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Jean Pillement, ou Jean Pillman, como era também conhecido,
nasceu na cidade de Lyon (França), de uma linhagem de pintores franceses de relativo
destaque em sua época. Foram pintores, em sua família, o bisavô, o avô, o pai e outros
parentes.
Pillement apenas seguiu a tradição familiar e, se destacou entre os demais não só pela
sua capacidade inata bem trabalhada e desenvolvida, como pelo fato de que percorreu todo o
velho mundo, tornando-se notório em vários outros países, além de sua terra natal.
«Foi Pillement um vagabundo da arte,» escreve Fernando de Pamplona. «Durante mais de
meio século, percorreu, a bem dizer, a Europa toda. Dos 17 aos 20 anos, trabalhou em
Madri. Após a primeira passagem por Portugal, esteve dez anos em Londres, onde adquiriu a
celebridade como desenhador e onde trabalhou para a Casa Real.
«Jornadeou depois por Paris, Turim, Milão, Roma, Viena de Áustria (1764) e alcançou
grande êxito na Polônia, onde o rei Estanislau Augusto lhe concedeu o título de seu
pintor régio.
«Voltou a Londres e a Paris, caminhando de triunfo em triunfo, e, em 1778, pintou para o
Petit Trianon três deliciosos quadros que deslumbraram Maria Antonieta e a levaram a
conceder-lhe uma pensão de 1.200 libras e o título de pintor da rainha. Em 1779, fez em
Londres um grande leilão...»
Por que considerá-lo então entre os pintores portugueses do Século 18, se nasceu em
território estrangeiro e passou a vida vagueando como cigano das artes plásticas?
Pillement esteve três vezes em Portugal, fixou residência no país, produziu uma obra
abundante dentro do território e usando temas portugueses. Finalmente, exerceu forte
influência sobre os pintores lusitanos de sua época e checou a montar uma escola de
belas-artes na Porta do Olival (Porto), freqüentada, entre outros, por Francisco Antônio
Vieira e por seu filho, Vieira (o portuense), então com apenas 17 anos de idade. Haveria
necessidade de maiores qualificativos para considerá-lo entre os notáveis pintores
portugueses da época ?
Não foram apenas rosas que ladearam sua passagem pelo país. Com mente aberta a idéias e
doutrinas modernas, em 18 de janeiro de 1755 foi denunciado à Santa Inquisição, acusado
de ser herege, maçom e «homem de maus costumes», tendo de fugir para a França. Pode-se
dizer que a providência divina o ajudou, ao sair do país, pois, meses após, ocorreu o
grande terremoto de 1755, que abalou várias cidades de Portugal, arrasando igrejas e
casas, e matando milhares de pessoas.
Não tinha grande apego ao óleo em seus trabalhos. Usava de todo material ao alcance mas,
sobretudo, lhe interessavam o guache e o pastel. Não registrava apenas quadros, mas
qualquer outra base que lhe aparecesse à frente, chegando a pintar em guache sobre
botões de marfim para abotoar casacos.
Considerado um dos maiores paisagistas do Século 18, havendo espalhado pelo mundo uma
obra em volume sem precedentes, Pillement morreu na França na mais extrema miséria,
tendo de dar aulas avulsas para sobreviver.
Sua obra, totalmente esquecida em Portugal do Século 20, foi resgatada pelo colecionador
Dr. Ricardo do Espírito Santo Silva, que o recolocou em sua devida posição de grande
pintor e grande mestre, estando hoje entre as peças mais valorizadas no país.
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