Gonçalo Duarte
1935-1986
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     Gonçalo Hebe Gomes Azedo Duarte nasceu em Lisboa no ano de 1935 e faleceu em Paris em 1986.

     Em sua carreira, optou pela pitura neofigurativa abstratizante, apresentando, por vezes, alguma influência do Surrealismo.

     Duarte não se limitou ao uso do óleo e da aquarela, recorrendo a todo material disponível à sua volta, como o nanquim, a caneta esferográfica e o lápis, tirando uma série de efeitos pela combinação desses elementos.

   Sobre o pintor, escreve o cronista José Castelo em «O Estado de São Paulo» de 24 de abril de 2001:

     «Gonçalo Duarte, um de meus pintores favoritos, morreu em Paris, em 1986, na miséria, pintando naufrágios e batalhas perdidas. Quem primeiro me falou de Duarte foi Lourdes Castro, a artista portuguesa que liderou o movimento vanguardista KWY (três letras banidas do português em fins dos anos 50). Foram amigos, muito próximos.

     «Duarte pintava estranhas formas, meio arredondadas, e algo infantis, peixes narigudos, cachorros com facas no lugar da língua, palhaços metafísicos. Pintava o desfecho de uma era e o rastejar de outra.

     «Meu pai já me falara de Gonçalo Duarte, com quem esteve em Lisboa, nos anos 40. Dele guardava um chapéu em forma de cilindro, um pouco parecido com aquele usado pelos cozinheiros. Jamais me contou o que o separou de Duarte, abortando aquilo que ele via como um laço de sangue. Deve ter sido algo muito grave porque, nas vezes em que voltei ao tema, amuado, meu pai fechou o rosto. (...)»

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