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Artista precoce,
Henrique Cesar de Araújo Pousão, atravessou a vida como uma rajada de vento, que marca
sua passagem e desaparece tão rápido como chegou.
Nascido em 1859, em Vila Viçosa, no Alentejo, veio a falecer em 1884, aos 25 anos,
vítima de uma «doença do peito», provavelmente tuberculose, para a qual a medicina de
sua época não encontrou cura.
Bem cedo na vida, matriculou-se na Academia de Belas-Artes do Porto, dirigida por João
Correia, recebendo deste, e de Tadeu de Almeida Furtado, toda a estrutura técnica da
pintura.
Aos 21 anos e tendo já uma instrução relativamente sólida, recebeu uma pensão do
Governo e transferiu-se para Paris, onde prosseguiu seus estudos com Cabanel e Yvon, mas a
doença, a essa altura, começara a se manifestar, obrigando-o a mudar-se para o Sul da
França, na esperança de que o clima ameno pudesse cortar o desenvolvimento do mal.
Sem conseguir melhora, foi para a Itália, mas, longe de repousar, entregou-se a intensa
atividade, viajando do Norte ao Sul do país, na linha do Mediterrâneo, passando por
Turim, Florença, Pisa, Roma e Nápoles, e seguindo depois para a ilha de Capri, junto à
baía de Nápoles.
Vendo piorar sua saúde, voltou ao Alentejo, onde, junto à família e amigos, veio a
falecer. Após sua morte, o pai doou quase todo seu acervo à Academia Portuense, onde
Pousão iniciara seu aprendizado na arte.
Fato digno de nota é que, embora nunca tenha mantido contato com o Impressionismo, em sua
curta passagem pela França, e talvez por uma visão puramente intuitiva e subliminar,
Pousão absorveu o estilo dos impressionistas. Isso fica bem visível em seus quadros,
como em Rapaz do Cântaro, reproduzido abaixo, que pertence ao Museu Nacional de Arte
Contemporânea de Portugal.
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