Para ser mais preciso, seu nome completo era Carlos Antônio
Teixeira Bastos Nunes Botelho, um nome comprido e complicado para um homem simples,
objetivo e direto, versátil em seu trabalho e um dos esteios do modernismo português.
Sua vocação para a
pintura despertou tardiamente, pois somente aos trinta anos é que entrou para a Escola de
Belas-Artes de Lisboa, um motivo de frustração para ele, pois o ensino oficial em
Portugal, tal como no Brasil, prendia-se ao estilo neo-clássico, seguindo na contramão
dos jovens pintores da década de 20.
Não se passou mais de um
ano, e Botelho se desligava da Academia, seguindo para a França, onde os novos ventos
traziam o ar puro da renovação e, ao voltar a Portugal, expôs no Salão dos
Independentes, onde seus trabalhos puderam ser notados e apreciados.
Ironicamente, foi o mesmo
Estado, avesso a transformações, que, indiretamente, lhe deu a oportunidade de praticar
o modernismo, ao nomeá-lo colaborador na divulgação do Estado Novo português.
Despontava em Portugal um
novo homem forte, o Primeiro-Ministro Antônio de Oliveira Salazar, e o novo regime, que
iria se prolongar por quatro décadas, precisava divulgar a imagem de um país em caminho
da modernização política, social e artística.
O Secretariado de
Propaganda Nacional (SPN) passou a chamar-se Secretariado Nacional de Informação (SNI) e
Botelho foi enviado em várias missões oficiais, projetando e montando pavilhões
portugueses em exposições internacionais.
Essa condição de
turista acidental, garantido pelos cofres públicos, permitiu-lhe um contato com o
ambiente artístico de vários países e forneceu inspiração para seu trabalho,
descortinando novos cenários e abrindo campo para a experimentação.
Em São Paulo, Botelho
participou regularmente das Bienais de Arte Moderna, tendo sido duas vezes premiado: na
1ª Bienal, obteve o prêmio «Portugueses de São Paulo e Rio» e, na terceira, recebeu
menção honrosa. (Texto de Paulo Victorino)
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