Pablo Ruiz Picasso
1881-1973
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Guernica - 1937

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Em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil espanhola, a aviação alemã, por ordem do generalíssimo Francisco Franco, bombardeou o povoado basco de Guernica. Poucas semanas depois Picasso começou a pintar o enorme mural conhecido como Guernica, em que conseguiu um esmagador impacto como retrato-denúncia dos horrores da guerra


Exposição virtual exibe Guernica em imagem cinética e tridimensional
(vídeo 3 minutos) > http://tinyurl.com/yzwxbr3


A monumental obra de Picasso -- que inclui desenho, pintura, gravura, escultura, colagem e cerâmica -- permanece tão viva quanto sua lenda. Durante quase oitenta de seus 91 anos de vida, Picasso dedicou-se a um trabalho que se confunde com a evolução da arte moderna e marcou a produção artística do Século 20.

     Pablo Ruiz y Picasso nasceu em Málaga em 25 de outubro de 1881. Iniciou-se nas artes plásticas com o pai, José Ruiz Blasco, professor de desenho. Em 1895 estudou na Escola de Belas-Artes de Barcelona e logo em seguida foi admitido na Real Academia de Belas-Artes de San Fernando, em Madri.

     Entre 1900 e 1904 dividiu o tempo entre Barcelona, Madri e Paris, onde acabou por se instalar no célebre ateliê conhecido como Bateau Lavoir, em que também trabalharam Juan Gris, Van Dongen e outros.

     Entre 1905 e 1910, já desfrutava de prestígio em Paris, graças ao reconhecimento do poeta Guillaume Apollinaire, do marchand Henry Kahnweiler e da escritora americana Gertrude Stein, a quem retratou.

     Nos anos mais importantes do cubismo, de 1908 a 1914, fez amizade e colaborou estreitamente com Georges Braque.

     Com o amigo Jean Cocteau, viajou em 1917 para a Itália, onde fez os cenários e figurinos do balé Parade, com música de Erik Satie e coreografia de Serguei Diaghilev.

     Nas três primeiras décadas do século, seu talento expressou-se em quase todos os campos da arte e em numerosas fases de tendência ou estilo, cuja evolução se mostrou na grande retrospectiva apresentada em Paris em 1932.

     Durante a guerra civil espanhola, apoiou a causa republicana e em 1937 pintou "Guernica", uma de suas obras-primas.

     Na segunda guerra mundial, presenciou a ocupação alemã retirado no trabalho de seu ateliê em Paris.

     Após a liberação, aderiu em 1944 ao partido comunista e criou o símbolo internacional da paz. Em 1945 uma grande exposição reuniu suas obras em Londres, ao lado das de Matisse. Na época, Picasso já era o artista mais prestigiado do mundo e de maior influência entre seus contemporâneos.

     Em 1958 pintou o grande painel mural para a sede da UNESCO, em Paris. A partir de 1959 viveu em Cannes e em Aix-en-Provence com sua quinta mulher, Jacqueline Roque, com quem se casou em 1961.

     Antes disso se casara, em 1918, com Olga Kokhlova (com quem teve um filho, Paulo), em 1931 com Marie-Thérèse Walter (com quem teve uma filha, Maya), em 1936 com Dora Maar e em 1943 com Françoise Gilot (com quem teve dois filhos, Claude e Paloma).

Evolução da obra

     A obra de Picasso se caracteriza precisamente pelo intenso dinamismo das mudanças de estilo e da busca incessante de novas formas e soluções. São traços comuns, no entanto, de todas as fases e experiências o domínio pleno -- ou virtuosístico -- de todas as técnicas e materiais; o humor sarcástico, voltado sempre para a deformação e a caricatura; e o próprio gosto de transformar as coisas, como a si mesmo.

     Picasso é antes de tudo o gênio das metamorfoses, virtuose e comediante permeável às inquietações do momento, sem romper nunca a espinha dorsal de seu individualismo.

     O trabalho de Picasso compreende quase todos os campos das artes plásticas, mas foi principalmente a pintura que o tornou célebre. Sua obra inicial, produzida entre 1894 e 1899, é realista. Com as primeiras visitas do pintor a Paris, assimila influências de Toulouse-Lautrec e outros.

