TV CULTURA DE SÃO PAULO DEDICOU UM
ESPECIAL A PAULA REGO
Grandes Mestres da Pintura
destaca Paula Rego, a única artista viva a ter seu trabalho em exposição
permanente na prestigiada Sainsbury Wing da Galeria Nacional de Londres. Segundo o
renomado crítico de arte inglês John McEwen, Paula é "a mais conceituada
artista residente na Inglaterra".
O
programa evidencia as raízes portuguesas que influenciam fortemente o trabalho da
artista. "Há uma parte de mim muito, muito forte em Portugal, mas faço uso disso
muito melhor aqui na Inglaterra do que lá", explica Paula.
A
diretora deste documentário de 52 minutos, Melissa Raimes, entra no mundo do
"realismo mágico" da pintora e mostra-a trabalhando em Londres.
"Estar em meu estúdio é um pouco como estar dentro de um cérebro - você está
totalmente livre para fazer o que quiser. Eu me escondo e desenho o dia todo", conta
a artista.
Ao se voltar para as suas raízes na cidade portuguesa de
Estoril, ela fala de sua infância e de como foi protegida.
"Eu tinha medo do escuro, do demônio, de tudo. Passava a maior parte do meu tempo
desenhando e brincando. Desenhar era uma linguagem", lembra.
O
avô de Paula foi co-fundador do Benfica de Portugal, um famoso time de futebol, e sua
mãe fazia parte de uma classe que não trabalhava para viver.
"Era uma sociedade mortal, para as mulheres ricas. Elas eram encorajadas a não fazer
nada. Eu nunca quis ser assim. Eu queria pintar quadros desde quando era bem jovem.
Também queria ser como os criados, mulheres em sua maioria, e acabei entrando num mundo
de mulheres".
Na
verdade, ela é mais conhecida por ser uma pintora de temas femininos, apesar do
imagético religioso compor outro de seus temas recorrentes.
Entre muitos dos admiradores de Paula Rego está a feminista
Germaine Greer, autora do livro-referência sobre mulheres pintoras "The Obstacle
Race" (A Corrida de Obstáculos). Greer diz:
"Rego pinta garotas troncudas, ossudas, cabeludas, libidinosas - e não aqueles tipos
graciosos mediterrâneos. Mas elas são, indubitavelmente, feministas".
Paula
Rego diz apenas que ela usa modelos portuguesas tal como ela se identifica. Greer
acrescenta:
"Seus quadros têm uma subversão profunda. Não há nada
previsível, são todos espontâneos. Ela não pertence a uma determinada escola. Ela
pensa com imagens - algumas delas as mais extraordinárias e distorcidas que já vi".
Fonte: TV Cultura
de São Paulo.