Carlos Botelho
1899-1982

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     Para ser mais preciso, seu nome completo era Carlos Antônio Teixeira Bastos Nunes Botelho, um nome comprido e complicado para um homem simples, objetivo e direto, versátil em seu trabalho e um dos esteios do modernismo português.

     Sua vocação para a pintura despertou tardiamente, pois somente aos trinta anos é que entrou para a Escola de Belas-Artes de Lisboa, um motivo de frustração para ele, pois o ensino oficial em Portugal, tal como no Brasil, prendia-se ao estilo neo-clássico, seguindo na contramão dos jovens pintores da década de 20.

     Não se passou mais de um ano, e Botelho se desligava da Academia, seguindo para a França, onde os novos ventos traziam o ar puro da renovação e, ao voltar a Portugal, expôs no Salão dos Independentes, onde seus trabalhos puderam ser notados e apreciados.

     Ironicamente, foi o mesmo Estado, avesso a transformações, que, indiretamente, lhe deu a oportunidade de praticar o modernismo, ao nomeá-lo colaborador na divulgação do Estado Novo português.

     Despontava em Portugal um novo homem forte, o Primeiro-Ministro Antônio de Oliveira Salazar, e o novo regime, que iria se prolongar por quatro décadas, precisava divulgar a imagem de um país em caminho da modernização política, social e artística.

     O Secretariado de Propaganda Nacional (SPN) passou a chamar-se Secretariado Nacional de Informação (SNI) e Botelho foi enviado em várias missões oficiais, projetando e montando pavilhões portugueses em exposições internacionais.

     Essa condição de turista acidental, garantido pelos cofres públicos, permitiu-lhe um contato com o ambiente artístico de vários países e forneceu inspiração para seu trabalho, descortinando novos cenários e abrindo campo para a experimentação.

     Em São Paulo, Botelho participou regularmente das Bienais de Arte Moderna, tendo sido duas vezes premiado: na 1ª Bienal, obteve o prêmio «Portugueses de São Paulo e Rio» e, na terceira, recebeu menção honrosa. (Texto de Paulo Victorino)
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Lisboa