     Sucedem-se, de 1900 a 1906, os períodos conhecidos como "fase azul" e "fase rosa", com várias obras-primas de tendência maneirista e preocupações sociais. São, no primeiro caso, personagens da burguesia ou do submundo e, no segundo, artistas de circo como em "Família de saltimbancos", de 1905.

     Em 1907 "Les Demoiselles d'Avignon" inicia um novo caminho em que já se esboça o cubismo, enquanto, paralelamente, a escultura africana influencia a contínua pesquisa das deformações expressivas.

     Entre 1910 e 1912, as representações do "cubismo analítico" atingem o máximo da abstração picassiana. Suas colagens, em 1913, incorporam materiais até então estranhos ao quadro, como em "Violino, garrafa, copo", e aos poucos surge o "cubismo sintético", policromático.

     A experimentação cubista desenvolve-se até o final da década de 1920, mas já estilizada, como em "Três máscaras de músico", de 1921, ou em "Compoteira e violão", de 1924.

     Em seguida Picasso realiza uma pintura semi-abstrata, como em "O pintor e seu modelo", de 1927. A partir de 1930, após um cubismo já quase decorativo e um estágio neoclassicista, seus quadros apresentam formas de ritmo forte, às vezes espasmódico, que prenuncia a explosão dramática de 1937 com "Guernica" (surrealismo), grande composição em preto e branco com imagens convulsas e estilhaçadas que denunciam o bombardeio da cidade espanhola de Guernica pela força aérea alemã.

     As fases seguintes são de tendências diversas, que incluem reiterações do cubismo, distorções figurativas entre o cubismo e o expressionismo como em "Mulher sentada", de 1942 e, em tudo, um vigoroso repúdio à guerra e à violência, como na tela "O ossuário", de 1944-1948, ou nos murais para a capela de Vallauris, "Guerra" e "Paz", de 1952.

Outras artes

     Ainda que mais celebrado como pintor, Picasso realizou imensa obra como desenhista, escultor, gravador e ceramista.

     Seu desenho e gravura não ficam longe da criação pictórica. Há os desenhos inteiramente acabados ou de puro esquematismo.

     Na série "O touro", entre 1945 e 1946, disseca a imagem realista do animal até seu esqueleto estritamente linear, e nos bicos-de-pena sobre Dom Quixote encontra a essencialidade da sugestão e do movimento. A liberdade de imaginação e de humor -- ora malicioso, ora grotesco -- explora desde a mitologia clássica a pequenos flagrantes do cotidiano.

     A consciência política também tem seu lugar nessa arte meticulosa que, depois da genial "Minotauromachie" (1935), articulou a série "Sonho e mentira de Franco", de 1937.

     A partir de então, registraram-se constantes convites à ilustração de livros, aos quais o mestre acedeu com a mesma agudeza e vitalidade, como nas águas-fortes para novas edições de Le Chef-d'oeuvre inconnu (A obra-prima desconhecida) de Balzac, em 1927, das Metamorfoses de Ovídio, em 1930, e da Histoire naturelle, générale et particulière (História natural, geral e particular), de Buffon, em 1942.

     Na escultura picassiana, são determinantes as influências da arte primitiva -- africana e pré-colombiana -- e do estilo clássico. As soluções são às vezes de cunho construtivista e às vezes de um envolvente expressionismo figurativo, como em "A cabra", de 1950.

     Na cerâmica, o artista mostra essa mesma oscilação entre modelos gregos e fontes primitivas. De versatilidade inesgotável, a obra de Picasso oferece o panorama vertiginoso de uma permanente movimentação.

     Sua unidade, porém, foi solidamente construída sobre constantes quase inalteráveis, em que sobressai a liberdade formal. Seu testemunho é o da definitiva libertação da forma na criação artística.

     Picasso morreu em Mougins, perto de Cannes, em 8 de abril de 1973.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
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IMAGENS
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PICASSO REVIVE A TRAGÉDIA
EM EXPOSIÇÃO CATALÃ


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