João Marques da Silva Oliveira
(nome artístico: Marques de Oliveira)
1853-1927

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     Notável paisagista e exímio retratista, João Marques da Silva Oliveira (ou simplesmente Marques de Oliveira) estudou em Portugal com João Antônio Correia e Antônio José da Costa. Aperfeiçou sua arte na França, com Yvon e Cabanel.

     Marques de Oliveira (1853-1927) e Silva Porto  (1859-1893) foram almas gêmeas, tendo seus destinos ligados não só pela amizade, como por uma série de coincidências. Ambos estudaram juntos na Academia Portuense de Belas-Artes.

     Concorrendo um prêmio de viagem, ambos se tornaram, ao mesmo tempo, pensionistas do Estado e seguiram para Paris, onde prosseguiram os estudos. Depois, empreendendo uma viagem pela Europa, os dois percorreram a Bélgica, Holanda, Inglaterra e Itália.

     De volta a Portugal, criaram, com Columbano Bordalo Pinheiro, o Grupo do Leão, assim conhecido porque seus participantes se reuniam em uma cervejaria do mesmo nome.

     Os destinos se separaram quando Silva Porto foi nomeado professor da Academia de Belas-Artes de Lisboa, enquanto que Marques de Oliveira assumia a cátedra na Academia Portuense de Belas-Artes.

     Os dois eram essencialmente paisagistas e defendiam a idéia de que paisagem se pinta ao natural, ou seja, ao ar livre, diante do objeto que está sendo focalizado, tal como faziam os impressionistas. A pintura de estúdio, válida para outros gêneros não era conveniente para a paisagem, pois se obrigava, o pintor a trabalhar as cores de memória, a partir de esboços, perdendo a alma e a ambientação do natural.

     Geograficamente distantes, todavia, o trabalho de um complementou o de outro. Enquanto Silva Porto disseminava essas idéias de Lisboa ao Sul de Portugal, Marques de Oliveira fazia o mesmo desde o Porto até o extremo Norte do país.

     Silva Porto, segundo alguns críticos, apresentava alguma superioridade sobre seu colega na expressão de suas paisagens. Não obstante, Marques de Oliveira teve dois fatores em seu favor: primeiro, era um exímio desenhista e, como o desenho é o fundamento da pintura, conseguia um maior detalhamento no traço e no contorno; segundo, Silva Porto morreu em 1893, aos 34 anos, e Marques de Oliveira viveu ainda até 1927, suplantando-o em outros 34 anos (nova coencidência), que lhe deram mais lastro e notoriedade.

      O quadro abaixo, Esperando o barco, reproduzido em branco e preto, registra os rostos rudes e preocupados das mulheres de pescadores, «onde se sente o vento do lado e se respira uma atmosfera salina.»
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Esperando o barco
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