente, apenas interpreta, entra na expressão da natureza, funde-se com a sua alma."

     A sua passagem pela Academia foi das mais brilhantes, apesar de curta. A primeira exposição a que se apresentou foi, parece-nos, a de 1884, com os quadros A pesca, Restinga, Boa Viagem, e mais duas paisagens, que figuram no catálogo de De Wild.


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Acima: Rio, visto de Santa Teresa;
abaixo: Residência do pintor

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