A instabilidade emocional de Van Gogh não lhe
permitia fazer planos de longo prazo. Qualquer projeto seu, por mais perfeito que fosse, e
por mais duradouro que tencionasse ser, terminava sempre no primeiro incidente de
percurso.
Em certo
momento da vida, Van Gogh (1953-1890) e Gauguin (1849-1903) acertaram montar um ateliê em
Arles, dividindo entre si as despesas.
Nada
poderia ser mais desastroso. Van Gogh era fechado por temperamento, pouco dado a
brincadeiras, de uma rígida moral e conceitos viscosos, irritando-se facilmente a
qualquer brincadeira mais ousada.
Gauguin, ao
contrário, era de um temperamento aberto, expansivo e brincalhão, procurando tirar
proveito de qualquer situação para provocar o amigo e colega, divertindo-se em vê-lo a
ponto de perder o controle.
Normalmente, dosava o nível das investidas, mas um dia foi longe demais e a brincadeira
acabou em forte discussão, trazendo remorso a Van Gogh que sempre, após qualquer
atrito, se considerava intimamente o responsável por ele.
Inconformado,
novamente, pelo desentendimento com o amigo, cortou uma das orelhas em sinal de
penitência. Van Gogh foi internado em uma clínica e Gauguin teve de fugir da cidade, já
que estava sendo procurado pela polícia, que desejava prendê-lo.