Paula  Figueiroa  Rego - (1935)
(Uma portuguesa que brilha da Inglaterra)

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Paula Figueiroa Rego nasceu em Lisboa em 1935 e desenvolveu sua carreira em Londres, onde fixou residência e montou seu ateliê.

     A capital inglesa despertou sua atenção e interesse, desde 1968, quando viajou para lá pela primeira vez, aproveitando uma bolsa de estudos recebida da Fundação Gulbenkian.

     Num depoimento incluso no catálogo para a exposição Pintura Portuguesa de Hoje-1973, Paula Rego deixou patente sua aversão pela pintura ao vivo: 

     «Não gosto de pintar ao vivo. Gosto de canalizar imagens naturalistas, abstratas, ornamentais, feiticistas, infantis.

     No Brasil, a pintora participou das Bienais de São Paulo nos anos de 1969, 1975 e 1985.


TV CULTURA DE SÃO PAULO DEDICOU UM
ESPECIAL A PAULA REGO


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Grandes Mestres da Pintura

destaca Paula Rego, a única artista viva a ter seu trabalho em exposição permanente na prestigiada Sainsbury Wing da Galeria Nacional de Londres. Segundo o renomado crítico de arte inglês John McEwen, Paula é "a mais conceituada artista residente na Inglaterra".

     O programa evidencia as raízes portuguesas que influenciam fortemente o trabalho da artista. "Há uma parte de mim muito, muito forte em Portugal, mas faço uso disso muito melhor aqui na Inglaterra do que lá", explica Paula.

     A diretora deste documentário de 52 minutos, Melissa Raimes, entra no mundo do "realismo mágico" da pintora e mostra-a trabalhando em Londres.

     "Estar em meu estúdio é um pouco como estar dentro de um cérebro - você está totalmente livre para fazer o que quiser. Eu me escondo e desenho o dia todo", conta a artista.

     Ao se voltar para as suas raízes na cidade portuguesa de Estoril, ela fala de sua infância e de como foi protegida.

     "Eu tinha medo do escuro, do demônio, de tudo. Passava a maior parte do meu tempo desenhando e brincando. Desenhar era uma linguagem", lembra.

     O avô de Paula foi co-fundador do Benfica de Portugal, um famoso time de futebol, e sua mãe fazia parte de uma classe que não trabalhava para viver.

     "Era uma sociedade mortal, para as mulheres ricas. Elas eram encorajadas a não fazer nada. Eu nunca quis ser assim. Eu queria pintar quadros desde quando era bem jovem. Também queria ser como os criados, mulheres em sua maioria, e acabei entrando num mundo de mulheres".

     Na verdade, ela é mais conhecida por ser uma pintora de temas femininos, apesar do imagético religioso compor outro de seus temas recorrentes.

     Entre muitos dos admiradores de Paula Rego está a feminista Germaine Greer, autora do livro-referência sobre mulheres pintoras "The Obstacle Race" (A Corrida de Obstáculos). Greer diz:

     "Rego pinta garotas troncudas, ossudas, cabeludas, libidinosas - e não aqueles tipos graciosos mediterrâneos. Mas elas são, indubitavelmente, feministas".

     Paula Rego diz apenas que ela usa modelos portuguesas tal como ela se identifica. Greer acrescenta:

     "Seus quadros têm uma subversão profunda. Não há nada previsível, são todos espontâneos. Ela não pertence a uma determinada escola. Ela pensa com imagens - algumas delas as mais extraordinárias e distorcidas que já vi".

Fonte: TV Cultura de São Paulo.

 

 
 


1961 - Susan and Bartolomeu
1977 - Cena doméstica com cão verde
1983 - Jerufa
1983 (circa) - Carmem
1984 (circa) - Sem título
1985 - Lela playing with Gremlin
1986 (circa) - Sem título
1990 (circa) - Estudo para Jardim de Crivelli
s/data - Procissão
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