Folha Online
09/09/2001 - 22h46
Vincent van Gogh e Paul
Gauguin discutiam e bebiam juntos, quando não pintavam, durante a colaboração de nove
semanas que, segundo uma exposição atual defende, espelha a carreira artística desses
dois homens.
Discutindo, conquistando mulheres, bebendo e pintando lado a
lado, apenas para acordar no dia seguinte e discutir um pouco mais, essa frágil parceria
experimentada em uma casa amarela de Arles volta a ser examinada em uma exibição
intitulada "Van Gogh and Gauguin: The Studio of the South" (Van Gogh e Gauguin:
o Estúdio no Sul).
Para a mostra, os curadores analisaram as telas com produtos
químicos e microscópios, perscrutaram a cartas, coletaram dados sobre as condições
climáticas durante aquele período e reproduziram a filtragem da luz do sol no estúdio
dos artistas para iluminar a relação deles no trabalho e na vida.
"É uma amizade, é uma rivalidade, é muito intenso, e os
dois, de muitas formas, alimentam a imaginação um do outro", afirmou o co-curador
Dennis Druick, em uma entrevista.
Para Van Gogh, o pintor de girassóis e noites estreladas, a
partida de Gauguin da casa que ocupavam no sul da França dois dias antes do Natal de 1888
foi uma traição do projeto de fundar uma coletividade artística que, acreditava,
revolucionaria o mundo das artes.
Em um protesto carregado de valor simbólico, Van Gogh cortou
parte de sua orelha esquerda. O clímax violento da relação desses dois pintores (eles
nunca mais se encontrariam) coincide com um período de intensa produtividade.
Os dois mais tarde
foram celebrados como pioneiros da arte expressionista.