Salvador Felipe Jacinto
Dalí nasceu em Figueras, Catalunha, na Espanha, em 11 de maio de 1904. Desde cedo revelou
talento para o desenho e o pai, um tabelião, mandou-o a Madri para estudar na Escola de
Belas-Artes de San Fernando, da qual seria expulso anos depois.
Na capital espanhola conheceu o cineasta
Luis Buñuel e o poeta Federico García Lorca. Suas primeiras obras, como "Moça à
janela", enquadradas numa linha naturalista e minuciosa, já produziam uma ambígua
sensação de irrealidade, que se acentuaria posteriormente.
Em 1928, persuadido pelo pintor catalão
Joan Miró, transferiu-se para Paris e aderiu ao movimento surrealista. Foi por essa
época que conheceu a mulher do poeta Paul Éluard, Gala, sua futura companheira e modelo.
Colaborou então com Buñuel em dois
filmes célebres, Un chien andalou (1928; Um cão andaluz) e L'Âge d'or (1930; A idade de
ouro) e pintou algumas de suas melhores obras: "A persistência da memória" e
"O grande masturbador". Nelas exibia um estilo maduro que, embora mostrasse
certas influências de De Chirico, atestava absoluta originalidade como representação de
um mundo onírico, povoado de alegorias metafísicas e imagens sexuais, apoiadas numa
técnica apurada.
Sua exposição de 1933 lhe deu fama
internacional e Dalí lançou-se, então, a uma vida social repleta de provocações e
excentricidades. Essa atitude, por alguns considerada mistificadora e venal, aliada a uma
postura apolítica, provocou sua expulsão do grupo surrealista.
Durante esse período, adotou o
"método de interpretação paranóico-crítico", baseado nas teorias da
psicanálise, associando elementos delirantes e oníricos numa linguagem pictórica
realista, com freqüentes imagens duplas e objetos do cotidiano, como em
"Construção mole com ervilhas cozidas", "Praia com telefone",
"Premonições da guerra civil", "Canibalismo de outono" e "O
sono".
Durante a segunda guerra mundial, Dalí
radicou-se nos Estados Unidos, perto de Hollywood, e colaborou em alguns filmes. No final
da década de 1940 regressou à Espanha e deu início a uma fase inpirada em obras-primas
de pintores do passado, como "A última ceia", de Leonardo da Vinci, "As
meninas", de Velázquez, "Angelus", de Millet, "A batalha de
Tetuan", de Meissonier, e "A rendeira", de Vermeer de Delft -- seu pintor
favorito.
Posteriormente, alternou a pintura com o
desenho de jóias e a ilustração de livros. Enquanto isso, sucediam-se as retrospectivas
de sua obra (Nova York, 1966; Paris, 1979; Madri, 1982) e, à medida que diminuíam suas
aparições públicas, a polêmica dava lugar à renovação do interesse por sua pintura.
Em 1974 foi inaugurado em Figueras o
Museu Dalí. Oito anos depois morreu Gala, fato que incidiu negativamente sobre sua
atividade artística.
Em 23 de janeiro de 1989, na mesma
Figueras natal, morreu Salvador Dalí.
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