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Mário Eloy
1900-1951

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Como Van Gogh, Mário Eloy era um pintor que se situava completamente fora da órbita comum dos mortais, insatisfeito consigo mesmo, com dificuldades em se relacionar com o restante da humanidade, gerando uma produção intensa e febril, como se cada pincelada fosse o pulso do próprio coração, e cada quadro o sopro de ar a sustentá-lo vivo.

     Inconstante e insatisfeito, estudou primeiro em Lisboa, prosseguiu seus estudos em París e aperfeiçoou sua arte em Berlim, onde fixou residência e encontrou inúmeros admiradores de seu trabalho.

     Regressou a Portugal em 1936 e, embora tenha vivido mais quinze anos, sua participação pictórica na terra natal vai, da chegada, até 1940, não mais de quatro anos. Daí para diante, sua produção se torna errante e insegura e, em 1945 é ele, finalmente, internado na Casa de Saúde do Telhal, onde morre, depois de passar seis anos afastado de telas, pincéis e tintas.

     Não há, pois, paralelos constantes entre Eloy e Van Gogh. Ao contrário do pintor holandês, que só conseguiu, em vida, vender um quadro, Eloy teve pleno reconhecimento de sua arte, primeiro na Alemanha, depois em Portugal, encontrando mercado para seu trabalho e sendo homenageado com várias retrospectivas.

     Para isso, contou com uma vantagem sobre seu colega. Enquanto Van Gogh foi um desbravador, antevendo em suas telas um avanço modernista que somente seria compreendido algumas décadas depois, já Mário Eloy desenvolveu seu trabalho em plena expansão da arte moderna, reconhecida plenamente como um elemento de progresso e renovação.
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Amor