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"O Emigrante" vendido
por R$1.035.000,00
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Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2001.

    Informo aos amigos que, hoje , às 22h20min - eu estava lá -, no 123o. leilão do Leone, o leiloeiro Acir vendeu o lote 160 do catálogo: José Malhoa (Caldas da Rainha - Portugal, 1855 - Figueiró dos Vinhos - Portugal, 1933), "O Emigrante", óleo sobre tela, medindo 80 x 104 cm. Assinado e datado 1918.

     O quadro foi motivo de um selo dos Correios Portugueses, em 1983, comemorativo do cinqüentenário de morte de José Malhoa. No mesmo ano, 1983, participou da exposição do cinqüentenário no Museu Nacional de Belas Artes (M.N.B.A.), do Rio de Janeiro.

     O preço alcançado foi R$ 1.035.000,00 (Um milhão e trinta e cinco mil reais), equivalente, aproximadamente, a 518 mil dólares norte-americanos. Houve "briga", pelo telefone, entre dois licitantes, que ficaram incógnitos.

                                  João Carlos Lopes dos Santos

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Justiça carioca autoriza
leilão de tela de Malhoa

     Rio, 16 de janeiro de 2001 - Após quatro meses de uma acirrada disputa judicial entre os herdeiros do embaixador José Augusto de Macedo Soares, a tela 'O Emigrante' (1918), de José Malhoa (1855-1933), um dos maiores mestres da pintura lusitana, finalmente vai a leilão no dia 30 ou 31 de janeiro, no Rio de Janeiro. O lance inicial de arremate do quadro foi fixado em R$ 650 mil.

     A resolução da pendência judicial em torno de 'O Emigrante' estava sendo aguardada no mercado de arte principalmente porque havia a dúvidas se - caso fosse adquirida por algum estrangeiro - a obra poderia deixar o Brasil. 'A questão legal está resolvida e não há qualquer empecilho para que se transporte a tela até para fora do País', garante a advogada Márcia Alice dos Santos Hartung, que cuida do inventário do diplomata Macedo Soares, morto em dezembro de 1989.

     A tela de Malhoa ficará em exposição na galeria do marchand Antônio Leone, em Laranjeiras, zona sul do Rio, de 27 a 29 de janeiro. Ele espera vender a obra pelo dobro do preço mínimo estipulado, o que tornaria o leilão um dos negócios mais rentáveis feito no incipiente mercado de arte do Brasil, embora longe de ameaçar a supremacia de 'O Abaporu'.

     A tela de Tarsila do Amaral - o trabalho mais valorizado de um artista plástico nacional - foi vendida, em 1995, por US$ 1,4 milhão, ao colecionador argentino Eduardo Constantini: é a tela pintada por artista brasileiro mais valorizada comercialmente no mundo.

     Um dos filhos do diplomata Macedo Soares, José Luís, tentou impedir na Justiça que o quadro de José Malhoa fosse a leilão. O caso parou na 10ª Vara de Órfãos e Sucessões, que decidiu não haver impedimento para a venda do quadro. José Luiz entrou com um recurso (agravo de instrumento), mas o juiz Luiz Zweiter indeferiu o pedido de efeito suspensivo do leilão. A 1>1ra<>res< Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio decidiu pelo leilão em 17 de dezembro, segundo a advogada Márcia Hartung, pouco antes de o Judiciário entrar em recesso.

     'O Emigrante' deveria ter sido leiloado em 28 de outubro do ano passado, mas, às vésperas do leilão, José Luís mandou publicar em um jornal carioca uma nota paga alertando aos compradores do risco de se adquirir a peça, na época 'sub judice'. 'O quadro acabou não sendo vendido porque os eventuais compradores ficaram temerosos', lembra o leiloeiro Acyr Joaquim da Costa, que também organizará o próximo pregão. 'Agora, esperamos fazer um bom negócio porque se trata de um Malhoa extremamente expressivo e raramente ocorre do nosso mercado operar com peça de tal valor', empolga-se o leiloeiro. 'Já então não havia impedimento legal para a venda', diz Márcia Hartung. Procurado, José Luís não foi encontrado ontem para dizer se ainda irá recorrer.

     A tela de Malhoa - um óleo sobre tela, de 1,04 metro por 0,80 metro - teria sido um presente do próprio artista português para a tradicional família brasileira de diplomatas Macedo Soares e ficou, junto aos bens móveis, como patrimônio da viúva do embaixador José Augusto no apartamento por ele deixado, no bairro carioca do Flamengo, segundo o testamento.

     A viúva, que prefere não ter o nome divulgado, decidiu colocar o quadro no espólio do marido, para que a obra pudesse ser vendida e o dinheiro repartido: metade para ela e a outra metade para os filhos: José Alberto, José Luís e José Roberto. Foi por não concordar com o leilão que José Luís ingressou na Justiça.

     Márcia Hartung diz que o valor auferido no leilão da tela de Malhoa deverá ser depositado em juízo para que, em seguida, se faça a partilha entre a viúva e os herdeiros. 'É importante frisar que o quadro, está liberado de quaisquer estorvo e quem comprá-lo não terá problema', disse a advogada.

     Para o crítico de arte e marchand João Carlos Lopes dos Santos, quem arrematar 'O Emigrante' ficará com uma das telas mais importantes do pintor. 'É o pintor acadêmico de maior vulto em Portugal; na verdade, um dos maiores artistas portugueses da passagem do século XIX para o XX', afirma. 'Malhoa personifica a alma lusitana, com cenas populares em seu país, paisagens, gravuras e retratos de extrema sensibilidade.'

     Autor do 'Manual do Mercado de Arte', Lopes dos Santos informa que os principais quadros de Malhoa passaram pelo mercado brasileiro. São eles: 'Não Furtais as Uvas do Senhor Cura', 'Passagem do Comboio', 'Caçando Passarinho' e 'Debulhando Cebola'.

Fonte: Gazeta Mercantil
Claudio Renato
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