Vincent van Gogh nasceu em Zundert, Países Baixos, em 30 de
março de 1853, filho de um pastor calvinista. Tendo mostrado talento precoce para o
desenho, entre 1873 e 1876 trabalhou na galeria de arte Goupil, em Haia, e foi enviado às
sucursais da galeria em Londres e Paris, mas seu anseio por paz espiritual levou-o a
buscar novos caminhos.
Durante um período, Van Gogh exerceu
atividades ocasionais e recebeu rápida formação teológica. Em 1879 fixou-se como
missionário na região mineira de Borinage, Bélgica, onde viveu em extrema pobreza. O
contato com a miséria dos trabalhadores provocou sua primeira grande crise espiritual,
acompanhada da perda da fé, e no mesmo ano foi expulso da missão.
O fracasso dessa tentativa apostólica
constituiu um momento crucial na vida de Van Gogh, que encontrou sua vocação e começou
a desenhar. Decidido a dedicar a pintura à exaltação e ao consolo dos humildes, viajou
durante os anos seguintes por cidades belgas e holandesas para aperfeiçoar sua
formação, mediante o estudo da obra dos clássicos e as técnicas da estampa japonesa.
Ao mesmo tempo, realizava numerosos desenhos e
pinturas a óleo caracterizadas pelas tonalidades escuras e o predomínio da linha, como
em "Os comedores de batatas" (1885; Museu Stedelijk), quadro que apresenta os
camponeses como terrivelmente degenerados.
Em 1886, o pintor mudou-se para Paris a fim de
reunir-se ao irmão mais moço Theo, que durante toda a vida lhe ofereceu apoio econômico
e moral. Nesse período fez amizade com pintores excepcionais como Gauguin,
Toulouse-Lautrec e Seurat, que forjavam a nova estética pós-impressionista.
A influência desses artistas e a crescente
admiração do pintor holandês pela criatividade da arte oriental estimularam-no a
desenvolver um estilo pessoal e espontâneo.
Levado por desejo incontido de conhecer o sul
da Europa, Van Gogh mudou-se para a Provença, fixando-se em fevereiro de 1888 na
localidade de Arles, onde viveu a última etapa de sua vida. Ali, em miséria absoluta,
pintou febrilmente.
Durante algum tempo viveu em companhia de
Gauguin, mas os dois artistas brigavam com veemência. Numa dessas disputas, Van Gogh
tentou ferir o amigo; depois, como forma de autopunição, o pintor amputou parcialmente
uma orelha e a enviou a Gauguin. Esse foi o primeiro sintoma da enfermidade mental que
atormentou Van Gogh até a morte. O fim dessa fase é mostrada no "Auto-retrato com
cachimbo e orelha enfaixada" (1889).
A maturidade de sua arte foi registrada numa
série de obras em que o cromatismo e a luminosidade fundiam a representação da natureza
com a expressão subjetiva dos sentimentos, como em "Vista de Arles" (1888),
"Ponte em Arles" (1888), as várias versões de "Os girassóis".
Internado no hospital de
Saint-Rémy-de-Provence, Van Gogh sofreu várias crises e, nos momentos de lucidez, tentou
dotar sua pintura de maior serenidade. Oprimido pelo confinamento, a solidão e a saudade
da pátria, o pintor abandonou o sanatório em maio de 1890 e, após uma breve visita ao
irmão, estabeleceu-se em Auvers-sur-Oise, sob os cuidados do doutor Paul-Ferdinand
Gachet.
Em seus últimos meses de vida, o estilo do
pintor voltou a apresentar energia compulsiva, com formas retorcidas e ondulantes --
"A igreja de Auvers" (1890), "Campo de trigo com corvos" (1890) -- que
refletiam crescente desespero.
Convencido de que nunca recobraria a lucidez,
Van Gogh disparou um tiro na fronte e morreu em 29 de julho de 1890, após dois dias de
agonia, em Auvers-sur-Oise, perto de Paris. Ao morrer, havia vendido um único quadro e
sua fama data dos primeiros anos do século XX.